quinta-feira, 26 de setembro de 2013

FALTA DE LIBIDO TAMBÉM É CULPA DO PARCEIRO

Desequilíbrio hormonal, menopausa, uso de medicamentos, doenças crônicas, falta de estímulo, maternidade, trabalho, casamento, rotina, pudor, baixa autoestima. Esses e outros fatores, em conjunto ou individualmente, podem ser a causa da falta de libido nas mulheres.
 
Aquelas que se encontram nessa condição podem e devem procurar tratamento. E o ideal é que isso não aconteça de forma solitária. Os parceiros têm papel fundamental no resgate da sexualidade feminina.
 
O coordenador do curso de pós-graduação em Sexologia e do ambulatório de urologia da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Roberto Vaz Juliano, acredita que boa parte da ausência de desejo feminino é culpa dos parceiros. "Falta o estímulo adequado. A mulher precisa de carinho, toque e sensibilidade e isso está em falta. O ideal é que o tratamento envolva o casal."
 
É verdade que, diferentemente dos homens, as mulheres necessitam de um ‘empurrão' para mostrar excitação. Mas a causa do desinteresse pode estar ligada a fatores orgânicos, como menopausa, hipertensão, diabetes, entre outros. "Quando isso ocorre, a primeira coisa a se fazer é tratar as disfunções", avalia o chefe do setor de Saúde e Medicina Sexual da faculdade, Eliano Pellini.
 
Se o problema for de causa emocional, o indicado é que se faça tratamento psicológico. A cada três meses, cerca de 20 mulheres iniciam a terapia em grupo oferecida pela FMABC. São 18 reuniões realizadas uma vez por semana por equipe multidisciplinar que inclui terapeuta, sexólogo, educador físico, ginecologista e urologista.
 
 
CAUSAS
 
Segundo Pellini, as causas da ausência de libido podem ser divididas em quatro partes: integridade hormonal, parceiro, histórico de vida da mulher e bagagem cultural, ou seja, o quanto ela é capaz de fantasiar e trabalhar sua imaginação.
 
A procura por ajuda é feita geralmente por mulheres que estão na casa dos 50 anos, mas a busca parte de todas as faixas etárias. Como a vida sexual está sendo iniciada mais cedo, consequentemente, as queixas também começam antes.
 
Durante o tratamento, elas aprendem a trabalhar basicamente a autoestima. Para isso, são ensinadas maneiras de se maquiar, andar de salto alto, entre outros. "O nosso grande objetivo é dar condições para as mudanças. É importante que a mulher saia da zona de conforto e adquira uma postura diferente", avalia o especialista.
 
 
HOMENS
 
A FMABC também possui um espaço destinado aos homens. O ambulatório de urologia realiza três vezes ao ano reuniões gratuitas e abertas ao público. "Visamos integrar questões que podem interferir no desempenho sexual deles", explica a psicóloga colaboradora no ambulatório de urologia, Margareth dos Reis.
 
Durante os encontros, cerca de 40 homens, na faixa etária média de 45 anos, debatem todos os aspectos de temas escolhidos por eles mesmos. Segundo Margareth, é comum que reclamem sobre a falta de iniciativa da mulher. "Muitos dizem não saber como abordar a parceira. No entanto, quando se mostram dispostos a melhorar, a resposta costuma ser bem satisfatória."
 
 
ESTUDO
 
Levantamento feito pelo Ambulatório de Sexualidade do HC (Hospital das Clínicas), da Faculdade de Medicina de São Paulo, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, aponta que de 150 a 200 mulheres que buscam o serviço mensalmente, 65% se queixam da falta de desejo sexual.
 
Além dessas, 23% reclamam de anorgasmia (falta de orgasmo) e 13% sofrem de vaginismo (contração involuntária dos músculos próximos à vagina, dificultando ou impedindo o ato sexual).
 
"Muitas mulheres estão à procura de medicamento para resolver o problema, mas isso não existe. A magia está dentro de cada uma", alerta a sexóloga do HC, Elsa Gay.
 
E para que cada mulher encontre sua solução, o ambulatório oferece terapia em grupo. Durante oito semanas, elas aprendem a investir no relacionamento e a trabalhar a sexualidade. "Por isso é importante se olhar e conhecer o próprio corpo. As mulheres estão cumprindo tantas tarefas, que o papel de amante fica esquecido", avalia.
 


Segundo Elsa, em média, 70% das pacientes apresentam retorno positivo ao tratamento. "O resultado depende de como elas vivenciam a vida sexual, como lidam com seus medos, desejos e mitos."
 

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