quinta-feira, 25 de abril de 2013

DIAS DE PAZ

Por Samanta Obadia



"É estranho como que, mesmo sem querer, tomamos o outro como parâmetro, para nossas desgraças e conquistas. Parece que somente diante das histórias alheias realmente somos"

A paz com certeza está dentro de nós. Num simples domingo, o sol dourando meu rosto durante a caminhada matinal, a leitura sem pressa na banca de revistas, o sorriso ao desconhecido que passa.

Voltar para casa com um frango de padaria para o almoço, a tranquilidade de ser simplesmente o que se é, sem excessos e com poucas carências, até porque ser humano sem carências não há.

Outro dia, durante uma conversa informal com uma amiga percebi que sou feliz e não sabia o quanto. Ela relatava-me sua angústia diante das provas de sua primeira graduação e o quanto ela chorava para fazê-las, ainda que fosse dependente de ritalina (medicamento utilizado por pessoas que sofrem de TDAH- transtorno de déficit de atenção). Instantaneamente, fui tomada por tamanha alegria e gratidão por ter sede de conhecimento, e não ter esses medos.

É estranho como que, mesmo sem querer, tomamos o outro como parâmetro, para nossas desgraças e conquistas. Parece que somente diante das histórias alheias realmente somos. Talvez seja por isso que tantos se fixam nas televisões, para viver vidas outras, para saber-se em algum lugar.

O velho Sócrates, diante do templo de Delfos, contemplava o seu bom lema: “Conhece-te a ti mesmo”. Será que ele previa que esse autoconhecimento estaria conectado a tantas vidas? Sigamos olhando o outro para então entender quem somos ‘diante do outro’ e não ‘para o outro’.


Fonte: Ser Integral

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