terça-feira, 2 de julho de 2013

PSICANÁLISE: O PILAR DA PSICOLOGIA

É comum as pessoas se referirem à Psicanálise, como se esta fosse a própria Psicologia, talvez pelo fato de
a primeira tomar maior credibilidade após as contribuições de Sigmund Freud. Percebo, em minha experiência clínica, as pessoas já chegarem ao consultório dizendo que a irmã, a amiga, o vizinho, ou outra pessoa, a indicou procurar um “Psicanalista”, e já está lá no Psicólogo sem saber se o profissional em questão tem esta formação ou não. Há uma confusão nas áreas psi, que será esclarecida.

Quando se fala em Freud, algumas pessoas leigas, usando seu senso comum dizem que “é aquele Médico que criou a Psicologia”, mas não é exatamente desta maneira. Freud criou a Psicanálise que, não podemos negar que deu uma evolução ao campo de estudo da psique, mas que não “é” a Psicologia e sim uma vertente “da” Psicologia.

A Psicologia é uma ciência que tem como objeto de estudo os fenômenos psíquicos e o comportamento, existente desde a Grécia antiga, mas só foi estabelecida enquanto ciência no século XIX a partir do Médico Wilhelm Wundt em Leipzig na Alemanha. No entanto, a Psicanálise, posteriormente gerada pelo Médico Neurologista Sigmund Freud, se popularizou sendo popularmente confundida com a própria Psicologia, já que foi a protagonista da difusão desta.

O Psicanalista é uma pessoa com formação em Psicologia ou Medicina que optou pela vertente da Psicanálise, ou seja, que tem uma visão de homem se pautando nos pressupostos teóricos elaborados primordialmente por Freud.

A psicanálise revolucionou o mundo com a descoberta do inconsciente, uma instancia psíquica que rege a sobrevivência humana. Todas as ações adotadas são permeadas por aspectos que nem sempre estão claros na nossa consciência, mas que estão sim muito vivos em nosso ser.

Embasada no determinismo psíquico sem negar que este é permeado por aspectos subjetivos, concebe cada pessoa como um ser único, singular, ímpar, que possui um histórico de vida particular que contribuiu para ele ser o que é e agir como age, ou seja, há um nexo causal na constituição subjetiva. A compreensão deste sujeito parte de sua estruturação psíquica (neurótica, psicótica ou perversa) e da maneira subjetiva que esta se manifesta em determinados casos.

As patologias, a partir disso, terão a possibilidade de cura através da palavra, o tratamento é embasado na fala, técnica denominada “Associação livre”. Nesta, o paciente inicia falando de maneira desobstruída tudo que lhe vier à mente para que com o evoluir do tratamento, consiga fazer as conexões necessárias entre seus conteúdos e possa então, com a ajuda do terapeuta, “recordar, repetir e elaborar”.       

Claude Lévi-Strauss, que não é Psicólogo, nem Psicanalista e sim Filósofo e Antropólogo, em sua reverberação diz que "o sábio não é o homem que fornece as verdadeiras respostas; é o que formula as verdadeiras perguntas". Esta colocação do autor captou a essência da Psicanálise. E pra concluir a linha de raciocínio faz-se necessário citar juntamente Lacan que afirma que “a arte do bem falar vem do bem ouvir”.  Esta é a função tanto do Psicólogo quanto do Psicanalista.


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