sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

QUEM É VOCÊ?


Por Shayene Mariano


Durante uma conversa informal me fizeram a seguinte pergunta: quem é você? Infelizmente ou felizmente não pude responder. A pessoa que me questionou sabe meu nome, meu endereço, meu telefone, e talvez até o número do meu documento de identidade. Ela me conhece tão bem e ao mesmo tempo me desconhece, assim como eu no momento da pergunta.

A primeira resposta que você oferecer a um estranho quando questionado sobre sua identidade, é o seu nome. Mas quando um conhecido lhe perguntar sobre quem você é você saberá responder? Algumas perguntas são tão profundas que podem despertar nossos maiores medos, aqueles que ficam reprimidos, soterrados em nosso inconsciente.

Quem nós somos pode ser uma busca da nossa própria identidade, sendo que esta pode estar relacionada ao ambiente o qual estamos inseridos, assim como nossas relações com aqueles que fazem parte do mesmo.

"Uma pessoa é uma coisa muito complicada. Mais complicada que uma pessoa, só duas. Três, então, é um caos, quando não é um drama passional. Mas as pessoas só se definem no seu relacionamento com outras. Ninguém é o que pensa que é, muito menos o que diz que é (...) Ou seja, ninguém é nada sozinho, somos o nosso comportamento com o outro".( Luiz Fernando Veríssimo).

Mesmo que você consiga responder para si mesmo quem você é, perceberá que algumas mudanças estarão presentes ao decorrer de sua vida. “Há mudanças mais ou menos previsíveis, mais ou menos desejáveis, mais ou menos controláveis, mais ou menos... mudanças.”

Podemos imaginar as mais diversas combinações para configurar uma identidade como uma totalidade. Uma totalidade contraditória, múltipla e mutável, no entanto una. Por mais contraditório, por mais mutável que seja, sei que sou eu que sou assim, ou seja, sou uma unidade de contrários, sou uno na multiplicidade e na mudança. (Ciampa,1994).


Quando for questionado sobre quem você é, responda sinceramente para si mesmo, assim como eu me permitir responder, e se me permitem vou lhes contar um pouco mais sobre quem eu sou...

Há quem diz que sou sincera, dramática, chorona e carente. Eu diria que sou um pouco mais, talvez em outras palavras, talvez essas e outras. Já sonhei, chorei, fui além do meu limite, fantasiei, imaginei e vivi mais do que muitos acreditam. Posso dizer que sou uma mistura de sentimento e sensação, talvez um pouco mais. Confusão e inconstância são palavras que combinam comigo. Sou mais consciente do que gostaria de ser, mas confesso que muitas vezes encontrei-me em meu próprio mundo. Já tive vontade de fugir de mim e dos outros, não consegui. Não acredito nem desacredito nas pessoas, mas acho todo mundo um pouco egoísta, inclusive eu. Tive o privilégio de encontrar pessoas maravilhosas e encantadoras em minha caminhada pela vida, algumas se foram outras permanecem. Acredito no poder do abraço e no amor. Para concluir: pareço “normal”, mas faço psicologia.

Eu lhes convido a fazer o mesmo. Quem é você?



Ciampa, A. C. Identidade. In: LANE, S.T.M. Psicologia social: o homem em movimento. São Paulo: Brasiliense, 1994. P. 61.



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