segunda-feira, 10 de junho de 2013

A "CURA GAY"

UM ALERTA SOBRE A AMEAÇA FUNDAMENTALISTA EM NOSSA DEMOCRACIA
Por Breno Figueiredo



Na última terça-feira, em Brasíla, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara tentou votar o projeto de lei conhecido como “cura gay”. O projeto de lei foi criado pelo deputado João Campos (PSDB-GO) e revoga artigos de resolução do Conselho Federal de Psicologia que proíbe profissionais da área de propor o tratamento da homossexualidade.

A votação foi barrada por um pedido de vista realizado pelo deputado Simplício Araújo (PPS-MA), mas em duas semanas Marcos Feliciano e seus pares podem tentar votar novamente a “Cura Gay”.


LIMITE DA CRENÇA

Cada pessoa é livre para escolher sua religião, mas a vida em sociedade é mediada segundo nossa Constituição Federal e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU. Sem leis, cada um está oficialmente vulnerável à vontade do outro e a barbárie chegaria rapidamente, com a humanidade entrando sem demora no cenário do livro Ensaio Sobre a Cegueira, de Saramago. Com certeza há muito o que melhorar, muitas leis ainda não são cumpridas, mas enfraquecer a barbárie que nos ameaça é compromisso ético de cada cidadão, que adquire responsabilidades e deveres pelo simples fato de existir.


O ABSURDO GANHANDO FORÇAS

Um projeto de Lei como a “Cura Gay” é um imenso atraso na democracia brasileira, mais uma ameaça ao Estado Laico e uma afronta à Organização Mundial da Saúde, que desde 1993 reconhece que o homossexualismo não é doença. Com tal declaração da OMS, a “Cura Gay” não deveria sequer ser votada. Acatar decisões da ONU, OMS, seguir nossa Constituição e ao final criar dribles jurídicos é um comportamento infantil. Ficamos com a sensação de que nossos representantes políticos estão no recreio do ensino fundamental, dizendo “Obedeço às leis. Só que não.” Pautando nossas leis de acordo com crenças de panelinhas, enfraquecemos o diálogo e ficamos mais vulneráveis à revelações divinas e proféticas que têm como única diferença de um delírio o fato de serem coletivamente aceitas.


REALISMO TRÁGICO

Boa parte da política brasileira parece um rascunho de devaneios que Gabriel García Márquez preferiu não publicar por falta de qualidade. Infelizmente, realismo fantástico de carne e osso transforma-se em tragédia.

Um comentário:

  1. Homosexualidade nao e doenca e nao pode ser tratado como tal. Algumas pessoas ignorantes e preconceituosas estao ocupando cargos de responsabilidade sem ter o minimo preparo p/ tal. E muito triste ver a ignorancia e a impunidade ter controle de assuntos tao importantes.

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