sábado, 28 de setembro de 2013

MASOQUISMO, ALÉM DO QUE SE IMAGINA

Por Katree Zuanazzi
 
 
Freud esclarece que a estruturação psíquica se da nos primeiros anos de vida através das relações objetais, são estes que influem sobre a maneira que posteriormente, na idade adulta, iremos encarar as questões que nos rodeiam. A sexualidade é definida através da atividade a passividade sem que este ativo/passivo tenha relação com gênero sexual. Enquanto o sádico tem uma ligação com a posição ativa, o masoquista com a passiva, sem desconsiderar que pode haver a coexistência de ambas nestes. Tanto no sadismo quanto no masoquismo há a associação do prazer com a crueldade.
 
O mesmo autor faz explanação de que o masoquismo pode ser originado pelo complexo de castração e sentimento de culpa emergente com este fazendo com que o sujeito se fixe a posição passiva originaria, mas considera que não passa de um sadismo direcionado a si mesmo, onde volta-se a agressividade para a própria pessoa. O prazer no castigo nada mais é do que a procura de amenizar o sentimento de culpa.
 
Ainda, segundo a psicanalise, no masoquismo ocorre a conexão da crueldade com a pulsão sexual concomitante a dor emergir como uma forma de prazer. Isto porque o masoquista faz uma supervalorização do objeto sexual, no qual apenas se percebe o bom deste, que é visto como perfeito, confiável, há credulidade no amor. Isto posto, evidencia-se que o masoquista tem uma atitude passiva em sua vida sexual onde o prazer está associado à dor produzida pelo objeto sexual que é sempre idealizado. Este é o lado belo do masoquismo.
 
Isto remete a compreender as escolhas de sujeitos masoquistas, para além dos pré-conceitos. Vulgarmente o masoquista é descrito como “aquele que gosta de sofrer”, mas o definir assim é uma postulação errônea. A concepção de sofrer não é estática, é subjetiva, logo, o que é sofrimento para mim não é, necessariamente, sofrimento para o outro. O fato de ele obter prazer de uma forma diferente da maioria das pessoas, não significa que goste de sofrer, simplesmente de obter prazer de uma maneira peculiar.
 
Outra questão pouco explorada e um ângulo do masoquismo despercebido: o das pessoas que obtém prazer de uma forma de dor mais sutil. Pessoas que se mantém em relacionamentos destrutivos, que só ama quem não corresponde, permanecem em trabalhos que não gostam, se colocam em situações de abuso, exploração, enfim, entram em um conjunto de interações indesejáveis e aí permanecem, mesmo que façam reclamações continuamente. De uma maneira singela, isso não deixa de fazer parte do movimento mental chamado masoquismo.
 
Lobão em uma de suas músicas diz uma frase que pode ser relacionada ao masoquismo, a saber, “como uma chuva, uma tristeza podem ser uma beleza, e o frio uma delicada forma de calor”. Trecho ótimo para esclarecer que o masoquismo compreende muito mais do que o senso comum prega, além de evidenciar que esta prática não é tão incomum assim como muitos acreditam. Afinal, quem nunca chorou ouvindo uma música e mesmo assim insistiu em tornar a ouvi-la, por vezes, continuamente?!
 
Pois é... Isso também é masoquismo.




Fonte: Temas de Psicologia

Um comentário:

  1. Realmente muitos se encontram no texto. Nas religiões encontramos tipos de pessoas dessa forma. Em família também.

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