segunda-feira, 8 de julho de 2013

NEM FEMINISTA, NEM MACHISTA. SIMPLESMENTE MULHER

Percebo certa obrigação em encaixar mulheres entre as categorias machista ou feminista. Quando lutam contra a violência direcionada à mulher chamam de feminista, mas quando querem ser recatadas já tacham de alienada pelo machismo. Entretanto, é impossível sustentar um extremismo sem imperfeições. Todo radicalismo impede a liberdade subjetiva, sendo prejudicial tanto para o homem quanto para mulher.


A ideia primordial do feminismo era que a mulher fosse liberta dos padrões opressores, pudesse ter voz ativa tato quanto ao homem, tivesse direitos equânimes a eles, ficassem livres para manifestar suas vontades e poder realizá-las, ou seja, queriam liberdade a qual é conquistada a cada dia, como disse Simone de Beauvoir “é pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem”. Porém, nem todos os membros do feminismo de hoje se embasam nisso quando se manifestam, alguns confundem liberdade com libertinagem. Não sei se isto partiu das feministas mesmo, ou se outras se aproveitaram do movimento para ganharem aval da sociedade para imoralidade.

O que é imoral, o é e ponto. Independente se partir de um homem ou de uma mulher. Pra defender a classe a que eu pertenço não se faz necessário profaná-la. Eu não preciso me imoralizar, desrespeitar meu corpo, depredar meu ser, desvirtuar minhas crenças, para conquistar a igualdade. Isso é alienação tanto quanto a guia de conduta imposta às mulheres antigamente.

Camille Paglia pensadora e ativista no feminismo desde o final da segunda onda deste, hoje com 65 anos, se posiciona com a percepção de que o movimento feminista está se transformando numa ditadura que enclausura a mulher em como ela deve ser, ou seja, a mesma coisa que o adestramento da mulher feito no passado pela sociedade machista, mas agora para o lado contrário. Assim, tirando a autonomia da mulher de ser ela mesma, e afirma “Para mim, feminismo é a luta por oportunidades iguais para as mulheres. Ou seja: remover qualquer barreira que atrapalhe o avanço na educação superior e no mercado de trabalho. O feminismo deveria encorajar escolhas e ser aberto a decisões individuais”. Mas infelizmente não é o que vem acontecendo, o novo feminismo não liberta a mulher para ter suas opções pessoais, muito ao contrário, dita o que pode ser aceito e o que não, e isso não é liberdade.

Eu sou mulher, tenho o direito de ter as mesmas possibilidades que o homem tem, e enquanto isso não se fizer absolutamente concreto continuarei militando ao lado de outras mulheres para angariar igualdade de direitos em sua plenitude. Todavia, pra isso, não preciso negar minhas características femininas. Temos que nos orgulhar por ser quem somos, nos sentir bem conosco mesmas, não é vergonhoso ser mulher. Não vejo utilidade em bater o pé dizendo que sou idêntica hormonalmente a um homem. Somos diferentes, mas não sou nem inferior nem superior, apenas diferente.

A diversidade existe, não tem como negá-la, isso não torna ninguém melhor ou pior que ninguém. Igualdade não significa ser todo mundo idêntico seguindo um padrão, implica em sermos respeitado em nossas diferenças. Homens e mulheres nunca serão iguais, geneticamente falando, entretanto ambos são dignos da igualdade de direitos. Tentar transformar uma mulher em um homenzinho não é a melhor forma de pedir igualdade.

Mulher também sofre preconceito por outras mulheres. O fato de uma mulher se cuidar, se arrumar, fazer coisas que ela julgue como certo, escolher por ago que seja delicado, se desenquadrar dos padrões enaltecidos pelo feminismo, já é vítima de preconceito. Que liberdade é essa?

Por exemplo, eu, particularmente usufruo de todos os direitos que as primeiras feministas fizeram possível que enquanto mulher desfrutasse: jamais aceito imposição de vontades alheias, faço uso da liberdade de expressão, sou ativa politicamente, atuo em uma área intelectual, nada me impede de fazer o que eu quero, não tolero violência nenhuma contra mulher, uso roupas as quais eu tenha vontade de usar, trabalho com o que eu gosto, nunca aprendi cozinhar porque não gosto, enfim, nestes aspectos ajo como feminista; por outro lado gosto de ser feminina, fazer atividades delicadas mais comuns entre mulheres, me arrumar, acho interessante curso de etiqueta etc. e não me sinto uma mulher objetificada por gostar de ser mulher, muito menos machista. Não sei existe uma nomenclatura pra quem tem essa visão de mundo, talvez subjetivista.

A mulher deve ter todos os direitos que os homens possuem, o que não significa que precisam se descaracterizar para tanto. Devemos existir como realmente somos, nos posicionar a partir de vontade própria, pelo que acreditamos particularmente ser o melhor para nós (desde que não seja em detrimento ao direito do outro), nos desencaixar de estereótipos, romper com a alienação seja lá por qual movimento ela vier, só assim é possível uma liberdade plena.


2 comentários:

  1. O movimento feminista não é um movimento homogêneo. Ser feminista não significa negar as peculiaridades de ser mulher, muito menos querer ser como os homens. O feminismo é a luta por igualdade de direitos, de ser como realmente somos, poder escolher entre ser recatada ou imoral sem ser julgada pelo simples fato de sermos mulher. O feminismo luta para que as mulheres possam ser vaidosas, mas sem ser rotuladas como fúteis ou ser massacradas pelos padrões de beleza. O feminismo não nega o "ser mulher", apenas busca que apesar de todas as diferenças, sejamos valorizadas. Pesquise mais sobre o assunto, sobre as vertentes teóricas do movimento antes de formar opinião. ;)

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    1. Pois o que o feminismo atual mostra nas redes sociais e nas manifestações é somente um discurso de ódio contra o homem e contra o que até hoje foi ser mulher. Texto ótimo, parabéns!

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