quarta-feira, 22 de maio de 2013

TERAPEUTA TRANSOU COM 900 CLIENTES PARA TRATAMENTO




Por Danielle Barg


Há mulheres que passam a vida toda procurando descobrir o próprio prazer – onde fica o ponto G? Como é um orgasmo? Com a terapeuta sexual Cheryl Cohen Greene, foi diferente: ela dedicou 40 anos da sua vida ajudando as outras pessoas na busca pela satisfação sexual.

 Só que ao invés de dicas apimentadas comuns às revistas femininas, ela usou o próprio corpo. Adepta da terapia do sexo, ela já foi para a cama com cerca de 900 pacientes, tentando curar traumas e disfunções de homens e mulheres.

Cheryl segue uma técnica desenvolvida por William Masters e Virginia Johnson na década de 50. Em inglês, a profissão é denominada “surrogate partner”, que pode ser traduzida como “parceira substituta”. Em seu consultório, recebe pessoas com os mais variados tipos de bloqueios entre quatro paredes – de problemas comuns como ejaculação precoce aos difíceis de se acreditar, como o de um senhor de 70 anos que a procurou porque ainda era virgem.

Ao Portal Terra, ela contou que as pessoas se assustam quando ela fala o número de pessoas que já passaram pelo seu consultório. “Fui chamada de muitos nomes. Mas vejo homens e mulheres com problemas e quero ajudá-los a se sentirem melhor sobre a sua sexualidade”, afirma, orgulhosa da própria missão.

Cheryl descobriu a técnica em 1973. Na época, o trabalho dela era “ser mãe”, já que se casou pela primeira vez aos 19 anos e teve o primeiro filho aos 20. A naturalidade com as questões do corpo começaram dentro de casa. “Meus filhos eram pequenos quando eu comecei. Quando perguntavam o que eu fazia, eu dizia ‘eu vou ajudar as pessoas a se sentirem melhor sobre a sua sexualidade’. Sempre que faziam perguntas, à medida que iam crescendo, eu respondia com honestidade”, contou.


AS SESSÕES

Com a vasta experiência, ela escreveu o livro As Sessões, publicado no Brasil pela editora BestSeller. A história foi adaptada para o cinema, com foco na história do seu cliente Mark O’Brien (vivido por John Hawkes), vítima de poliomielite. Segundo ela, este foi o primeiro deficiente físico que se tratou com ela e o mais difícil caso que já enfrentou. “Tive que aprender como tocar o corpo dele”.

Ela contou que Mark pesava pouco mais de 30 kg e, no filme, nem conseguiram retratá-lo tão magro. As dificuldades incluíam desde o medo do próprio cliente até questões práticas, como o cuidado em não depositar muito peso em cima dele. “Foi difícil, mas aprendi a lidar e foi muito profundo”. Helen Hunt deu vida à Cheryl no filme e concorreu ao Oscar de melhor atriz coadjuvante.


NA CAMA

Assim como uma sessão de terapia “normal”, o tratamento envolve muita comunicação e é acompanhado por uma psicóloga, que troca informações com Cheryl sobre os bloqueios e a evolução de cada cliente.

“Cliente”, inclusive, é o nome que Cheryl faz questão de dar às pessoas que se consultam com ela. “Não uso o termo ‘paciente’ porque eles não estão doentes. São pessoas normais, como eu”, explica.

A primeira sessão geralmente é baseada em uma conversa, na qual a pessoa conta suas expectativas. Falam sobre a sensação do toque de cada área do corpo, sexo seguro, como usar camisinhas, masturbação. Tudo depende também das necessidades de cada um – problemas como ansiedade e falta de noção sobre o próprio corpo são comuns. “As sessões são a cada duas semanas e duram duas horas. A intimidade cresce gradualmente”.

Ao longo do tratamento, a terapeuta procura estimular o cliente a entender com mais profundidade a própria sexualidade. Um dos objetivos, segundo Cheryl , é fazer com que as pessoas falem sobre sexo com mais naturalidade. “Quero que elas tenham relacionamentos mais ricos. E isso não significa se apaixonar e se casar. Mas significa que quando você tem intimidade física você tem experiências muito mais bonitas. Eu incentivo as pessoas a fazerem sexo com quem elas gostem, com quem realmente as deixam excitadas.”

Ela observa que, entre as mulheres, a falta de diálogo sobre as questões sexuais tem uma explicação ainda mais profunda. “Elas têm medo de serem julgadas”, pontua. Outra questão bastante forte entre o público feminino é a falta de conhecimento sobre a própria anatomia.

