terça-feira, 17 de setembro de 2013

SERVE PRA QUÊ?

O PAPEL DA PSICOLOGIA NO PROCESSO DE MUDANÇA DE HÁBITOS ALIMENTARES
Por Amanda Bragion
 
 
 
 
O modo como nos alimentamos e nos relacionamos com a comida faz toda a diferença na obtenção de sucesso em um processo de emagrecimento. Para emagrecer não basta apenas aprender a se alimentar adequadamente. É necessário que o processo do emagrecimento (antes-durante) seja o momento de uma “faxina psicológica”. Essa faxina psicológica consiste em promover mudanças internas do ponto de vista psicoemocional e comportamental.
 
Para o sucesso no emagrecimento é necessário esforço e tempo, além de clareza sobre o processo (muitas vezes árduo) que está por vir. 
 
O primeiro passo para a tomada de decisão de iniciar uma dieta ou uma reeducação alimentar é olhar para dentro de nós mesmos a fim de que possamos verificar se estamos nos movendo em direção às nossas metas ou, se, desatentos, estamos nos afastando delas sem perceber.
 
O emagrecimento exige uma mudança de atitudes, que nem sempre se concentra só no âmbito da alimentação, além da atribuição de novos significados emocionais depositados na comida. Atribuir novos significados à alimentação, também aos hábitos de exercitar-se, pode resultar no sucesso do processo, evitando a re-obtenção do peso eliminado.
 
A psicologia associada ao emagrecimento aparece como uma ferramenta facilitadora e irá trabalhar diversos aspectos comportamentais, cognitivos e emocionais sem os quais o sucesso no emagrecer estará comprometido, principalmente em longo prazo. O psicólogo auxiliará a pessoa a aderir às orientações do nutricionista e persistir no processo de mudança.
 
A atitude de querer emagrecer e buscar o emagrecimento pode ser exercida através de pequenas escolhas do dia a dia. Ela é fortalecida com a mudança de significados limitantes que impossibilitam a concretização dos objetivos desejados.
 
O comportamento alimentar é completo e com diversos determinantes que sem sempre estão claros para nós. Algumas expectativas surreais também interferem muito no processo, resultando a frustração por não atingir a expectativa inicial e o abandono da dieta ou da reeducação alimentar.
 
Sobre dietas, quanto mais rígidas forem, mais a probabilidade de desencadearem crises de voracidade alimentar, colocando o que já fora feito até então por água abaixo.
 
Dietas devem ser compreendidas como um procedimento temporário, para obtenção rápida de um objetivo possível. A reeducação alimentar é lenta, exige dedicação de força de vontade, pois como diz o ditado, acontece “devagar e sempre”. O acompanhamento psicológico nessas situações é imprescindível para a manutenção dos estados motivacionais que suportam o esforço e para o equilíbrio emocional que para muitos que passam por esse processo é colocado à prova. 
 
O período de reeducação alimentar exige liberdade, confiança e habilidade de mudar sempre que necessário. Esse conjunto auxilia na compreensão de que, mais importante do que “acertar” (ou perder peso), é assumir o poder da escolha e decidir o que nos parece melhor. 
 
O terapeuta também estará atento a esse processo, facilitando, para aquele que se submete à uma mudança de hábitos, o autoconhecimento e maior clareza dos próprios comportamentos e motivações. Auxiliará a lidar com a imagem corporal, tanto a atual quanto a desejada. Auxiliará também no controle e na manutenção do peso perdido, ajudando a pessoa a lidar com estresse, ansiedade, possibilitando, com o progresso do acompanhamento nutricional-psicológico-físico, uma maior autonomia nas atitudes de mudança de hábitos e significados.  
 
É importante também lembrar que não há uma regra ou uma fórmula mágica que resultará na perda de peso desejada. Existem momentos de desânimo, de fracasso e insucesso mesmo quando estamos tão assistidos por vários profissionais. Mas há sempre a possibilidade de escolha por uma nova tentativa, novos começos, novas decisões de mudança. Todo esse acompanhamento somado com a força de vontade é o que favorecerá o sucesso na obtenção das metas estabelecidas, e cabe a cada um de nós o privilégio de eleger e alcançar os próprios objetivos.

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