terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A VERDADE DA VIOLÊNCIA

E A VIOLÊNCIA DA VERDADE; DESVENDANDO COMPLEXIDADES
Por Alianna Cardoso[1]


RESUMO: O presente estudo intui elaborar um esboço acerca da história da violência na humanidade, perfazendo seu traçado histórico para desvendar as causas que desencadeiam os atos violentos, desvendando suas complexidades. Após a contextualização do tema, serão abordadas as possibilidades de solução para esse problema.


PALAVRAS CHAVE: história da violência; causas; soluções


"Não existe uma definição consensual ou incontroversa de

violência. O termo é potente demais para que isso seja possível."
Anthony Asblaster


INTRODUÇÃO

Discutir violência nos dias de hoje, deixa de ser um debate filosófico para se tornar uma discussão real sobre algo que vem fazendo parte de nossas vidas e tem caído na banalização. A violência está nas ruas, por vezes está em casa. A violência está nas conversas informais, está nos telejornais, está nos filmes e vídeos. A violência se tornou parte do nosso cotidiano como uma rotina sanguinária e massacrante que nos tornou vítimas de nós mesmos.

Por todos os lados vemos a violência mostrando suas várias faces, fazendo crescer o número de ocorrências nas delegacias, o número de óbitos de inocentes e principalmente a quantidade de notícias para os jornais sensacionalistas que fazem ibope com o flagelo da sociedade contemporânea.

O que se intui com este estudo, é tentar desvendar os fatores que estão intimamente ligados com a violência, construindo um traçado histórico da violência desde os primórdios da humanidade, para indicar que tal flagelo existe desde o nascimento da sociedade e vem cada vez mais crescendo e tomando a vida das pessoas.

Discutiremos, sobretudo, a violência contemporânea como conseqüência das diversas falências existentes na sociedade atual, evidenciando as supostas razões que levam os indivíduos a cometer atos de violência, e que segregam ainda mais a população.Debateremos ainda, as possíveis soluções para esse problema, se é que elas existem.


METODOLOGIA

Iniciaremos o estudo conceituando violência por diversos pontos de vista. Ressalte-se, sobretudo, que o tema “violência" será abordado sobre a temática da agressão física.
Sobre outro prisma, foram realizadas pesquisas bibliográficas para que fosse desvendada essa relação “sociedade contemporânea versus violência”, com o intuito de que fosse possível identificar quais fatores podem ser os desencadeadores da malha violenta do mundo globalizado, analisando, sobretudo, o contexto histórico do assunto.


RESULTADOS E DISCUSSÃO

De acordo com Flávia Schilling:

“Violência significa, então: 1. Tudo o que age usando a força para ir contra a natureza de algum ser (é desnaturar); 2. Todo ato de força contra a espontaneidade, a vontade e a liberdade de alguém (é coagir, constranger, torturar, brutalizar); 3. Todo ato de violação da natureza de alguém ou de alguma coisa valorizada positivamente por uma sociedade (é violar); 4. Todo ato de transgressão contra alguém ou uma sociedade define como justo e como um direito.”

Pode-se, destarte, entender Violência como o comportamento que causa dano a outra pessoa, ser vivo ou objeto. Por meio da violência, nega-se autonomia, integridade física ou psicológica e mesmo a vida de outro. É o uso excessivo de força, além do necessário ou esperado.

Existe violência explícita quando há ruptura de normas impostas pela sociedade ou da moral social estabelecidas a esse respeito: não é um conceito absoluto, variando entre sociedades. Entretanto existem diversas formas de se aplicar a violência implicitamente.Aqui abordaremos a violência física principalmente, sem deixar de citar por vezes as outras formas de violência existentes.


HISTÓRIA DA VIOLÊNCIA

A violência é uma realidade milenar. Ao longo dos milênios, circula amplamente pela sociedade, abrangendo todas as Idades: Antiga, a Idade Média, Moderna e Contemporânea. Em todas elas, houve barbáries de alguma forma e sob vários aspectos e segmentos. Ela não se limita a uma só classe social, no entanto é mais evidenciada nas camadas populares onde o poder aquisitivo é muito baixo e as condições de vida são precárias.

Como exemplo de violência, citamos o livro da Bíblia (Velho Testamento, principalmente) repleto de lutas e guerras travadas pela busca do poder religioso e da supremacia sobre povos e nações. O próprio Jesus Cristo (Novo Testamento) foi vítima da violência humana, e ainda, podemos citar Caim e Abel.

Caim é um personagem do Antigo Testamento da Bíblia, sendo o filho primogênito de Adão e Eva. Era um lavrador. Abel, seu irmão mais novo era pastor de ovelhas.Em determinada ocasião, Caim e o seu irmão mais novo Abel apresentaram ofertas a Deus. Caim apresentou frutas do solo e Abel ofereceu primícias do seu rebanho[2]. A oferta de Abel teria agradado a Deus, enquanto que a de Caim não. Possuído por ciúmes, Caim armou uma emboscada para seu irmão, sugerindo a Abel que ambos fossem ao campo e, lá chegando, Caim matou seu irmão; este teria sido o primeiro homicídio da história da humanidade.Após a consumação do homicídio, descrito no capítulo – O rompimento da fraternidade do livro de Gênesis, a Bíblia dispõe em sequência – Progresso e Violência,onde o bisneto do filho de Caim, Lamec, incita: “ Se a vingança de Caim valia por sete, a de Lamec valerá por setenta e sete.”, demonstrando o crescimento progressivo da primeira violência lançada na sociedade.Ainda de acordo com a Bíblia, temos que “ a civilização nasce de Caim: auto-suficiência e violência se multiplicam cada vez mais, gerando uma sociedade fundada na hostilidade e na competição.”

