terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

DESPERTANDO O ENCANTO


Por Shayene Mariano


Uma mistura de sentimentos e sensações, com tamanha intensidade, despertando e provocando essa mistura simultaneamente, cabendo a nós a passividade.

“Quando um certo alguém desperta um sentimento, é melhor não resistir e se entregar.” Os sentimentos nos possibilitam experienciar uma diversidade de sensações, assim como o encantamento do início de um relacionamento.

Quem nunca se encantou com a imagem de alguém e imediatamente atribuíram-lhe características, que provavelmente a própria pessoa desconhece?

É natural que os indivíduos projetem em outros, inconscientemente, características as quais gostariam de desenvolver, ou aquelas que simplesmente admiram. O início de um relacionamento provoca em ambas as partes ou deveria provocar, um deslumbramento momentâneo, porém, intenso. Despertando e dando “asas” à imaginação, consequentemente a idealização e a fantasia tornam-se inquestionáveis.

Tudo que é novo torna-se diferente, e tudo que é considerado diferente envolve mistério. Sensações, encantamento, início, novo, diferente e mistério. Como não nos fascinar? Entre um olhar e outro, um sorriso, uma palavra, um gesto e outro, o encantamento irá se estabelecendo explicito ou implicitamente, consequentemente ativando nossos desejos, assim como nossos medos.

Medo de se permitir sentir; da possibilidade de poder querer; do encantamento vir a ser paixão; da idealização se desfazer e a pessoa tornar-se real; medo de não ter mais medo e se entregar. Desejo de estar perto; querer sempre mais; apaixonar-se; conhecer a pessoa e gostar dela mesmo assim (com defeito. Real, assim como você); desejo de querer acreditar e se entregar. Constituindo, portanto, a completude numa contradição composta por medo e desejo. Contradição esta necessária para o equilíbrio da explosão de sensações do início do relacionamento.

Apesar da troca de olhares, os sentimentos são invisíveis aos olhos, pois não sendo de origem concreta, não posso tocá-los. Porém não são imperceptíveis a outros sentidos. Não vejo, mas sinto. Sinto um toque, um arrepio. Ouço frases encantadoras; ouço palavras soltas sem conexão; ouço
uma gritaria no silêncio dos meus pensamentos. A partir das sensações o sentimento surgirá moldando-se e se fortalecendo, para assim revigorar-se e não se extinguir com o passar da euforia do encantamento momentâneo.



De tudo ao meu amor serei atento 
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto 
Que mesmo em face do maior encanto 
Dele se encante mais meu pensamento. 
Quero vivê-lo em cada vão momento 
E em seu louvor hei de espalhar meu canto 
E rir meu riso e derramar meu pranto 
Ao seu pesar ou seu contentamento 
E assim, quando mais tarde me procure 
Quem sabe a morte, angústia de quem vive 
Quem sabe a solidão, fim de quem ama 
Eu possa me dizer do amor (que tive): 
Que não seja imortal, posto que é chama 
Mas que seja infinito enquanto dure. 


Vinicius de Moraes- Soneto de Fidelidade.




Após a idealização vem a realização. Permita-se encontrar o equilíbrio entre o ideal e real, euforia instantânea e concretude, e apenas sinta.



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