terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A LOUCURA COMO CONSTRUÇÃO SOCIAL

A LOUCURA COMO CONSTRUÇÃO SOCIAL ATRAVÉS DA HISTÓRIA E SEU TRATAMENTO
Por André Macedo




Para se chegar a um conhecimento de loucura, devemos passar antes por alguns pontos como: a definição de senso comum e ciência, o que era considerado loucura nas diferentes épocas e os fatores socioculturais que constituem a loucura.

Muito do que se conhece hoje sobre a loucura ainda é embasada em senso comum, que é uma forma de conhecimento da realidade, porém um conhecimento simplificado, aprendido no cotidiano. Para Ana Bock “somente esse tipo de conhecimento, porém, não seria suficiente para as exigências da humanidade” (Bock, 2009, p.19). Então devido à necessidade, o conhecimento foi se especificando cada vez mais e assim surgiu a ciência, que precisa de um conhecimento sistemático e que utiliza métodos, técnicas e teorias, possibilitando dessa forma sua replicação.

A loucura passou por diversos significados ao decorrer da história. Na Idade Média o louco era um ser errante, normalmente expulso de sua cidade (alguns eram colocados em navios, como a Nau dos Loucos citada por Foucault, para serem “despejados” em outros locais longe da sua cidade natal), ele também era considerado como tendo um saber cósmico, algo ligado ao sagrado. Já na Idade Clássica a loucura herdou o lugar da peste, os locais onde eram isolados os leprosos foram colocados à disposição dos loucos, porém a concepção de loucura da época era bem diferente da loucura na modernidade. Na Idade clássica, o louco ainda estava ligado ao sagrado, mas também estava ligado a moral. Na época da grande internação, foram isolados libertinos, portadores de doenças venéreas, criminosos, pessoas com idéias diferentes das idéias vigentes na época. A loucura era “tratada” com punição e castigo. Já na modernidade o saber médico se apossa da loucura como objeto de estudo. Os médicos tentavam observar, classificar os tipos de louco (foi ai que surgiu a clinica psiquiátrica), o louco passa a ser visto como doente e tem a ideia de que é possível curar o louco. Porém Foucault demonstra que a loucura é anterior a doença mental. “A experiência social, conhecimento aproximado, seria da mesma natureza que o próprio conhecimento, e já a caminho da perfeição. Por essa mesma razão, o objeto do saber lhe preexiste, dado que já era ele apreendido, antes de ser rigorosamente delimitado por uma ciência positivista” (Foucault, 2005, p.81). Nessa época que surgiu Pinel para “desacorrentar” os loucos, lhes dando um tratamento mais humanizado. 

Ana Bock apresenta em seu artigo “Formação do psicólogo: um debate a partir do significado do fenômeno psicológico” cinco pontos básicos em que se baseiam a psicologia, e através do qual é formado seu objeto de estudo, são eles: 1. “não existe a natureza humana; 2. existe a condição humana”; 3.” o homem é um ser ativo, social e histórico”; 4. “o homem é criado pelo homem”; 5. “o homem concreto é objeto da psicologia”. 

Pelo primeiro ponto podemos discutir o homem que tem sua natureza e que dadas às condições ele se comportará de uma forma ou de outra. Ana Bock discorda dessa ideia de natureza humana justificando que isso “camufla a determinação social do homem, pensando-o de forma descolada de sua realidade social, realidade esse que o constitui e lhe dá sentido”.

No segundo ponto a autora quer dizer que no homem, nada está aprioristicamente concebido. As habilidades, tendências, tudo isso é desenvolvido no homem através da cultura. Ela ainda diz que “as condições biológicas hereditárias do homem são a sustentação de um desenvolvimento sócio histórico...”.

Quando ela diz que “o homem é um ser ativo, social e histórico”, não deixa espaço pra muitas dúvidas. É através das relações entre homens e homens, homem e natureza que o homem se constrói, como vimos acima à definição de loucura foi mudando de acordo com as épocas. O homem age na sociedade e essa ação gera consequências para outros homens também (já abordando o quarto ponto também).

No quinto ponto ela busca o objeto de estudo da Psicologia. Insere o individuo na sociedade e dentro desse meio tenta compreende-lo. Mesmo em sua singularidade, só é possível compreender o individuo “quando inserido na totalidade social e histórica que o determina...”.

Como vimos no texto esses pontos podem ser comprovados pela história, que em cada época teve uma concepção de loucura. Vendo o homem dessa forma podemos atuar de forma curativa (tratar a doença), preventiva (evitar a doença) e de promoção de saúde (alterando a realidade social para promover saúde). Dando assim um tratamento digno ao homem.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOCK, Ana Mercês Maria Bahia. Formação do Psicólogo: Um debate a partir do significado do fenômeno psicológico. Psicologia Ciência e Profissão, 1997.

BOCK, Ana Maria Bahia (Org.). Psicologias. 12 ed. São Paulo, Saraiva, 1999.

FOUCAULT, Michel. História da Loucura. São Paulo: perspectiva, 2010.




http://psicologia-ro.blogspot.com.br/2013/01/a-loucura-como-construcao-social.html

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