quarta-feira, 21 de agosto de 2013

ESCLARECIMENTOS SOBRE ORIENTAÇÃO PSICOLÓGICA ON LINE

Por Márcia Chicareli



Lá vamos nós refletir sobre um assunto atual e polêmico e desde já pretendo deixar claro aos colegas, alunos e quem me lê que efetivamente não estou falando de certo ou errado, mas estou certamente abrindo espaço para a discussão daquilo que é diferente e tão possível nos dias atuais, orientação psicológica on line. Isso ainda me parece um território que poucos pisam, mas como sempre fui uma dessas profissionais que gosta do novo e para utilizar quaisquer ferramentas sempre fui em busca de saber, saber como o Conselho Regional e ou Federal de Psicologia tem tratado os assuntos e deparei com uma Regulamentação do Conselho Federal de Psicologia e para minha surpresa, trata-se de uma regulamentação de 2005. Estamos regulamentados há 8 anos e pouco falamos sobre isso, não é mesmo? A orientação psicológica on-line é legalizada pelo Conselho Federal de Psicologia, o CFP – regulamentou os serviços psicológicos mediados por computador, através da Resolução n° 12/2005.

A Internet chegou para ficar e com ela houve uma revolução nos aspectos da comunicação. Amplamente utilizado em nossa realidade social, mas a alternativa trazida pela Internet modificou em muito o uso da máquina para a comunicação, a educação, as relações de trabalho, pessoais e os negócios. Negroponte (1996) ao falar sobre a revolução trazida pela informática, afirma que esta não tem a ver somente com a computação, mas sim com a vida. O mesmo é apontado por Castells (2000) que trata das redes interativas de computadores como algo que cria novas formas e canais de comunicação, moldando a vida e sendo moldadas por ela.

Defendi minha dissertação de Mestrado na área da Psicologia da Saúde e confesso se meu olhar já estava ampliado para novas reflexões, a Psicologia da Saúde me fez ampliar ainda mais, abri para reflexões possíveis e hoje vejo como possível a orientação psicológica on line, porém, vale ressaltar que: se trabalhar com as pessoas estando frente a frente imagino que a relação sendo por instrumentos como Skype e seus semelhantes deva ser muito mais cuidadosa e delicada. Tenho pesquisa sites de profissionais que já fazer uso da Internet para dar orientação psicológico e vejo que o CRP precisa avaliar o site utilizado por aquele profissional e com isso percebo que o trabalho fica mais sério e comprometido. Afinal, respondemos a um código de Ética bastante detalhado e recorrer a ele sempre que houver dúvidas é sempre muito pertinente.

Lévy (1999, p.25) diz que “Uma técnica é produzida dentro de uma cultura, e uma sociedade encontra-se condicionada por suas técnicas”... “uma técnica não é boa, nem má (isto depende dos contextos, dos usos e dos pontos de vista), tampouco neutra (já que é condicionante ou restritiva, já que de um lado abre e de outro fecha o espectro de possibilidades). Não se trata de avaliar seus ‘impactos’, mas de situar as irreversibilidades às quais um de seus usos nos levaria, de formular os projetos que explorariam as virtualidades que ela transporta e de decidir o que fazer dela”. O autor fala ainda que enquanto se discute o uso de uma tecnologia, ela já se fez presente e se impôs.

Não dá mais para negar a importância que a Internet tem provocado na vida das pessoas. Eu tenho pensado neste tipo de atendimento como mais uma opção que o profissional que busque informação adequada poderá utilizar para facilitar os encontros – ainda que virtuais – entre pessoa e profissional. Nunca neguei nada que a Psicologia traga como inovação, de novo reflexo da Psicologia da Saúde em minha formação. Gostaria que este texto fosse, antes de mais nada um “limpador” de preconceitos. Pré conceitua aquele que não sabe, não conhece, não pesquisa, não entende e mais que isso, aquele que resiste ao novo.

A Internet (Interconnected – Network), entre redes, ou redes interconectadas, é uma super-rede de computadores capazes de interligar uma teia digital às residências, empresas, escolas e comércio do mundo inteiro; por ela se chega facilmente a bibliotecas universais, catálogos de compras e serviços bancários. Em qualquer lugar onde exista um computador, um modem transmissor de dados e um programa de ligação com a Internet, ligado a uma linha telefônica, ou ligação a cabo é possível acessar um mundo infindável de novidades científicas e não científicas. Ela proporciona a seus usuários comunicação a baixo custo, dos mais variados assuntos, eliminando distâncias, fronteiras e fusos horários. Renovando assim, inclusive as relações interpessoais que saem do contato pessoal para o computador e vice versa.

Tenho pensado nos saltos que a cultura e a sociedade tem dado a partir dessa janela aberta para o mundo e fiz a relação da mesma janela para utilização nos atendimentos psicológicos e na resolução fica claro que o contrato é bem estabelecido, o enquadre é feito a partir de um agrupamento de dados posteriormente entendidos como importante para o Profissional e a pessoa que busca este serviço.

Nicolaci-da-Costa (1998, p.73) diz que vivemos em um mundo onde “o espaço é cibernético; a realidade é virtual; o tempo é real; o correio é eletrônico; a velocidade chega a ser medida em nanosegundos (a bilionésima parte de um segundo); nosso lar ciberespacial é uma home page, navegamos por ondas WWW (World Wide Web) sobre as quais nos locomovemos através de links; nossos computadores se transformam ora em bancos, ora em museus, ora em bibliotecas, ora em livrarias, ora em lojas de CDs, ora em salas de conferências, ora em escritórios virtuais...”

Espero que possamos transformar nossos computadores em responsáveis “consultórios Psicológicos” seguindo o passo a passo fornecido pelo Conselho da nossa profissão e que este seja mais um grande avanço para que a Psicologia se torne algo comum a todas as classes sociais e pessoas que precisam se amparar de algum modo.

Como? Se eu atendo pela Internet? A resposta é não. Mas isso entrará em meus planos. Um abraço afetuoso para quem me lê! Cuidando da nossa profissão, enfrentando as novidades e mudanças, cresceremos para encontros no mundo real e virtual. Lembrem-se: Tratamos de humanos e são eles que manejam a máquina – neste nosso caso – o computador.

Vale ressaltar que os atendimentos on line não dispensam Psicoterapia, até porque teem um outro formato e atendem a uma demanda específica. Realizado no máximo em 12 sessões de forma pontual e breve.

Boas orientações virtuais aos que já aprenderam como se faz! Estamos regulamentados.

Um comentário:

  1. Esse assunto é muito interessante e atual, acredito que no futuro próximo será comum realizar sessões online. Hoje, por exemplo, é realidade ter aulas de inglês por skype, com professores nativos do idioma ensinado, o que funciona muito bem. Porém, este tipo de contato é visto como impessoal. Na minha visão, realizar uma orientação online com um paciente já conhecido e dar continuidade no trabalho já iniciado é muito diferente de realizar uma orientação online com alguém desconhecido. Na sua opinião, é possível realizar esse vínculo em sessões online? É possível perceber as nuances, ter percepções daquilo que não é dito?

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