sábado, 13 de abril de 2013

ALIENAR-SE OU ESTAR CONSCIENTE DE SI?

Por Shayene Mariano


As transformações acontecem no mundo, assim como dentro de cada indivíduo. Mas quando não há uma
mudança externa e internamente, podemos estar diante de um conceito conhecido como alienação.

A alienação se caracteriza, ontologicamente, pela atribuição de “naturalidade” aos fatos sociais; esta inversão do humano, do social, do histórico, como manifestação da natureza, faz com que todo conhecimento seja avaliado em termos de verdadeiro ou falso e de universal; neste processo a “consciência” é reificada, negando-se como processo, ou seja, mantendo a alienação com relação ao que ele é como pessoa e, consequentemente, ao que ele é socialmente (LANE.p. 42).

Não raramente encontramos pessoas as quais se alienam do mundo e de si mesmas, podendo ser este o modo o qual encontraram de estar no mundo. Reprimem sentimentos, indignações, opiniões e ações; esses conteúdos, supostamente, proporcionariam a elas sair da posição passiva de simplesmente pertencer a determinado grupo social, e consequentemente mobilizariam atitudes ativas para a ação.
A transformação começa a partir do momento em que o indivíduo encontra-se primeiramente, consciente de si. Porém algumas pessoas não querem deixar de ocupar a posição inerte em que se encontram, simplesmente obedecem e reproduzem, deixando sua capacidade de criticidade e análise de lado, para não mais enxergar a sua verdade, mas sim aquela imposta através de ideologias. 

Refletir sobre estas contradições e suas consequências fará com que a ação decorrente seja um avanço no processo de conscientização. Se esta reflexão não ocorre, o pensar a ação se caracterizará pelo grupo, reproduzindo a ideologia e mantendo o indivíduo alienado. (LANE. p. 43).

Sabiamente Cazuza transformou em canção sua indignação perante a sociedade, suas leis e determinações. “Pois aquele garoto que ia mudar o mundo, agora assiste a tudo em cima do muro” (Fragmento de “Ideologia”- Cazuza). Querer ou não, se deixar ou não alienar-se de si mesmo e do mundo como um todo, é direito e dever de cada ser humano

Deixei-me alienar ao aceitar tudo o que me fora imposto por meus próprios mecanismos de defesa, assim como as determinações sociais. Ao despertar de um mundo paralelo comecei a não mais aceitar tamanha hipocrisia; consciente de mim me permiti não somente reproduzir, mas sim produzir. Alienar-se ou estar consciente de si?


Referência

LANE, Silvia. Consciência/alienação: a ideologia no nível individual. In: LANE, S. e CODO, W. (org.). Psicologia Social: o homem em movimento. São Paulo: Cortez, 1997.



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