sábado, 31 de agosto de 2013

A SÍNDROME DO FACEBOOK

Por Katree Zuanazzi


Não cairia nada mal se a ‘doença do facebook’ constasse no DSM V. Longe de ser simplesmente modismo e carência, algumas manifestações que eclodem nesta rede social beiram a insanidade. O espaço que foi criado com intuito de fortalecimento de vínculos passa longe disso, tornando-se local de exposições exacerbadas dos aspectos mais bizarros de um ser humano. É claro que não se deve generalizar, aqui fala-se de alguns casos específicos.

Fotos de prato de comida, fotos de gente fazendo bico, caretas, post com 10 fotos iguais mudando apenas um fio de cabelo do lugar, de pessoas fotografando a si mesmas em frente o espelho são as mais típicas dos ‘doentes do facebook’, sem esquecer os posts dizendo onde se está, o que se esta fazendo, comendo, enfim qualquer atividade tosca que não diga respeito a ninguém além de si mesmo, como se alguma destas informações fossem uteis para o leitor, amigos, humanidade, ou seja, se tivesse alguma lógica ser expostas tais coisas na rede social.

Lógica, palavra intrigante, a base desta explanação. O doente do facebook tem dificuldade de ter um raciocínio lógico, aparenta ter perdido a noção de realidade, ter criado um mundo particular (comum nos psicóticos) e compartilhar esse mundo com os amigos adicionados e uma maneira no mínimo constrangedora, e o pior: sem constrangimento algum. Coisas ridículas estão sendo expostas como se fossem motivo de orgulho e mais: coisas que nem deveriam estar sendo divulgadas, por serem pessoais, estão sendo escancaradas como se fossem o máximo.

É claro que rendem varias risadas para os equilibrados mentalmente, mas emergem coisas tão inacreditáveis que nem o riso se faz presente e sim a cara de ‘não estou acreditando no que estou vendo’ e certo sentimento de pena da pessoa que se expõe tão vexadoramente.

Cada vez mais as pessoas perdem a noção de certo e errado, bonito e feito, agradável e repugnante, formoso e ridículo. Por vezes, fazem confusão entre estes, como se sua capacidade de julgamento estivesse abalada. Fuga da realidade? Talvez! Quem tem uma vida muito miserável tem como mecanismo de defesa criar uma vida paralela.

O doente do facebook tem como característica principal o fato de viver em função de um outro, este outro que o vê (no caso, que ele fantasia estar o vendo), e vive em função deste como numa tentativa de esconder o quão sua vida é desinteressante a mascarando de felicidade. Então expõe os ápices de sua vida que às vezes é um prato de comida (no mínimo deve passar fome pra expor foto de alimento), ou uma foto tentando esconder os defeitos espichando os lábios (implorando por se sentir menos desprovido de beleza do que sabe que é), foto empinando o ‘bumbum’ e assim por diante! Enfim, todas estas atitudes ridículas são apenas sintomas de pessoas que gritam por socorro, que tem uma vida falida, infeliz, insatisfeita e não conseguiram elaborar isso e acabam usando o facebook como terapia alternativa sem se dar conta que isso só denigre a própria imagem.

Até onde isso vai chegar? Não se sabe! Percebesse apenas que a alienação não é pouca, tem ocorrido em massa. Popularmente se diz que na internet se encontra de tudo e nada mais sensato do que concordar. Tanto a normalidade quanto a bizarrice encontram ai um espaço livre pra se manifestar e proliferar. Comportamentos doentios são reforçados por ser comungado por vários praticantes e vão se estruturando como uma persona de normalidade.

17 comentários:

  1. Bom, vou dar a minha opinião sobre pessoas que postam milhares de fotos, dizem tudo que fazem, tiram foto de tudo que fazem, de suas comidas: elas tem amigos, e amigos distantes, que não estão com ela no dia a dia pessoalmente, compartilhar estas pequenas coisas da nossa rotina parece nos colocar mais próximos de algumas pessoas, se não interessa a maioria das pessoas, pode ter certeza que pode interessas a um ou outro, e é pra estes que a pessoa compartilha da sua vida. Eu gosto de saber o que um amigo ou amiga esta fazendo, gosto até de ver o que estão comendo, comentamos alguma coisa, rimos, e assim fortalecemos nossa amizade. Nada de mais. Achei essa essa matéria tão ...tão...cricri e nada profissional. Pensei que aqui tivessem psicólogos, mas depois de "pra postar foto de comida deve passar fome" perdi minhas esperanças....

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    1. Você deve ser uma "dessas" vitrines de loja barata.
      Muita exposição, fácil acesso e a maioria só está ali por curiosidade.

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  2. Apesar de me sentir meio ridícula, foi bom para abrir meus olhos, para toda futilidade, tenho me policiado, para que não entre nessa vaidade desenfreada.

