quarta-feira, 18 de setembro de 2013

NÃO SOMOS BONS O SUFICIENTE?

Por que nos deixamos ser convencidos de que não somos bons o suficiente? Por que nos permitimos acreditar que porque temos déficits ou pontos a melhorar, somos então ruins, defeituosos ou ainda problemáticos? O que houve de tão persuasivo nessa lavagem cerebral que praticamente levaram nossa autoestima a zero?

Muitos de nós, se não a grande maioria temos uma autoestima muito baixa. Temos um autoconceito negativo e, passamos grande parte do tempo de nossas vidas buscando lidar com isso, negar isso, compensar isso ou, simplesmente nos resignamos acreditando que toda essa negatividade seja a verdade absoluta sobre nós.
 
O mais incrível é que muitas vezes essa herança de dor e sofrimento nos é dada pelas pessoas que mais nos são próximas, que mais nos amam e/ou nós as amamos ou ainda que nos dizem algo com toda a convicção de que são mais conhecedoras sobre nós do que nós mesmos. São conteúdos ditos com freqüência, falados em momentos de raiva, expressos para "educar/disciplinar", proferidos para alertar.  E, por amor, por confiança, por admiração nós acreditamos no que ouvimos.
 
Não é meu objetivo aqui crucificar nossos pais e mães, avós e tios, professores e outras figuras significativas mas, sim atentar para a origem de onde inúmeras vezes nasce essa questão que nos acompanhará por toda nossa vida.
 
Pais e mães, avós e tios, professores e outros também passaram por isso e, portanto também tem suas feridas, seus sofrimentos, suas cicatrizes e, por isso muitas vezes passam para frente automaticamente o que aprenderam;  posso me arriscar a dizer que até com a melhor das intenções. Temos então um efeito dominó e, se não acordarmos, seremos mais uma pecinha perpetuando essa história.
 
O que fazer então? Primeiro de tudo percebermos que não é porque temos conteúdos a serem desenvolvidos, melhorados que isso nos torna então ruins. Sei que isso é fácil de ser falado e difícil de ser incorporado mas, acordar para essa verdade já é o primeiro passo. Lembrar-se disso diariamente, em diversos momentos, principalmente naqueles em que sentimos um abalo em nossa autoestima, nos ajuda a ir aos poucos revertendo essa dinâmica de perpetuarmos esse culto a uma imagem negativa. Quando paramos para refletir, quando não incorporamos uma informação automaticamente, temos a chance de modificamos nossas percepções, nossas crenças.
 
A partir disso, temos mais duas possibilidades (além de inúmeras outras): experienciar com mais freqüência agir de acordo com nossa verdade (agora um pouco menos abafada por tantas negatividades e criticas) e, também nos atentarmos aos conteúdos que expressamos aos outros, sobre os outros, para que não sigamos reforçando essa dinâmica adoentadora e cerceadora.
 
Como citei acima há inúmeros outros passos que podem ser dados nessa questão para nos beneficiarmos e sermos mais plenos; isso dependerá muito da necessidade e desejo autêntico de cada praticante desse caminho. Por isso, deixo aberto para que cada qual de vós ouça seu coração e siga para onde ele indicar.
 
Meu objetivo com esse texto é um breve lampejo de luz, como um estalar de dedos, que nos atente para a escuridão em que estamos vivendo com relação a nós mesmos, do quanto temos a opção de nos responsabilizarmos para mudar de direção, para podermos nos aceitar mais e, assim sermos felizes.
 
Nos mais, melhorar, nos desenvolver, nos superar é algo realmente importante e até necessário mas, não a partir da negação do que aí já está. Reconheçamos nossas bases e, justamente porque elas existem é que temos a possibilidade de construir a partir delas. Um grande prédio não se ergue á partir de um buraco? Ele por algum acaso é visto como bom ou ruim? Não, não a juízo de valor; há apenas a percepção de que isso é a base necessária para a construção dessa edificação.
 
Sejamos menos moralistas (julgando o que é bom ou ruim, certo e errado) e, pratiquemos mais a percepção de perceber o que aí está.

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