segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

APOLOGIA AO MOVIMENTO ESTUDANTIL


Militose: Psicologia e Movimento Estudantil
PARTE III - APOLOGIA AO MOVIMENTO ESTUDANTIL DE ÁREA (ou Por que é importante construir as executivas nacionais de curso?)




Olá, gente. Faz tanto tempo que não mando nada para o Militose, aqui no Psicoquê, mas vou voltar. Os debates para a construção de uma psicologia e de um movimento estudantil de luta não se esgotaram, e o Psicoquê é um espaço muito potente, vou aproveitar enquanto essa gente louca ainda me deixa escrever aqui! 

O assunto é importante, e cada vez mais precisamos dar valor a esse tipo de movimento estudantil para que nossas lutas tenham condições de avançar mais e mais. O assunto é o chamado ME de Área, composto pelas Executivas, Articulações, Coordenações, Federações e etc. nacionais de curso. Vários cursos têm uma entidade nacional (e elas variam muito de um curso pra outro) que lutam ou deveriam lutar pelas pautas da educação brasileira, da formação específica naquele curso, e sobre diversos assuntos da realidade brasileira que têm a ver com aquela profissão. É diferente de um DCE (que reúne pessoas de uma mesma instituição, seja universidade ou faculdade); é diferente de um CA ou DA (que reune estudantes de um mesmo curso ou conjunto de cursos), é diferente de uma entidade nacional geral como a UNE ou a ANEL.

As executivas são uma forma fundamental para aumentar a aproximação de estudantes com a luta que, cotidianamente, ainda não os conquistou, porque permitem que reflitamos sobre aquilo que está mais concreta e diretamente ligado à realidade do nosso curso, que escolhemos no maldito vestibular, que será nossa futura profissão, e que então tem algo a ver com a nossa identidade. Deixar de entender a importância disso é deixar um vazio importante no fortalecimento das lutas, na busca por transformação.

Mas o que eu queria, na verdade, é colocar algumas reflexões que são fundamentais pra qualquer pessoa ou grupo de pessoas que queiram se aprofundar nesse mundo das executivas... Eu tô chamando tudo de executivas, mas apenas porque acho que mais importante que o debate do nome e do modelo organizativo, é entender que todas têm uma característica comum, organizarem o Movimento Estudantil de Área, de curso.

Essa é, aliás, a primeira reflexão: a gente costuma achar que vamos achar um modelo organizativo perfeito, e acho bom termos essa vontade e nunca a perdermos. No entanto, ela implica em um dia chegarmos á perfeição e depois não precisar mais mudar nada. No entanto o organizativo da entidade é fundamental para que ela funcione e toque suas lutas. Então o importante é conhecer o perfil dos estudantes daquela área, principalmente aqueles que querem lutar por transformação social e contra a educação aplicada hoje pelo governo burguês petista, e achar o modelo organizativo que, no momento, melhor agrada à disposição de militar destas pessoas. A forma é finalidade, o conteúdo é que importa. Mas falaremos sobre o conteúdo em breve.

Outra coisa importante: precisamos superar o ranço Executivas/CN's X Comissões Organizadoras/Escolas Sede. O grande problema é que isso não é simples. De fato a escola sede está geograficamente condenada a ter que trabalhar mais na construção do evento, mas muitas vezes a entidade cuida dos assuntos políticos e deixa as tarefas burocráticas e as tarefas braçais para os estudantes da cidade sede. Não podemos continuar repetindo essas práticas. Construir o encontro é uma tarefa política tão importante quanto construir as campanhas de luta da entidade, e foi preciso errar muito pra aprender a importância disso, que ainda precisa ser muito mais praticada do que está sendo (né, galera de Goiânia?). As lutas ficam mais fortes quando não reproduzimos as relações alienadas de exploração dentro das nossas entidades, e além disso a tendência é que esse descaso cause um desinteresse político da escola sede, ou um ódio à militância nacional da entidade. Galera de Goiânia, puxa as nossas orelhas na CONEP, viu?