Ulisses Capozolli indica Konrad Lorentz, citado pelo antropólogo Richard Leakey, em “As Origens do Homem”, ondeindica haver provas de que os inventores dos primeiros utensílios de pedra - os australopitecinos africanos - utilizaram prontamente suas armas não só para matar animais, mas também membros da própria espécie. O Homem de Pequin, o Prometeu que aprendeu a conquistar o fogo, também fez uso deste conhecimento para cozinhar seus irmãos: junto com os primeiros indícios do uso regular do fogo estão os ossos mutilados e assados do próprio Sinanthropuspekinensis.

De acordo com Capozolli, quando o fogo apareceu também foi usado na guerra onde ainda hoje causa destruição. O fogo foi manipulado física e quimicamente para produzir resultados cada vez mais letais. O fogo das bombas atiradas pela fortalezas voadoras pode destruir cidades inteiras, mas o fogo nuclear é ainda mais poderoso. No Japão, sobre Hiroshima e Nagasaki, vaporizou o corpo de pessoas, como um pequeno sol queimando próximo.

Pois bem, as revoluções armamentistas do mundo capitalista, os holocaustos sofridos pelos judeus e pelos negros, as duas grandes guerras mundiais, as colonizações de exploração, as cruzadas etc., são bons exemplos de como a violência é um marco na história dos povos.


CAUSAS DA VIOLÊNCIA

Durante os recentes estudos sobre as causas que levam a tamanha incidência da violência no mundo pós-contemporâneo globalizado, diversas foram as suposições suscitadas, entretanto, a ciência hoje conclui que a “violência” é determinada pela complexa combinação entre fatores externos e características inatas do ser humano, aqui analisaremos apenas os fatores sociais.

Como conseqüência dessa exigência capitalista de inserção consumista na sociedade, emerge um redemoinho de descontentamentos expresso pela violência: desemprego, desestruturação familiar, consumo de drogas, corrupção e perda de auto-estima. Claro está que essa é uma forma de expressão contemporânea da violência. O caminho que a agressividade, não sublimada pelo bem-estar, encontrou para manifestar-se.

De acordo com o Dr. Dráuzio Varella, as principais causas sociais da violência urbana são:desigualdade econômica;uso de armas;crack; quebra dos laços familiares e o encarceramento e seus índices.


CONCLUSÕES

Hoje, a violência, que antes estava presente nas grandes cidades, espalha-se para cidades menores, à medida que o crime organizado procura novos espaços. Além das dificuldades das instituições de segurança pública em conter o processo de interiorização da violência, a degradação urbana contribui decisivamente para ele, já que a pobreza, a desigualdade social, o baixo acesso popular à justiça não são mais problemas exclusivos das grandes metrópoles. Na última década, a violência tem estado presente em nosso dia-a-dia, no noticiário e em conversas com amigos. Todos conhecem alguém que sofreu algum tipo de violência. Há diferenças na visão das causas e de como superá-las, mas a maioria dos especialistas no assunto afirma que a violência urbana é algo evitável, desde que políticas de segurança pública e social sejam colocadas em ação. É preciso atuar de maneira eficaz tanto em suas causas primárias quanto em seus efeitos. É preciso aliar políticas sociais que reduzam a vulnerabilidade dos moradores das periferias, sobretudo dos jovens, à repressão ao crime organizado. Uma tarefa que não é só do Poder Público, mas de toda a sociedade civil.

Ou ainda, de acordo com Dr. Dráuzio:

“A violência urbana deve ser entendida como doença de causa multifatorial, contagiosa, com aspectos biológicos e sociais que precisam ser estudados cientificamente para podermos desenvolver estratégias seguras de prevenção e tratamento.”


Na verdade não existe um consenso nem para as causas que levam à violência, tampouco para as soluções possíveis para o enfrentamento desse problema.De fato, o que há é um temor geral da população frente a esse problema real, que deve possuir soluções reais. O único consenso existente, é que cada um deve fazer a sua parte, afinal “violência gera violência”.




REFERÊNCIAS

Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, Ed. Paulus, 1996

CAPOZOLLI, Ulisses; Guerra e paz refletem a
natureza dupla do homem; Violência faces e máscaras; disponível in: http://www.comciencia.br/reportagens/violencia/vio11.htm Acessado em 22/10/2009


SCHILLING, Flávia; Indisciplina, violência: debates e desafios; Revista Educação, Grandes Temas, Violência e Indisciplina, n.º 1; Ed. Segmento; p.7
VARELLA, Dráuzio; parte II: Raízes Sociais da Violência; Dráuzio Varella; Disponível in <http://www.drauziovarella.com.br/artigos/violencia_raizes2.asp> Acessado em 23/10/2009





[1]Advogada, bacharel em Direito pela Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT; departamento de ciências jurídicas; alianna.cardoso@hotmail.com
[2]GÊNESIS, Bíblia Sagrada, 4:3, 4



0 comentários:

Postar um comentário