Para isso, Cheryl lança mão também da teoria. “Mostro livros com fotos coloridas e elas podem sentir as diferentes variações de vulvas femininas”. Ela também recebe muitas dúvidas sobre masturbação, e dá algumas opções de movimento e sugestões, como vibradores para algumas, ou o uso de um travesseiro para outras.

A vergonha do corpo também entra como parte do bloqueio feminino e, nestes casos, a terapeuta usa a própria experiência para mostrar a importância do desprendimento. “Eu tenho 68 anos. Não sou mais jovem. Não tenho o seio direito. Ele foi reconstruído, mas não parece o meu outro seio. Eu tive câncer de mama em 2006. Mas eu não tenho vergonha e não me escondo. As mulheres têm que confiar nelas mesmas”, explica, completando que a excitação tem mais a ver com a atitude feminina do que com belas formas.


PROSTITUTA NÃO!

Ao longo destes 40 anos, não foram poucas as vezes que ela teve que explicar as diferenças entre o seu trabalho e o de uma prostituta. “Não tenho nada contra as prostitutas. Mas uma parceira substituta é bem diferente de uma profissional do sexo. Quando uma pessoa procura uma parceira substituta é para aprender mais sobre a sua sexualidade. A terapeuta e o cliente trabalham juntos, como um time”, explica.

Com o sucesso do filme e do livro, o conhecimento sobre o assunto se ampliou, o que ela comemora. “Estou dando muitas entrevistas. Mais pessoas sabem sobre as parceiras substitutas e isso é bom. Fico feliz, porque isso traz mais discussão a respeito”, contou, acrescentando que agora também recebe dúvidas e comentários de várias partes do mundo.


TRABALHO COM PRAZER

Sentir desejo e chegar ao orgasmo faz parte do trabalho de Cheryl, uma vez que a ideia central é fazer com que o cliente se aprimore na arte de dar e receber prazer. Ela explica que, como o tratamento envolve muita comunicação, os clientes sabem a forma como ela gosta de ser tocada e beijada.

No entanto, nem tudo são flores. Ela conta que os pacientes mais difíceis são os homens que não estão prontos para o processo. Em um caso, chegou a dispensar um cliente na terceira sessão.

O tratamento tem prazo para acabar – de seis a dez sessões – e a terapeuta explica que, assim como qualquer relacionamento, o dela com o paciente tem início, meio e fim, impedindo que os laços ultrapassem o limite do consultório.

Para toda regra, no entanto, há uma exceção. Quando perguntada sobre a história mais emocionante que já viveu, ela não tem dúvida: “bom, eu me casei com meu cliente Bob”.

Bob Greene, seu segundo marido, foi o único caso em que a vida profissional se misturou com a pessoal – eles estão juntos há 32 anos. Bob não se importa com a profissão de Cheryl, pelo contrário, se sente orgulhoso. “Ele sabe o que eu faço e o que eu fiz por ele. Ele confia e sabe que não vou me afastar dele”, conta, acrescentando que o marido nunca pediu que ela desistisse da sua meta.

Cheryl ainda está na ativa, porém, os remédios contra o câncer de mama trouxeram alguns efeitos colaterais e limitações físicas. “Farei isso enquanto o meu corpo resistir”, enfatiza. Para o futuro, ela também pretende aumentar o alcance deste tipo de terapia, por meio de palestras, “para que as pessoas pensem sobre a sexualidade de uma forma mais positiva”.

Para ela, a terapia sexual é um “processo maravilhoso”. “Muitas pessoas falam para mim, ao final do tratamento ‘eu gostaria de ter tido essas informações quando eu era mais jovem’”. A maior recompensa vai além da comprovação da evolução de um cliente, ela explica. “Proporcionar uma grande mudança na vida de alguém”, finaliza.








5 comentários:

  1. Meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeu Deeeeeeeus !!! cada coisa nesse mundo .:O

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  2. E NO FIM DOS TEMPOS
    HOMENS TRANSAM COM HOMENS
    MULHERES COM MULHERES
    'OS HOMENS DEIXARAM O COSTUME NATURAL"
    BEM JUÍZOS PARA 'ELES"LARGO DO FOGO DO INFERNO POR QUE ELES ESTÃO FAZENDO A PENAS A OBRA DO SEU pai O DIABO.
    BEM NO FIM DOS TEMPOS O CERTO PASSARÁ A SER ERRADO
    E O ERRADO A SER CERTO
    JÁ ESTÃO COMO VERDADE NO MUNDO DOS SATANISTAS, GAYS, LÉSBICA, PROSTITUIÇÃO, ADULTÉRIO, DIVÓRCIO, ROUBO, MATAR ,ROUBAR, DROGAS, MENTIR, EM FIM OS DA MENTE DE SATÃ COLOCAM COMO CERTO
    AGORA ME DIGAM O QUE É ERRADO PARA ELES POR FAVOR?
    QUANTO A TERAPEUTA É UMA PROSTITUTA QUE NÃO QUER ASSUMIR QUE É
    MAS TUDO ISSO É FRUTO DO "HOMEM" SEM DEUS
    E UMA JOGADA DE MARKETING PARA VENDER LIVROS.
    ARREPENDAM- RAÇA DE VÍBORAS.
    WWW.CANTORCRISTIANOCALISTO.COM