Outra coisa fundamental: ter momentos prazerosos durante as atividades. Na CONEP (Coordenação Nacional de Estudantes de Psicologia), vivemos algumas experiências de CONEPSI's (Conselhos Nacionais de Estudantes de Psicologia, que são como nossas reuniões presenciais) em que fizemos pontos turísticos (fazer parte da reunião em um ponto turístico da cidade, como rolou aqui em Vitória e em Salvador, por exemplo. Outra possibilidade é articular algum momento da população a lutas que a cidade está vivendo naquele período, como paradas LGBT, marchas de movimentos urbanos ou Gritos dos Excluídos. Fundamental que a programação do evento não seja muito apertada, que dê conta de todos os debates, mas sem estafar e massacrar a nossa militância. É mais difícil fazer revolução quando a gente tá só o caco, é preciso constar.

Mais uma: articular pautas concretas da profissão com pautas gerais do movimento estudantil e de outros movimentos sociais. Legal também considerar se a profissão é da saúde, ou se é uma licenciatura, ou se é das agrárias. Por exemplo, a psicologia tem como um de seus principais debates (mas não o único) a Luta Antimanicomial (LAM), e é mais do que coerente que a CONEP esteja junto com os demais movimentos da LAM. Muitas vezes as lutas só fazem sentido pra determinadas e determinados estudantes, porque há identificação com aquela pauta. E aí é fundamental mostrar a ligação de cada pauta com a totalidade das lutas.

E mais outra: articular a ação da entidade com outras executivas de curso. A gente tem muito mais força junto, e muitas das nossas pautas se cruzam. Além disso, a gente aprende muito sobre coisas que são indiretamente relacionadas a nós, quando é possível contato com outra entidade diretamente ligada a tal assunto. Com o tempo a gente vai vendo que a luta do outro tem mais a ver com a luta da gente do que a gente pensa. Mas pra isso é fundamental que o movimento estudantil dos diferentes cursos se converse (vamos usar a nossa criatividade e achar formas de nos encontrar!).

Mais outra ainda: a luta contra o machismo (centrada na luta auto-organizada das mulheres, e também na solidariedade dos homens à luta feminista, e disposição de aprender com ela); a luta antirracista  (centrada na luta auto-organizada das negras e dos negros, e quando for o caso, de indígenas, e também na solidariedade de brancas e brancos às lutas negra e indígena, e disposição de aprender com elas); assim como a luta contra a homofobia  (centrada na luta auto-organizada da população lgbt, e também na solidariedade de heterossexuais à luta lgbt, e disposição de aprender com ela). Isso é quase que uma fórmula, uma receita de bolo, com a diferença de que na hora H, a fórmula lida com seres humanos, que são uns bichos bem subjetivos e surpreendentes.

Por fim (não que tenha se esgotado o assunto, mas porque o texto precisa chegar a algum fim): fundamental lembrar que o movimento estudantil, assim como qualquer outro movimento social, não é feito para os estudantes, e sim por elas e eles. Então é indispensável que se faça o ME de área pensando no que pensa, sente e vive o estudante daquele curso, e respeitando suas posições tradicionalmente correntes, sem deixar, é claro, de trazer posições críticas pra tentar mudar as perspectivas e trazer cada vez mais estudantes para a luta, e colocar lutas cada vez mais importantes e qualificadas para rolar.

O Movimento Estudantil é um movimento de militância transitória, mas não se torna por isso um movimento inferior, muito pelo contrário: apesar de ser composto por estudantes, muitas vezes jovens, que em breve não serão estudantes, o ME costuma apresentar o vigor, a energia e o caráter questionador que fortalece a luta de qualquer movimento social. Por isso, a coluna Militose vem defender a idéia de que o ME é um Movimento Social autêntico, e que o ME de Área é uma forma de movimento estudantil estratégia para a construção das lutas que se impõem a nós como tarefas. Esperamos que este texto traga cada vez mais pessoas a se interessar por este assunto. E para quem quiser participar, é só nos procurar.

beijinhos de maracujá!



Um comentário:

  1. *Texto longo, cansativo e CHATO !!! >.<

    *Ninguém merece !!! o.O

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