quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

MULHERES COM DEPENDÊNCIA QUÍMICA


A IMPORTÂNCIA DE OFICINAS TERAPÊUTICAS PARA REABILITAÇÃO DE MULHERES COM DEPENDÊNCIA QUÍMICA
Por Gabriel Caixeta



Já não é mais novidade que as drogas se tornaram um tema completamente inserido no cenário social, seu uso e abuso e as consequências provenientes destes passaram a não ser apenas uma preocupação nacional, mas sim uma questão internacional, sendo enfatizadas na mídia, campanhas eleitorais e nos planos orçamentais governamentais tanto nacionais quanto internacionais.

Indivíduos usuários e dependentes dessas substancias primeiramente eram marginalizados, associados a ladrões, assassinos, pessoas da periferia que não “tinham aonde cair morto”, pessoas sem família que era jogados no mundo, porem com o passar do tempo pode-se ver que essa “imagem” deu lugar à verdadeira realidade, esta que nós mostra que para se tornar escravo de uma droga seja ela licita ou ilícita devemos apenas entrar em contato com ela, que neste mundo não existe distinção de brancos – pretos, pobres – ricos, pessoas que tem família – pessoas que não tem família.

A pós-modernidade passou a nos garantir um estilo de vida, praticamente baseado no consumo, uma sociedade aonde o individuo muda o sentido de vida, passando de existir para consumir, uma troca de uma liberdade verdadeira e saudável por uma ilusória e doentia. Uma sociedade hedonista e individualista onde o sujeito precisa encontrar uma “válvula de escape emocional”, uma forma de reduzir a carga emocional e principalmente uma necessidade constante de ser transportado para outra realidade de forma a esquecer do seu cotidiano exaustivo.

Segundo Lipovetsky, 2005 o sujeito vive a ilusão que a felicidade é possível, e que esta está ao alcance de um objeto sendo assim a dependência química seu representante extremo, pois a mercadoria precisa ser consumida, ou seja, a ilusão de que o uso desta pode vir a ser a saída de uma situação aversiva e a possibilidade de ter momentos mais agradáveis que os façam esquecer-se de seu cotidiano tão difícil.

Outra questão muito importante dentro deste contexto foi e tem sido o crescente aumento do gênero feminino nas pesquisas sobre dependência química. Os estudos sistemáticos com mulheres dependentes químicas só começaram a ocorrer nos últimos cinquenta anos, devido às reivindicações dos movimentos feministas americanos pela criação de programas terapêuticos mais adequados e sensíveis às prioridades femininas, antes disso as pesquisas era feitas com homens farmacodependentes e generalizado.

Atualmente já existem vários grupos direcionados a mulheres dependentes destas substancias, nestes são favorecidos discussões de questões importantes para este gênero como o abuso sexual, violência doméstica, preocupação com os filhos, preocupação com a aparência.

Em muitos casos as mulheres usam essas substanciam químicas, principalmente o álcool sem o conhecimento de sua família, escondendo estas em diversos lugares tais como móveis e utensílios domésticos. Com relação ao uso/abuso das substancias psicoativas ilícitas, o inicio do uso em grande parte e compartilhado com o companheiro, sendo que as drogas são trazidas por estes. Em outros caso o inicio do uso do álcool é utilizado como forma de se defender fisicamente e emocionalmente de agressões e de todo um histórico de violência familiar.

Muitas dessas mulheres internadas em centros de reabilitação apresentam reclamações como ausência e/ou perda da figura materna, dor da separação, angustia relacionada a maternidade, sofrimento diante a solidão, imposição do meio social para assumir as responsabilidades de mãe e pai dos filhos, diante disso veem nas drogas um “amigo” nas horas difíceis, companheiro que fortalece, que desinibe ou aumenta o apetite sexual, que oferece forças para enfrentar o marido, como aquele que acalenta ou mesmo como medicamento que “faz dormir e esquecer a vida tão cheia de problemas”.

Porem se vê grande rotatividade nesses grupos femininos, muitas delas não conseguem continuar o tratamento o que pode ser atribuído a vários fatores como às relações interpessoais dentro da instituição, vida emocional, inquietação com o cotidiano, preocupação com algumas pessoas fora da instituição na sua maioria filhos dentre outros.

Um ponto extremamente importante no trabalho com esse tipo de grupo de pacientes é sem duvida conseguir centralizar as ideias e crenças comuns o que proporciona a configuração de todo um laço social através de alianças inconscientes. E dentro desta ideia que vemos a importância da criação de métodos que internalizem nestas pacientes a importância da continuidade e termino do tratamento dentre eles o uso de técnicas vivenciais que despertem seu interesse como trabalhos que envolvem a arte e culinária de forma a prepara-las para o mercado de trabalho, literatura com o intuito de melhorar sua escrita, fala e a produção de textos e às próprias dinâmicas de grupo que vão facilitar o desenvolvimento de questões como companheirismo, empatia, auto- estima dentro da clinica.




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