sexta-feira, 15 de novembro de 2013

"AMOR E SEXO" MOSTRA DESCONHECIMENTO SOBRE A TPM

Por Joel Renó
 
 
"TPM do tipo grave pode atingir até 8% das mulheres e exige tratamento psiquiátrico"
 
 
Respeito o programa Amor e Sexo (Rede Globo) - apresentado por Fernada Lima - bem como seus objetivos humorísticos.

Eu, honestamente, nunca assisto a tal programa. Estava na noite de quinta-feira, 24/10, na cidade de Curitiba, no Congresso Brasileiro de Psiquiatria, e resolvi ligar a TV do hotel.

A pauta do programa era TPM. Fiquei intrigado, havia duas profissionais dando entrevistas, além dos globais dando pitacos sobre o tema e fazendo muitas brincadeiras entre os casais. Até os globais suspensos por cabos brincaram de "pisar" nos órgãos genitais de modelos deitados no chão e apenas vestidos com sungas.
 
 
Fiquei, honestamente, indignado pelas "pérolas" de desinformação lançadas sobre o tema TPM. Foi uma pauta muito mal escolhida pela produção do referido programa que não deveria ter a petulância de discutir sobre um tema médico importante e complexo e que afeta a milhões de mulheres sofredoras. Quem tem a forma leve der TPM pode até achar engraçado, mas quem sofre da TPM grave deve ter se sentido ofendida.

Embora grande parte das mulheres tenha sintomas leves e que até podem ser levados na gozação por amigos e familiares, a TPM possui diferentes níveis de gravidade e pode sim chegar a ser uma doença séria.

Cerca de 3% a 8% das mulheres com TPM têm um quadro grave que é o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM). Recentemente, na nova versão do DSM 5 (Manual Diagnóstico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria, de 2013), esse subtipo de TPM foi classificado como um Transtorno Mental do tipo Depressivo. Portanto, uma parte das mulheres que sofre de TPM têm uma doença mental séria e grave.

Tal transtorno é incapacitante e causa diferentes níveis de disfuncionalidade, tem etiologia genética e psicossocial e pode levar a crises depressivas graves, com impulsividade, agressividade e irritabilidade extremas. Há até riscos de suicídio e agressões físicas nessa forma grave de TPM. Os sintomas psíquicos podem ser tão graves a ponto das mulheres se sentirem muito culpadas depois e terem consequências até na esfera judicial.

No programa, um profissional disse que "TPM não é transtorno mental" o que é um erro crasso. A que tipo de TPM ele se referia? Será que sabe que há diferentes classificações e níveis de gravidade? Por que falar de um assunto que não possui nenhum domínio?

Uma outra profissional concordou com uma atriz global que durante o período pré-menstrual muitas mulheres têm aumento da libido e fazem mais sexo - o que não é confirmado pelos estudos sérios e bem conduzidos. Muito pelo contrário, grande parte das mulheres com TPM têm diminuição da libido no período pré-menstrual.

Por fim, para encerrar alguns ciclos de inverdades divulgadas em tal programa, uma profissional renomada afirmou que a TPM é desculpa para muita mulher mal-educada ou que não é capaz de se controlar.

Não tenho o objetivo de transformar a TPM em um grave distúrbio mental. Mas, efetivamente, há muitos estudos científicos sérios demonstrando que tudo depende do tipo de TPM que cada mulher enfrenta.
 
 


TPM do tipo grave exige tratamento psiquiátrico

Mudar hábitos de vida e alimentares, fazer exercícios aeróbicos, yoga e acupuntura podem ser úteis em muitos casos. Mas, infelizmente, nos casos graves (e que existem em até 8% das mulheres), o tratamento é psiquiátrico e não adianta mascarar ou negar o transtorno. A sociedade precisa parar de ser leviana em assuntos sérios e complexos. Se é para abordar um tema de saúde física e mental das mulheres, que seja feito com informações clínicas e científicas corretas e precisas.

Por fim, reitero que respeito os objetivos comediantes do programa "Amor e Sexo", mas daí a apoiar que divulguem informações médicas de forma incorreta e até vulgar tem uma grande distância. Mesmo em programas com objetivos de humor você pode passar informações de qualidade e corretas ao telespectador de diferentes classes sócioeconômicas.

Atenção!

Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracterizam como sendo um atendimento. Dúvidas e perguntas sobre receitas e dosagens de medicamentos deverão ser feitas diretamente ao seu médico psiquiatra. Evite a automedicação.
 
 
Fonte: Vya Estelar

Um comentário:

  1. Na minha TPM, minha libido aumenta sim, independente do que dizem os estudos.
    Apoio que coisas sérias devem ser respeitadas, mas não condeno as brincadeiras do programa. Só acho que deveriam passar informações corretas e abordar os tipos graves de TPM.

    ResponderExcluir