quarta-feira, 16 de outubro de 2013

DESENVOLVIMENTO SEXUAL SEGUNDO A TEORIA DE FREUD

Por Janaina Ribeiro
 
 
 
A teoria de Freud sobre a sexualidade é antiga, mas até hoje gera discussão. Isso porque ainda hoje o  sexo é visto somente como algo para adulto, algo proibido. Porém nas escolas cada vez mais cedo o tema sexo vem sendo abordado. O problema não é o assunto a ser abordado, mas como vai ser abordado. Visto que na abordagem de Freud, a sua teoria é incompreendida entre os leigos e o fato atual de tornar-se tudo liberal, com base em não violar o direito das pessoas, inclusive os das crianças está trazendo mais discussões.

Muitos pais e alguns especialistas condenam a teoria freudiana e o tema "sexo" ser abordado para alunos do Ensino Fundamental. Outro aspecto interessante é que apesar da modernidade da sociedade atual, muitos pais ficam constrangidos ao falar de sexo para os filhos. E muitos filhos têm vergonha de perguntarem aos pais por medo de serem incompreendidos, ocasionando em uma "sexualidade reprimida". E as dúvidas das crianças ou adolescentes acabam sendo tiradas entre eles mesmos, ainda imaturos e de maneira muitas vezes errônea. É abominável a gravidez na adolescência, assim como é abominável uma uma adolescente estar grávida com tanto acesso à informação. É algo meio paradoxal, isso porque a sociedade não aceita informações sobre sexo dadas na escola, mas também não aceita a gravidez na adolescência. O problema não é informar para estimular as crianças e adolescentes a praticarem sexo mais cedo e gerar consequências como essa, o problema é como informar. Se não há uma informação certa, esses jovens acabam achando uma informação errada.

A teoria de Freud foi vista como algo mais ou menos assim. Era abominável naquela época aceitar que um bebê, uma criança já pense em sexo. Mas é fator  biológico que nós nascemos para o sexo. Antes de abordar esse assunto Freud navegou pelo inconsciente da psique, em contrapartida da maioria dos estudiosos da época, que sempre procuravam entender o lado consciente, como algo mais fácil de ser abordado e desligado do inconsciente. E até mesmo ligado à religião.Para Freud o desejo pelo sexo começava primeiro no inconsciente, ia para o subconsciente e finalmente no consciente. Era algo que poderia se interligar. O inconsciente era algo inimaginável de ser estudado na época, porque para muitos era impossível de ser estudado. Mas Freud persistente e curioso queria comprovar sua teoria (contestada até hoje, mas admirada por muitos) para provar que uma criança já pensa em sexo (mas não como um adulto).

 Para Freud cada e
vento mental é causado pela intenção consciente ou inconsciente e é determinado pelos fatos que o precederam, o que ele atribuiu de determinismo psíquico. Uma vez que alguns eventos mentais "pareceram" ocorrer espontaneamente, Freud começou a procurar e descrever os elos ocultos que ligavam um evento consciente a outro. Quando um pensamento ou sentimento parece não estar relacionado aos pensamentos e sentimentos que o precederam, as conexões estão no inconsciente. Uma vez que estes elos inconscientes são descobertos, a aparente descontinuidade está resolvida.Freud em suas investigações na prática clínica sobre as causas e funcionamento das neuroses, descobriu que a grande maioria de pensamentos e desejos reprimidos referiam-se a conflitos de ordem sexual, localizados nos primeiros anos de vida dos indivíduos, isto é, na vida infantil estavam as experiências de caráter traumático, reprimidas, que se configuravam como origem dos sintomas atuais e, confirmava-se, desta forma, que as ocorrências deste período de vida deixam marcas profundas na estruturação da personalidade. As descobertas colocam a sexualidade no centro da vida psíquica e é desenvolvido o segundo conceito mais importante da teoria psicanalítica: a sexualidade infantil.

