sábado, 9 de fevereiro de 2013

SAUDADE CRIATIVA


GRANDES AMIGOS NOS ENRIQUECEM COM AMOR ATRAVÉS DE MÚSICA, TEORIAS E HISTÓRIAS.
Por Breno Figueiredo




John Lennon: fazia aniversário dia 9 de outubro. Continua mais vivo que muita gente.



Uma das vantagens em ter amigos com interesses variados é aprender um pouco sobre tudo. Você comenta por alto sobre uma notícia de jornal ou sobre os filmes em cartaz e as pessoas começam uma conversa sem fim, mostrando que cada assunto é realmente um universo, sem limites para quem arrisca se aprofundar.



Nos últimos dias, um amigo me passou a discografia dos Beatles e logo de início redescobri a grande canção “Free as a bird.” Sem prestar atenção na letra, podemos nos deixar levar pela beleza da melodia, pela simplicidade refinada em cada aspecto da canção e pelo universo do quarteto de Liverpool, que brinda os ouvintes com pequenas variações dentro de um universo rico e familiar - como se caminhássemos sem rumo por ruas já conhecidas, observando nos prédios e calçadas belezas antigas que nunca receberam nossa atenção.



Ao rever outro amigo fã de Beatles, comentei sobre a música e fui presenteado com histórias que merecem ser contadas!




DOIS MOMENTOS



A canção que percorre essas palavras foi esboçada por John Lennon em 1979, no Edifício Dakota, gravada com equipamento caseiro. Em 1994, Ringo, George e Paul estavam participando do projeto autobiográfico “Anthology”. Os três Beatles decidiram trabalhar algumas das composições iniciadas por John Lennon, então Yoko Ono enviou para McCartney duas fitas k7, com “Free as a bird”, “Real Love” e duas outras músicas. No estúdio, com artistas, técnicos e produtores reunidos, ouvir a gravação de Lennon trouxe um grave problema: Como reconstruir uma canção dos Beatles sem a presença de John? Ao mesmo tempo, sua voz ecoava nas caixas de som, os primeiros versos estavam prontos, a base da música estava formada. Não havia substituto e a saudade criava dores fantasmagóricas.






ELE JÁ VOLTA


Num doloroso impasse, Ringo Starr encontrou na sinceridade de sua alma uma bela saída. Lembrando que nas gravações de discos dos Beatles os 4 ficavam o tempo todo juntos, ele fez de conta que John Lennon estava no estúdio mas havia saído por 5 minutos, fosse para tomar um café ou para ir ao banheiro. Com a presença do amigo, foi possível encarar a beleza da melodia, seus versos, sua harmonia e acrescentar com pureza e sensibilidade seu próprio ritmo, participando verdadeiramente do processo criativo e podendo gritar com surpresa: “Esse som parece Beatles!”





OUTROS AMIGOS



Aqui já começo a lembrar de textos de Winnicott, pediatra e psicanalista inglês, que fui conhecer através de outras grandes amizades. Acredito que o k7 de John Lennon tenha servido para os três Beatles da mesma forma que os bebês carregam seus paninhos e assim conseguem suportar por mais tempo a ausência da mãe. A falta do amigo foi acolhida pelo trio, a sensação de que ele voltaria em breve abriu seus corações e da mesma forma que os paninhos carregam emoções, Free as a bird é mais um símbolo de amizade, com suas dores, notas e cores. Sintam a música! Um grande abraço aos amigos



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