quinta-feira, 7 de março de 2013

COMUNICAÇÃO: TORNAR COMUM A TODOS

Por Márcia Chicareli


Desde o início de minha formação acadêmica tenho me ocupado em compreender o nível de envolvimento dos estudantes em relação à própria formação. Percebo em minhas observações o desejo dos alunos de Graduação e Pós-Graduação em receberem pacotes econômicos e fechados de conhecimento, como se, para aprender e ter recursos extracurriculares fosse possível apenas o conteúdo dado na proposta dos cursos.

Tenho claro e comento isso em um dos meus textos, “A difícil Arte de Começar”, que para se conseguir atingir um grau bom de conhecimento preciso é que estejamos disponíveis internamente para as possíveis novidades que a área Acadêmica nos permite vivenciar.

Tomar contato com o novo, com o criativo, com os improvisos e imprevistos, desde que haja embasamento teórico que nos sustente em nossas divagações e discussões no decorrer do caminho, que para se saber, necessário é percorrê-lo.

Noto uma dificuldade nas pessoas em enfrentar o novo pelo simples fato de ter medo de arriscar-se, ir ao encontro do que ainda não foi visto. Ouve-se dizer e que é interessante, mas que caminhos seguir, sem ter uma orientação adequada? Quem é o profissional que pode dar mais dados para que os “mergulhos” intelectuais tenham um “resgate” e assim possam se aprofundar no conhecimento de “bóias”, mergulharem fundo nos estudos e pensamentos. Deixando de lado o que foi ensinado, entre o “certo e o errado” e ir além, chegar à experimentação da prática.

O que entendo sobre a Comunicação na Aprendizagem é tudo aquilo que existe na troca entre professores, alunos, colegas e o ambiente em si. Saber que para ter um caminho, por vezes, é necessário romper com conceitos que formou na trajetória da aprendizagem e do conhecimento.

Gosto de pensar que para saber mais preciso é ser curioso a curiosidade nos torna detetivesca e investigadores dos temas que nos interessam, precisamos dos vínculos bem estabelecidos para que a troca ocorra de modo natural e saber que enfrentar dificuldades faz parte do complexo contexto de nossa formação que acredito não ter fim, assim como não há fim para nosso desenvolvimento humano.

A linguagem (a fala), o corpo e a motricidade, o ambiente e o meio em que estamos inseridos pode nos proporcionar vários caminhos, eis que surgem os grandes conflitos. Certa angustia e a ansiedade em estar fazendo ou não à escolha certa, pois bem, vamos pensar juntos sobre isso. Se a escolha não foi à melhor para o momento tenha manejo suficiente para olhar para si e para o que vem vivenciando e saiba identificar em si a hora de parar e buscar em outro lugar o que você efetivamente vem procurando. Não se deixe chegar ao limite. Reconheça seu limite, assuma a escolha boa ou ruim, assuma sua escolha.

Intoxicados de informações das mais variadas, olhar para o todo e extrair o que mais nos interessa e essa parte sim penso que seja muito difícil uma vez que na Comunicação de um modo geral tudo gera aprendizagem e vice-versa.

Ampliar o olhar para cada fenômeno que ocorra dentro de nós mesmos e sentir-se acomodado nas escolhas. Sinal de maturidade emocional? Não sei! Talvez um momento para uma escolha, para poder seguir tal caminho e então, após ter percorrido e compreendido que o final da linha não é ali e que ainda se tem muito a caminhar.

Na psicologia, na pedagogia, nas áreas voltadas ao social, são inúmeras as complexidades que se enfrenta nas escolhas, por vezes, falta de material para consultas ou ainda pouco embasamento teórico/prático.

Não faltam ferramentas, mas a questão é: estamos fazendo bom uso delas? Sabemos como e quando usá-las? Temos a quem recorrer quando a dúvida nos assombra e fica maior que nossas certezas?

Em minhas vivências como Docente e Supervisora Clínica, pude tomar contato com variáveis muito diferentes de um único tema. Prazeroso na aprendizagem é encontrar pessoas envolvidas e com disponibilidade interna suficiente para aceitar que algumas coisas são por terem sido cientificamente comprovadas e outras são por terem dados empíricos que sustente as afirmações, enfim, com isso, desejo compartilhar com pessoas interessantes e interessadas que a jornada e o caminho do saber passam primeiro por nós mesmos e nossas frustrações de uma aprendizagem limitada e cheia de avaliações.

Mudar nosso conceito em relação ao aprendizado e a comunicação, sobre a criatividade e a dinâmica que os profissionais precisam ter em relação as suas escolhas e seguir por caminhos ainda não percorridos que assustam, mas, que nos convida a interagir com a certeza de que além dos livros e idéias formadas ainda existe a vontade de ir além e com isso conseguir novos caminhos, novas formas de pensar e acima de tudo, entrar em estado de reflexão sobre o já vivenciado para que cada um possa mudar a sua história.

Precisamos estar em movimento, sem rigidez de pensamento, sempre atuantes e acima de tudo, firmes no propósito de aprender com as culturas, com as vivências e com tantos escritos esclarecedores sobre os mais diversos temas. Quando começo a ler um novo autor minha primeira questão é: quanto tempo esse autor precisou para condensar suas idéias? Qual o trabalho que ele fez para chegar a estas conclusões que não são verdades absolutas e que nos dão um parâmetro para seguir em frente?

Meu convite, neste texto, é singelo. Penso que se todos os envolvidos com a aprendizagem e a comunicação pudessem: arriscar-se mais e abrir a visão já posta, isso traria muitos ganhos em todas as áreas do pensamento. 

Criatividade, curiosidade, arriscar-se, seguir em frente levantando hipóteses, contando com as tantas variáveis, assim se constituí o saber, o conhecimento, a aprendizagem, com muita comunicação e mais que isso criatividade.

Mudanças internas serão necessárias para a aceitação do novo, das novas propostas postas por si mesmo para que os olhares possam ser ampliados a partir de nós mesmos.



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