domingo, 18 de novembro de 2012

O QUE É SEXUALIDADE



Por Miguel Henrique


Sexualidade pode ser definida como “as nossas preferências ou experiências sexuais”, não necessariamente “de acordo” ou ligadas com o sexo que possuímos; se difere do sexo justamente por isso: o termo “sexo” envolve uma definição mais anatômica, se relaciona diretamente e necessariamente com o órgão sexual/genital que temos, enquanto sexualidade tem uma definição mais psicológica. Muita gente pode ter se perguntado (ou não) ao longo da vida, ou em um período específico (geralmente na adolescência), como se deu/dá esse processo de desenvolvimento da sexualidade, e, consequentemente, de formação de gênero. 

Há duas principais teorias, totalmente diferentes entre si, que tentam explicar ou entender como funciona esse processo, dividindo opiniões: A teoria Essencialista e a teoria do Construtivismo Social. Os essencialistas acreditam que essa formação se dá quando começamos a perceber nossa anatomia, o sexo com o qual nascemos, presumindo que esse processo é estritamente biológico, sendo apenas reforçado pela sociedade à medida que crescemos. 

No construtivismo social, a ideia é de que o gênero é formado principalmente por influências sociais, consequência dos diferentes papéis ocupados por homens e mulheres nas diferentes sociedades, é construído, e reforçado socialmente. Um grande problema do essencialismo é que ele tende à generalização, especificando com uma precisão equivocada aspectos que para ele são a chave para diferenciar homens e mulheres. Como por exemplo, a mais documentada das diferenças entre homens e mulheres: a de que homens são, em média, mais agressivos verbal e fisicamente que as mulheres; quando afirmam essa hipótese, os sociobiologistas e psicólogos evolucionários o fazem de forma que seja atribuída essa característica obrigatoriamente para todos os homens e todas as mulheres. 

Pesquisas qualificadas realizadas com base nessas hipóteses mostraram que a precisão não é exata; os resultados variaram, e ficou comprovado que muitas mulheres são mais agressivas que a média masculina e muitos homens menos agressivos que a média feminina. Uma das explicações que podem ser dadas a esse fato é a de que os níveis de desigualdade de gênero variam de acordo com cada sociedade/cultura/país, e assim, nas sociedades em que esse nível já não é tão elevado, vemos homens e mulheres assumindo cargos de mesma importância, de mesmas proporções. 

Consequentemente, o comportamento de algumas dessas mulheres se torna “masculinizado”, incomum até então. Por isso a necessidade de se considerar aspectos sociais como fatores relevantes na formação de gênero: Por que as diferenças comportamentais entre homens e mulheres podem resultar de uma sociedade machista, onde homens ocupam uma posição que lhes possibilita estabelecer suas preferências em detrimento dos interesses femininos (e não resultado unicamente anatômico, uma “superioridade biológica”). 

As teorias do construtivismo social são mais “plausíveis” quando aplicadas ou observadas na prática; nós estamos numa constante negociação de papéis de gênero à medida que interagimos com a sociedade. 

Aprendemos desde que nascemos, em casa com a família e depois na escola (e em outras agências de socialização), o papel que devemos desempenhar na sociedade. Papel esse que, querendo ou não, é definido de acordo com o sexo que nascemos, e seguimos com esses padrões durante toda a vida. No caso de uma pessoa com disfunção de gênero, essa aceitação não ocorre, e ela se sente como se “estivesse no corpo errado”.



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