Ao postular
o processo de desenvolvimento psicosexual, Freud diz que o indivíduo encontra o prazer no próprio corpo, pois nos primeiros tempos de vida, a função sexual está intimamente ligada à sobrevivência. O corpo é erotizado, isto é, as excitações sexuais estão localizadas em partes do corpo (zonas erógenas) e há um desenvolvimento progressivo também ligado as modificações das formas de gratificação e de relação com o objeto, que levou Freud a chegar nas fases do desenvolvimento sexual. O que ele quis dizer sobre isso é que se a criança estimular seus órgãos genitais ela também irá sentir prazer, mesmo que não tenha a concepção de sexo definida, como a de um adulto já que os órgãos sexuais são partes extremamente sensíveis de seu corpo.
sexo é visto somente como algo para adulto, algo proibido. Porém nas escolas cada vez mais cedo o tema sexo vem sendo abordado. O problema não é o assunto a ser abordado, mas como vai ser abordado. Visto que na abordagem de Freud, a sua teoria é incompreendida entre os leigos e o fato atual de tornar-se tudo liberal, com base em não violar o direito das pessoas, inclusive os das crianças está trazendo mais discussões.
As fases do desenvolvimento sexual segundo Freud são:

  • Fase oral (0 a 2 anos) - a zona de erotização é a boca e o prazer ainda está ligado à ingestão de alimentos e à excitação da mucosa dos lábios e da cavidade bucal. Objetivo sexual consiste na incorporação do objeto. Onde também se verifica o prazer da criança ao ser amamentada, já que seu principal objeto de prazer é o seio da mãe;
  • Fase anal (entre 2 a 4 anos aproximadamente) - a zona de erotização é o ânus e o modo de relação do objeto é de "ativo" e "passivo", intimamente ligado ao controle dos esfíncteres (anal e uretral). Este controle é uma nova fonte de prazer;
  • Complexo de Édipo (entre 2 a 5 anos), e é em torno dele que ocorre a estruturação da personalidade do indivíduo. No complexo de Édipo, a mãe é o objeto de desejo do menino e o pai (ou a figura masculina que represente o pai) é o rival que impede seu acesso ao objeto desejado. Ele procura então assemelhar-se ao pai para "ter" a mãe, escolhendo-o como modelo de comportamento, passando a internalizar as regras e as normas sociais representadas e impostas pela autoridade paterna. Posteriormente por medo do pai, "desiste" da mãe, isto é, a mãe é "trocada" pela riqueza do mundo social e cultural e o garoto pode, então, participar do mundo social, pois tem suas regras básicas internalizadas através da identificação com o pai. Este processo também ocorre com as meninas, sendo invertidas as figuras de desejo e de identificação. É o que Freud chama de Édipo feminino;
  • Ambivalência - a criança descobre que pode controlar as fezes que sai de seu interior, oferecendo-o à mãe ora como um presente, ora como algo agressivo. É nesta etapa que a criança começa a ter noção de higiene;
  • Fase fálica - a zona de erotização é o órgão sexual. Apresenta um objeto sexual e alguma convergência dos impulsos sexuais sobre esse objeto. Assinala o ponto culminante e o declínio do complexo de Édipo pela ameaça de castração. No caso do menino, a fase fálica se caracteriza por um interessse narcísico que ele tem pelo próprio pênis em contraposição à descoberta da ausência de pênis na menina. É essa diferença que vai marcar a oposição fálico-castrado que substitui, nessa fase, o par atividade-passividade da fase anal. Na menina esta constatação determina o surgimento da "inveja do pênis" e o consequente ressentimento para com a mãe "porque esta não lhe deu um pênis, o que será compensado com o desejo de ter um filho;
  • Período de latência - se prolonga até a puberdade e se caracteriza por uma diminuição das atividades sexuais, como um intervalo;
  • Fase Genital - E, finalmente, na adolescência é atingida a última fase quando o objeto de erotização ou de desejo não está mais no próprio corpo, mas em um objeto externo ao indivíduo - o outro. Neste momento meninos e meninas estão conscientes de suas identidades sexuais distintas e começam a buscar formas de satisfazer suas necessidades eróticas e interpessoais no outro.




 A teoria freudiana foi uma das teorias mais revolucionárias do século. Muito inovadora para época, continua e continuará sendo objeto de estudo. Embora de difícil análise e não aceita por alguns. Vale a pena lembrar que sua teoria se solidificou e não é à toa que Freud seja chamado de o pai da psicanálise.


Referência bibliográfica:
Bock, A. M., Furtado, O. e Teixeira, M. L. - Psicologias - Uma Introdução ao estudo de Psicologia - Editora Saraiva
 

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