sexta-feira, 8 de março de 2013

MINHA QUERIDA IRMÃ ADOLESCENTE


Por Shayene Mariano


Me vi obrigada a enxergar com olhos adolescentes, para assim compreendê-la...

Compreendendo um dos estágios da vida, a adolescência caracteriza-se pela transição da infância para a vida adulta, constituindo mudanças que abrange um todo, porém uma particularidade em cada uma delas. A maneira pela qual o indivíduo vivenciará a presente mutação caracterizará a fase adolescência como traumática ou não.

Ai, meu Deus! como está tudo esquisito hoje! E ontem estava tudo tão normal. Será que mudei durante a noite? Deixe ver: eu era a mesma quando levantei hoje de manhã? Estou quase jurando que me sentia um pouquinho diferente, Mas, se não sou a mesma, então que é que sou? Ah, aí é que está o problema! (Aventuras de Alice no País das Maravilhas, 1865).


As mudanças corporais são visíveis, como por exemplo, o desenvolvimento do corpo de menina para um corpo de mulher. A partir dessas alterações surgem as dúvidas e a transformação da mente do adolescente. Agora, portanto, não é mais criança, mas também não é adulto, o que permite ao jovem colocar-se em uma posição a qual ele próprio desconhece. “(...) Ao lado da intensa atividade e da luta que realiza para participar do mundo adulto, tem fortes desejos de permanecer criança, pois ainda sente-se insegura de sua capacidade para cuidar de si mesma.” Buscando, portanto, a aceitação e compreensão para assim conquistar certo equilíbrio e reconhecimento da posição a qual ocupa nessa fase.

Os conflitos internos são projetados, inconscientemente, para o mundo externo do adolescente. O desajuste cotidiano gera angústia ao indivíduo, fazendo-o sentir-se incapaz de se reorganizar tanto externo como internamente. Esses desajustes são visualizados explicitamente, como por exemplo, a desorganização do seu próprio quarto. Essa desordem externa representa internamente o desequilíbrio interno quanto à alteração do corpo, construção da identidade e a angústia gerada por essa mutação.


A organização da pasta ou da mochila escolar, ou de seu quarto de dormir e de suas gavetas, também nos permite avaliar o estado de organização da mente do adolescente: a desarrumação de seus objetos poderá refletir como ele vive internamente a mudança do esquema corporal, as transformações e os constantes rearranjos necessários nesse processo que envolve corpo e mente. (José Outeiral).


É na adolescência que o indivíduo encontra-se mais vulnerável a conflitos familiar, pois suas dificuldades internas sendo trazidas ao externo dificultam a capacidade de compreensão dos pais, consequentemente levando ao maior isolamento do adolescente. O desejo de sentir-se independente apresenta uma vulnerabilidade em relação à necessidade da dependência dos pais e/ ou outros adultos. Tornando complexo e intenso esses fatores.

A adolescência é o tempo que o indivíduo tem para experimentar os extremos; estruturar sua personalidade e identidade; errar e aprender com seus erros. Consequentemente quando deixar essa fase transitória e atingir a maturidade, o indivíduo será capaz de ser um adulto estruturado, equilibrado e utilizar-se dos valores adquiridos na infância.



Bibliografia

D’ Andrea, F. Desenvolvimento da Personalidade. Bertrand, 1989. P. 85- 86.
Outeiral, O. J. Adolescer: Estudos sobre a Adolescência. Artes Médicas, 1994. P. 10.



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