quarta-feira, 24 de julho de 2013

FOFOCA: A PERVERSIDADE NA FALA

É incompreensível o motivo, mas mesmo assim é um fato, da questão de sempre ser mais habitual encontrar pessoas comentando desgraças alheias do que as vividas por ela própria. Para alguns, infelizmente muitos, o revés dos outros é motivo de alegria, sarro, chacota, digna de piadas impiedosas. Às vezes o assunto em repercussão nem seja tão espetaculoso e sim um conteúdo qualquer, trivial, mas que dê margem à bisbilhotices.

Fofocar é descrito como o ato de espalhar informações verídicas e inverídicas a respeito da vida alheia. O fofoqueiro não está preocupado se o que está afirmando é verdade ou não, muitas vezes aumenta os fatos, intencionalmente ou movido pela imaginação fértil, e assim as notícias são divulgadas como naquela brincadeira intitulada “Telefone sem fio” em que a mensagem final em nada tem a ver com a original.

Em todo lugar que se encontra um grupo de pessoas reunidas o episodio de ouvir tiradas espirituosas acerca de pessoas que não estão presentes no momento é comum. Quando a referida pessoa chega o assunto muda como se nada fosse, o foco das fofocas se torna outro ausente.

É um tanto complexo compreender tal facticidade, já que é um movimento que se dirige até mesmo a supostos amigos e familiares, não apenas a inimigos ou de gênero. Quem repassa assuntos desagradáveis acerca de seus adversários até demonstra um nexo causal em sua atitude, já que buscar o mal de inimigos é algo instintual, se espera de qualquer animal em momento de ira. Agora, denegrir pessoas próximas, com quem mantém algum vínculo de cordialidade (superficial, porém existente), abre margens pra outras conclusões.

Li uma frase que dizia que “Fofoca é coisa de pessoas que  têm a vida mal resolvida e veem em outros seus próprios problemas”, achei digna de ser citada. Na Psicologia chamamos de projeção o ato de atribuir aos outros insígnias que pertencem a nós mesmos, ainda que seja de maneira inconsciente, como o próprio nome diz é fazer uma projeção de algo interno a um objeto exterior a nós. Se algo te incomoda tanto em relação ao outro, é porque este aspecto diz respeito a alguma particularidade sua.
Outra possibilidade para compreensão de o porquê de uma pessoa sentir tamanho prazer em ver a mazela alheia seria o desenfreado sentimento de inferioridade em relação a esta pessoa, o maior motivo de alguém se alegrar com a infelicidade de outro é o fato de desejar possuir coisas que lhe pertencem. “Pode ser que os defeitos do outro nos incomodem, mas pode ser também que sejam as qualidades da outra pessoa que nos causam ciúme, inveja, raiva” relata o Terapeuta Holístico André Lima em uma colocação mais que certeira.

Falar de um âmbito em decadência da vida de uma pessoa talvez dê a falsa sensação de superioridade em relação a ela ou pelo menos amenize a sensação de inferioridade, mas não o é efetivamente. Não propicia nada de vantajoso a quem o pratica, muito pelo contrário, o ato de falar mal das pessoas denigre mais o autor das ofensas do que o próprio sujeito vítima da fofoca.


0 comentários:

Postar um comentário