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  3. Sou psicólogo e tenho dois pontos interessantes a colocar: primeiro, existe a psicologia e os psicólogos e segundo, nunca se traz o particular(privado) ao público. A sexualidade de cada um é muito particular, é impossível universaliza-la. Temos que ter muito cuidado na escolha dos profissionais

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  4. Quando debruçamos em cima do entendimento acerca da Sexualidade, como fator preponderante na evolução da totalidade das funções psíquicas, de sorte a catapultar o indivíduo ao seu grau ideal e apropriado de auto realização total, que é o que lhe facilita a plena felicidade, não temos como deixar de atermos-nos à questão da sexualidade!

    No campo da Psicologia poderíamos, considerar os trabalhos de Freud e Reich, os quais nos deixaram vastíssimos legados acerca do assunto! Temos Master e Johnson, temos o relatório Hite e diversos outros militantes e adeptos da descompressão Sexual como forma de galgar-se a sanidade das funções do aparelho Psíquico! Lowen, John Pierrrakus e outros tantos

    Aqui no Brasil temos o trabalho de José Angelo Gaiarsa, como pioneiro e ativista, nos meios acadêmicos e científicos, dispondo sua orientação vanguardista, seu posicionamento pessoal e reconhecido empenho no sentido de quebrar resistências , donde o puritanismo e conservadorismo e a banalização a molde de "Big brotheres" persistirem em continuarem existindo!

    A SEXUALIDADE LIVRE,evoluída amadurecida dotada de carisma saudável e pleno como algo sagrado, continua sendo ainda um grande tabu, nos corações e mentes, mesmo nos meios privilegiados! As pessoas tem muito medo do da força da sexualidade!Pouco sabem acerca de seus mistérios e intrincicidades enquanto força Psíquica contundente e profunda, muitos ainda a aliciam a coisas demoníacas como expressão arquetípica inevitável! vivemos um mundo de "orgasmicos" em função do medo e de não ficarmos a vontade para sermos sensuais e cheios de tesão como expressão máxima de nossa saúde holística!

    Hoje felizmente, no sentido de reforças Teorias dentro da academia científica do ocidente, estamos melhor tutelados e temos a mão tratados e estudos sobre o tema de forma extremamente relevantes, advindos da sabedoria Hindu principalmente, dentre outros da vertente oriental, como o rico legado da Milenar orientação taoista, que deu formatação à Medicina chinesa!

    Fica então a meu entender, ficar mais sereno e clarificada a possibilidade enquanto condição, de daqui para frente chegarmos a um entendimento melhor sistematizado, nos dando arrazoamentos de como procedermos na "práxis" clínica, de maneira decente, pura e bem auto-orientada, acerca de nossa ação interveniente, no que tange ao manuseio de "Técnicas bioenergéticas", como forma de facilitar e atribuir avanços, de maneira segura e profícua na arte de fazer acontecer em um único galope construtivista, Corpo-mente-espírito, alinhavando TESÃO, com DIVINDADE, no entendimento de que são estas funções interdependentes e perfeitamente conjugáveis, donde vai se tornar compreensível, de que para ser espiritual tem de ser sensual e de que para viver eternamente tem de se fazer estar sempre contente! Bem sabemos, que sem Tesão e sem paixão não iremos a lugar algum! Uma linda tarde carregada de prazeres, e um bom orgasmo para todos! Luzes!

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  5. Parabéns a Cheryl. Sou terapeuta de abordagem tântrica e posso avaliar muito bem a atitude desprendida, corajosa, autêntica e humana dessa bela mulher. O mundo precisa de muitas pessoas assim em todas as áreas de atividade humana. Infelizmente as pessoas ainda são muito reprimidas por dogmas religiosos, morais, culturais, sociais... em relação à sexualidade, fonte da vida e do prazer de viver. Salve, Cheryl, salve a bela raça humana. Namastê!

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