Por Hudson Eygo
A cada segundo uma nova descoberta, repleta de novas verdades.
E no mesmo instante em que são descobertas, as respostas deixam de ter seu valor.
O limite espaço temporal se tornou obsoleto.
É que estamos cada vez mais próximos, mais juntos, e sempre conectados.
As relações e tornaram superficiais.
As emoções só são expressas por meio de citações no facebook.
E quando isso termina?
Onde vamos parar?
Mais importante do que ter as perguntas, e saber das respostas.
É o Bang do Big! O mundo em eterna expansão... Até chegar o Big Crunch1.
Parafraseando Sócrates: A grande certeza, é que não há certezas.
Agora imagine o contrário de tudo isso?
Saia da sua caixinha por um instante. Pare a leitura, feche os olhos, e por cinco segundos, imagine o nada!
Se
você é como eu, não deve ter feito. Mas se não é como eu (afinal, há
aqueles que são diferentes) e fechou os olhos para imaginar a não cena,
não conseguiu nada além de ouvir seus próprios pensamentos.
Eu fico imaginando uma liberdade2, para longe de tudo isso... Imagine um cenário diferente.
Não,
o mundo não seria tão louco quanto você pensa, talvez ainda tivéssemos
carroças circulando pelas ruas, chaleiras em cada casa, e mesmo assim,
possivelmente ainda persistiria alguma desigualdade social. Nada nunca é
perfeito. E até pode ser um retrocesso, mas gosto de pensar que:
talvez, apenas talvez, ainda seriamos mais humanos.
Pensar uma
ética da cumplicidade, da complexidade e da (com)paixão é deixar-se
mover por uma estética do pensamento que abre mão dos limites
confortáveis da ciência – reino último da palavra, para lançar-se na
errância da criação, outra forma de dizer da condição humana. A obsessão
pela predição e controle, que encarcerou as ideias de homem e de mundo
em conceitos contaminados pela racionalidade fechada, abre-se a uma nova
e bem vinda obsessão: a compreensão poética das coisas. (CARVALHO et.
al.,1998, p.20).
Um tantinho de humanidade que seja já basta, e
faz muita diferença. As pessoas pregam o respeito à diferença, a
tolerância, mas se esquecem do essencial: aquilo que um dia nos
diferenciou dos demais animais - nossa humanidade.
Imerso em
minha loucura - Acredite! Cada uma tem a sua - Imerso em minha loucura
eu gosto de reinventar o dia, talvez seja um delírio, utopia, ou quem
sabe não. Mesmo assim, eu tento reinventar o dia, a cada dia.
Começo
do nada, como penso que o foi o começo das coisas: Do Nada. Um grande
espaço branco, como o da Matrix3. É assim todo dia: um grande fundo
branco; então algumas cores; aumento o volume; e o dia nasce sem música.
De fundo: talvez o som de algum carro passando na rua, ou do vizinho
abrindo o portão da garagem. De paisagem: algumas janelas fechadas, a
cor gélida dos muros, as mobilhas da casa e mais nada.
Não parece grande coisa, eu sei, mas é um começo.
E
sem grandes pretensões, pego o notebook (nem lembro a ultima vez que
precisei de uma caneta, ou consultar um dicionário para escrever) e
digito o que penso ser um insight, ou vários em um mesmo texto. Na
esperança de que sejam estas, de algum modo, varias das respostas às
questões que possivelmente irão surgir.
Notas:
1.
O Big Crunch, ou em português, o Grande Colapso, é uma teoria segundo a
qual o universo começará no futuro a contrair-se, devido à atração
gravitacional, até entrar em colapso sobre si mesmo. Essa teoria suscita
um mistério ainda maior de se analisar do que o Big Bang.
2. Ainda assim a liberdade, tal qual como ela é idealizada, não existiria.
3.
A trilogia Matrix (1999) é uma produção cinematográfica Warner Bros.
Dirigido pelos irmãos Wachowski e protagonizado por Keanu Reeves e
Laurence Fishburne.
Referências:
CARVALHO, Edgard
de A. et al. Ética, Solidariedade e Complexidade. 1.ed. São Paulo –
SP: Palas Athena, 1998. http://pt.wikipedia.org/wiki/Big_Crunch
http://www.sofisica.com.br/conteudos/Termologia/Entropia/entropia.php
http://pt.scribd.com/doc/22744318/Analise-do-filme-The-Matrix
Texto originalmente publicado em: http://ulbra-to.br/encena/2012/11/23/Ensaio-de-um-dia-infeliz




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