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  3. Concordo totalmente com que Ana Paula Soares descreve em seu comentário acima, essa matéria para mim "pessoa" não passa de uma opinião pessoal do autor, como também de recalque, comentários maldosos, isso sim... compartilhar e ver esses tipos de fotos " com lugares, comidas" além de nos aproximar, ficamos sabendo um pouco mais sobre o tipo de amigos e parentes que estamos tendo contato, uma aproximação... Tudo bem que tem umas pessoas que exageram, mais é da personalidade delas. Muitos nem se dão conta do que estão fazendo. Abraços

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    1. Outra "vitrine" de loja barata. O que é bom dispensa propaganda.
      A página fala do lado psicológico. Coisa que não é pra qualquer um entender

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    2. Adorei o texto ���������������������� essas vitrines de loja barata, nada mais são que pessoas carentes que necessitam curtidos, aplausos em tudo que postam! Fotografam tudo e tudo se expõe, a vida é tão desinteressante que vive em função da aprovação dos outros! Parabéns pelo texto.

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  4. Texto muito pertinente!!! Concordo plenamente com o autor!!! Sara

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  5. Texto Se Resume A: Onde For, O Que Quer Que Faça Ou Vista, Sempre Terá Alguém Pra Lhe Julgar.
    Se Você Publica Qualquer Coisa Relacionada A Comida, Passa Fome? Se São Coisas Legais E Engraças, Significa Que Você É Excluído E Necessita De Atenção Para Chamar Atenção?
    É Complicado, Nem Jesus Agradou A Todos.
    Existem Os Que Extrapolam, Mas Em Uma Sociedade Doente Tudo Se Torna "Normal".
    E Concordo Plenamente Com A Ana Paula Soares.

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  6. Primeiramente, a palavra "vexadoramente" não existe. O correto é "vexatóriamente".

    Mas o resto do texto parece coerente. O que pessoas aqui nos comentários parecem esquecer é que os comportamentos citados no texto não definem um indivíduo doente por si só. No entanto, a quantidade de diferentes comportamentos e a frequência com que eles aparecem é que definem uma pessoa que precisa de ajuda.

    Muitas pessoas têm álbuns narcisistas com autorretratos com biquinhos, cabelo tingido e com extensões, muita maquiagem e filtros, bumbum empinado, decotão, bíceps, calcinha e sutiã, tanquinho, cara de mau... E são vários álbuns apenas com fotos assim. E essas pessoas também postam tudo o que comem com legendas exaltando como a comida é incrível, todos os presentes que ganham e compram, cada roupa, cada par de óculos e afins. E que namorados (as)/maridos/esposas maravilhosos que essas pessoas têm! Mil fotos de casais, na cama, na sala, na varanda, na praia, na balada... Todos cheios de "EU TE AMO!".

    Já vi de perto perfis assim e conheci a realidade fora do perfil. Essas fotos de casais eram para camuflar a angústia de traições e maus tratos variados, era negação da depressão, da mudança extrema de peso, da dificuldade no trabalho e da falta de dinheiro. Não tem a vida glamurosa cheia de viagens? "Olhem minhas unhas! Que esmalte lindo! E olha aquela piranha que vigia meu perfil e copia tudo que eu faço! Coitada, mas deixa ela fazer o que quer. Ela pode tentar, mas nunca vai ser EU!".

    Quando essas coisas acontecem todo dia, o dia inteiro, a pessoa precisa de ajuda. Tem quem se exponha sexualmente, tirando foto de roupa íntima e aceitando comentários que contam de "homenagens" como elogios, o que mostra uma autoestima extremamente fragilizada.

    Postar foto de comida, postar o corte de cabelo, uma viagem, todo mundo posta. Mas é uma população específica que posta nada mais além disso, nada além de coisas que giram em torno do umbigo dela mesma. E também existem níveis diferentes. Tem quem aumente a frequência desse tipo de postagem aos poucos e devemos ficar atentos a isso. São gritos de socorro aos quais ninguém dá atenção.

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    1. De todos os comentários ESSE é plausível! como o autor mesmo se expressou:
      É claro que não se deve generalizar, aqui fala-se de alguns casos específicos.

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  7. Gente... Sou psicanalista e existe catalogação tanto no dsm V (o 4 não se usa mais) como no cid 10 como no vocabulário da psicanálise! Este texto não é de psicologia nem de psicanálise ou falariamos de fobia social, isolamento social, isolamento social, t.o.c., voyerismo, síndrome de Münchausen, transtornos fóbicos... Tratamos dessa forma as patologias em nosso site: www.psicoligado.com.br
    leiam, critiquem,dêem sugestões... Abraços, Stefano

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  8. Boa tarde! Qual é o seu CRP? Não encontrei nenhum registro seu!

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    1. É eu não encontrei seu nome anôni!o...procure que vc acha

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  9. gostei muito do texto, mas "percebesse " no último parágrafo não sei não...

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