sexta-feira, 12 de julho de 2013

PRIVAÇÃO DE SONO AFETA PRODUÇÃO DE ANTICORPOS

Dormir poucas horas por noite pode impactar nosso sistema imunológico mais do que imaginamos, afirma
estudo do Instituto do Sono, ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O experimento foi coordenado pela pesquisadora Francieli Ruiz e publicado no ano passado no jornal Innate Immunity.

A pesquisadora dividiu 32 homens saudáveis de 19 a 29 anos em 3 grupos: o primeiro foi completamente privado de sono; o segundo,só do sono REM; o terceiro funcionou como grupo de controle. A privação de sono variou entre 24 e 48h, período no qual os voluntários podiam ler, ver televisão e mesmo andar pelas instalações do instituto.

O tempo de privação de sono foi proporcional ao aumento do número de leucócitos (células do sistema imunológico que atuam como “guardiãs” do corpo) no sangue dos voluntários que não dormiram. A mudança foi especialmente evidente número de neutrófilos, variedade que combate a maioria das infecções. Esse crescimento, afirmam os pesquisadores, é indício de inflamação sistêmica, que mostra que a falta de sono desencadeou um alerta no organismo. “Dormir é essencial para que o nosso sistema de defesa responda de maneira adequada”, diz Francieli.

A equipe do Instituto também confirmou outro estudo que mostra que a privação pode reduzir pela metade a produção de anticorpos após receber vacina de hepatite A. “Talvez esta informação seja importante durante campanhas de vacinação, pois, se o indivíduo não dormir bem antes de ser vacinado, seu sistema de defesa não produzirá a proteção adequada ao organismo”, comenta a pesquisadora.

VULNERÁVEIS AO RESFRIADO

Uma única noite de sono reparador não é suficiente para compensar uma sequência de noites maldormidas: ainda que os níveis de neutrófilos e leucócitos voltem ao normal após o descanso, o número de linfócitos T CD4 (responsáveis pela imunidade adaptativa, que é diferente para cada doença) se manteve elevado, e os níveis de imunoglobina (IgA) reduzidos, mesmo depois de três dias de descanso. A IgA está diretamente relacionada à proteção contra organismos capazes de causar doenças e pode ser um dos motivos que torna as pessoas que dormem mal mais suscetíveis ao rinovírus, responsável pelo resfriado comum.

Atualmente, o grupo de pesquisadores analisa o sistema de defesa de trabalhadores em turno. “Ainda não está claro o quanto indivíduos que mudam completamente seu ritmo de sono podem ter a saúde comprometida”, observa Franciel


Fonte: Mente e Cérebro

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