sábado, 16 de fevereiro de 2013

O QUE VOCÊ JAMAIS APRENDERIA NA UNIVERSIDADE


Por Márcia Chicareli Costa



Queridas pessoas interessadas em refletir sobre temas diversos da Psicologia, sejam bem vindas, me sinto a vontade em escrever para todos. Meu compromisso com a minha formação me dá a sensação de responsabilidade por cada palavra escrita ou dita em palestras e encontros informais, grupos de estudos e principalmente em sala de aula com meus nobres alunos, que além de ensiná-los aprendo com eles, numa belíssima troca de experiências e expectativas, sim eu entendo o aprendizado como sendo uma troca e nunca uma competição. Posso ser muito boa no que faço, estudo para isso, me preparei para isso, mas e quem está ali, pronto a me ensinar, este é bom naquilo que ele aprendeu, e com isso, somados meu saber com o saber o outro sairão sábias trocas.

Responsabilidade é pouco para nós que lidamos, tratamos e acompanhamos gente em suas angústias, dores e dissabores da vida. Mas com a teoria e a prática vinculadas e a automatização do raciocínio clínico todo o contexto torna-se mais viável para o profissional competente. Penso na área da saúde de modo geral e aqui especificamente para os profissionais Psicólogos.

Tenho acompanhado a angustia de alunos em término de curso de Psicologia e que não sabem o que fazer na pós formação e eu estou aqui para me disponibilizar a falar um pouco disso. Afinal precisamos e muito de profissionais de Psicologia bem informados o que é mais que bem formados.

Sair da Universidade sem jamais ter participado de Congressos, Simpósios e Grupos de Estudos de um modo geral e relacionados à área de atuação é um pedaço da formação que terá que ser resgatado na pós formação.

Tive a honra em dar supervisão para alguns alunos em final de curso de duas respeitáveis Universidades, com filosofias diferentes, uma estimulava a ida dos alunos para fora dos muros da Universidade e tínhamos ali estagiários mais reflexivos e com uma escuta mais afinada e apurada, com melhor percepção do todo. O segundo grupo de estudantes teve dificuldade em aceitar as possibilidades buscar saberes além da Universidade e a rigidez na atuação também aparecia com muita clareza. Tratar destes pontos para um Mestre envolvido na Psicologia e sendo esta Psicologia a Psicologia da Saúde é algo que fascina.

Potencial todos os alunos e estagiários tem, no entanto, mudar o olhar e ampliar a visão mexe com crenças postas pela formação pessoal e isso faz com que o aluno/estagiário faça a resistência da compreensão da amplitude do tema limitando também o trabalho do Supervisor que ali não é um autoritário, ou pelo menos não deveria ser, mas um profissional que doa sua vivência e seu conhecimento para reflexões e ajustes nos atendimentos pós formação.

Vejam, não estou falando ainda de pós graduação. Falo sobre a pós formação. Logo ali, terminando o quarto ano e seguindo no quinto ano sem a menor idéia do que virá pela frente nos estágios clínicos, organizacionais, educacionais, comunitários, da saúde e hospitalares.

Pessoas queridas, quem se propõe ser um(a) Psicólogo(a), logo, um profissional da Saúde mental deve abrir a escuta e ampliar a observação, lembrem-se raciocínio clínico. Walter Trinca, respeitado autor, fala sobre o Pensamento Clínico, recomendo a leitura.

Me recordo de um trecho da minha experiência em salas de aula na graduação que ministrava uma disciplina sobre processos grupais, isso mesmo, ir até a Instituição e observar, olhar, perceber, notar e uma instrução é que nada deveria ser dito além da parte educada dos encontros com as pessoas da Instituição acolhedora e os alunos graduandos não conseguiam perceber a importância de uma disciplina que os colocava apenas, ou só, para observar.

Esta minha experiência seguiu e pude notar os alunos, aqueles mesmos, mais amadurecidos e comentando a importância em observar os fenômenos tais como se apresentam, que bom, deu tempo de amadurecer e olhar para dentro. Isso mesmo, olhar para dentro, buscar-se, entender-se, perceber-se nas suas próprias angustias e ansiedades é a base fundamental para atender pessoas em consultório, em clínicas, em escolas, em comunidades e outras demandas.

Para enriquecer meu trabalho, tive um grupo de graduandos que ofereci saírem da Universidade e buscar várias situações em que seres humanos estão, pedi investigações sutis, tiveram coisas muito enriquecedoras para quem apenas sabia gente na teoria, teve contato, teve reconhecimento, teve observação, teve ampliação da escuta e do olhar, teve envolvimento, e isso não tem valor acadêmico o valor é interno é do profissional que você consistirá em você mesmo.

Já fez aquela básica pergunta: “Quem sou eu para querer me formar para aliviar angustias e ansiedades? Conheço as minhas? Sei o que é um quadro depressivo? E um estado depressivo? Sei qual o envolvimento da família na relação do sujeito com o mundo, sei o que é mundo interno e mundo externo que encontro com mais detalhes na teoria psicanalítica de Pichòn-Riviere? Sei que é Pichòn-Riviere? Como acolher a dor de alguém? O paciente vem com manual de instruções? Posso anotar as questões do paciente na frente dele e quebrar a celebração do encontro e a formação da relação? E esse tal de conteúdo inconsciente? Personalizar os atendimentos é possível?

São tantas as questões que devem ser discutidas e que em um curso de breves 5 anos não dá tempo, não por falta de competência dos mestres e menos ainda dos alunos, mas porque a vida acelera e quando imaginamos que já falamos sobre tudo vem e vida e nos conta muito mais coisas.

Que Psicologia é essa que não forma pessoas que por exigência da profissão não se acompanham em Psicoterapia pessoal e depois disso não fazer supervisão nos primeiros anos de formados.
Pessoas, creio que, a questão da formação do profissional Psicólogo é muita mais séria do que a formação e os breves cinco anos daria conta, por isso e pelo amor e paixão que tenho pela Psicologia me coloco a disposição para aquelas dúvidas iniciais e aquelas perguntas que ninguém faz porque acha que todos tem a resposta menos a pessoa que quer perguntar, prefiro um trabalho honesto a dúvida eterna do erro. Temos pessoas em nossas mãos e em nossos corações. Falar de Psicologia é falar de amor, de relação humana, de atender alguém que talvez só possa contar com você e você precisa ter disponibilidade interna completa e formada para atender a estes queridos humanos com o seu humano no devido lugar: formado, informado, psicoterapeutizado e supervisionado!



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