quarta-feira, 3 de julho de 2013

ATENDIMENTO INFANTIL: CRIANÇA, PAIS, ESCOLAS E MUITO MAIS

Por Márcia Chicareli Costa

Esconder-se é um prazer, mas, não ser encontrado é uma catástrofe. 
Winnicott


O atendimento infantil tem algumas peculiaridades necessárias. Entrevista inicial, com os Pais, sem a
presença da criança. Neste momento o Psicólogo acolhe a queixa ou suposta queixa trazida pelos Pai, Mãe ou Responsável da criança. Quando os Pais ou Responsáveis falam sobre a criança eles falam a partir do olhar que eles conseguem perceber em relação ao filho mas que muitas vezes vem carregados de emoções e conflitos deles mesmos, por isso peço atenção. Costumo dizer que filhos não vêem com manual. Aprende-se na relação. 


NO COTIDIANO

Mas se os Pais buscaram atendimento entende-se que existe uma queixa pré existente que muitas vezes partem da escola, isso não é uma regra, mas na maioria das vezes é a escola que, digamos, encaminha a criança ao Psicólogo. Nem sempre uma única entrevista será possível para colher dados suficientes para a compreensão das dificuldades da criança, por isso profissional, não tenha pressa em conhecer a criança. 

Após a conversa e a tentativa de entendimento da queixa se faz necessário aplicar a anamnese (quetionário) adaptada para atendimento psicológico que cada Psicólogo pode formatar dentro daquilo que compreende necessário ter como dado da criança desde o desejo da gravidez, ou do aconteciento sem desejo, até a data do atendimento.

Com a entrevista e a anamnese o Psicólogo deve então deixar o que os Pais disseram em um campo de raciocínio clínico e encontrar a criança e conhecê-la por ela e pelo comportamento que ele apresenta no primeiro encontro, sem misturar o que foi dito pelos Pais, assim será possível conhecer a criança em sua origem e sem a contaminação das emoções trazidas pelos Pais.

Lembrem-se que brincar é algo sério. No primeiro encontro com a criança apresenta-se a Caixa Lúdica e neste momento o manejo clínico do Psicólogo é fundamental. É brincando que a criança consegue demonstrar comportamentos e angústias, medos e agressividades, simpatia ou antipatia, são os jogos e regras que dará ao Psicólogo noção inicial de como a criança enfrenta os limites, se é competitiva, pró ativa, reativa e muitos outros conteúdos insconscientes que não teria como listar.

A primeira sessão com a criança deverá ser agradável e para tanto o Psicólogo deve entrar em contato com a criança de modo sereno e demosntrar tranquilidade, o que muitas vezes parece difícil, mas é absolutamente possível se a ansiedade do profissional estiver diminuída, a criança certamente estará mais ansiosa que o normal, pois será um momento novo para ela e isso já traz ansiedade, por isso tato ao apresentar a proposta a criança, sempre perguntar a ela se ela sabe o que está fazendo alí, se ela sabe o que faz o Psicólogo e também perguntar se o Pai e a Mãe explicaram porque está alí.

Winnicott coloca em questão uma interpretação fora do tempo, o setting — visto como um instrumento fundamental do processo analítico — sustenta o brincar que pode levar o paciente à experiência de surpreender-se durante a sessão  para tanto o Psicólogo poderá ser o facilitador.

Acalmem-se, para tudo que foi proposto acima temos materiais didáticos importantíssimos para ajudar o Psicólogo fazer um bom trabalho.

Orienta-se que a cada quatro encontros com a criança, deve-se marcar sessão com os pais para contar a evolução dos atendimentos e ouvir como a criança está se comportando em casa.

Como disse inicialmente, o atendimento infantil tem muitas peculiaridades. Algumas vezes o profissional psicólogo deverá fazer visita escolar para compreender como a criança se comporta na escola e caso a queixa tenha partido da escola, perguntar e explorar junto com os profissionais da educação qual a melhor estratégia para ajudar a criança.

Existe também a possibilidade da visita domiciliar, caso o profissional psicólogo não consiga compreender algumas ações da criança em setting terapeutico, este encontro deverá ser agendado com os Pais ou Responsáveis para coleta de mais dados sobre a criança.

No decorrer das sessões psicoterápicas, o profissional psicólogo fará intervenções necessárias a partir de jogos e brincadeiras, fará leituras do comportamento da criança, tentará compreender cada expressão dita e não dita e trabalhará estes conteúdos sutilmente, sem que a criança se sinta cobrada (o que normalmente já acontece no lar e na escola), estabelecer um vínculo de confiança, demonstrar interesse pelas dificuldades da criança e ter sempre em mente que a criança é resultado do histórico familiar, escolar, social entre outros.

Penso que profissionais psicólogos acabam por não valorizar o que se tem de uso exclusivo da profissão. Os testes psicológicos. Que muitas vezes são necessários para um diagnóstico embasado e norteado não só na observação clínica e lúdica, mas também na medida que a avaliação psicológica pode ofertar a partir dos testes psicológicos.

4 comentários:

  1. Boa tarde por favor você poderia me informar quais são os brinquedos
    que devo colocar na caixa lúdica?

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    1. Você pode colocar uma variedade de objetos, principalmente objetos de caráter pedagógico, tais como: cola, papel, lápis de colori, tesoura sem ponta, massinha, etc. A grande questão é fazer com que a criança se depare com infinitas possibilidades e perceber frente, suas reações, comportamentos diante de tais possibilidades.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Quais testes usar quando a criança apresentar bloqueio cognitivo?

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