domingo, 18 de novembro de 2012

ESCOLHA DE OBJETO E A HOMOSSEXUALIDADE


Por Ana Carolina Campos



Ao ler alguns textos de Sigmund Freud, referentes à sexualidade, encontra-se um tema abordado por ele que é a escolha de objeto sexual. Tal tema possui elevada importância, pois, ainda nos dias de hoje, se pode presenciar atos de preconceito voltados a uma escolha de objeto diferente da heterossexual. Muitos consideram a escolha homossexual como um grande pecado ou até mesmo uma doença. Também vê-se, na mídia, alguns psicólogos oferecendo a cura para a homossexualidade, o que fere o código de ética da própria psicologia, já que o Conselho Federal, através da resolução 01/99 declarou que a homossexualidade não constitui doença, perversão ou distúrbio. De acordo com esta resolução é considerada anti-ética qualquer forma de promover a discriminação ou mesmo contribuir para manutenção de mitos, preconceitos e distorções relacionadas à diversidade da manifestação da sexualidade humana. De acordo com a psicanálise, o processo de escolha, seja ela hetero, homo ou bissexual, acontece com todas as pessoas, é inconsciente, e o que se modifica é o objeto.

Muitos dizem que a homossexualidade não é “normal”, pois, através dessa relação, não há a reprodução, ou seja, a geração de descentes. Porém Freud, no seu texto Três Ensaios Sobra a Teoria da Sexualidade (1905), eliminou a igualdade sexualidade = reprodução, para ele isso era uma convenção adotada e não uma concepção. Ao se igualar sexualidade e reprodução, a meta passava a ser a geração de descentes e o objeto sexual, para isso, necessitava ser heterossexual, qualquer coisa que fugisse da meta ou do objeto era considerada perversão. Porém, se essa igualdade realmente fosse verdadeira, o ato sexual entre senhores da terceira idade, por exemplo, deveria ser considerado perverso, pois este ato não possui finalidade reprodutiva. Com a eliminação dessa igualdade, a reprodução deixou de ser o objetivo da sexualidade e deu lugar ao prazer, que passou a ser a meta. Dessa forma o objeto não necessitava ser heterossexual, qualquer objeto passava a ser válido. No seu texto O Instinto e suas Vicissitudes (1915), Freud voltou a reafirmar que não há uma relação de igualdade entre sexualidade e reprodução, embora, na vida adulta, a primeira possa incluir a segunda, ou não.

A escolha objetal está presente na vida de todas as pessoas, ela nada mais é do que a escolha do objeto de amor. O que esse texto propõe mostrar é que a escolha homossexual não é patológica, uma perversão, ela é apenas o desejo pelo mesmo sexo. Todas as pessoas passam por tal escolha, independente de qual objeto será o eleito, mas ela é inconsciente. Quando muitos dizem que o homossexual escolheu ser assim estão enganados, pois, se isso fosse uma escolha consciente, poucos (para não dizer ninguém) iriam escolher por um objeto que iria fazê-los serem alvos de preconceito. Outro fator é que, se os homossexuais escolheram ser assim, da mesma forma os heterossexuais também deveriam ter escolhido pelo objeto oposto, em algum momento da vida, porém há alguém que possa dizer quando escolheu ser heterossexual? Dessa mesma maneira, dizer que a homossexualidade não é correta, ou que ela é uma falta de vergonha, por não produzir descentes através da relação sexual, deve ser repensado, pois, será que todas as relações acontecem são para gerar filhos? Ficam essas duas questões.

Esse texto propôs apenas dar início ao tema da escolha objetal, muito ainda tem a ser dito e investigado sobre ele.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


Código de ética profissional do psicólogo.

FREUD, S. (1905). Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade. Trad. Sob a direção de Jayme Salomão. Rio de Janeiro. Imago: 1996. (Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v. 7.)

FREUD, S. (1915). Instinto e suas vicissitudes. Trad. Sob a direção de Jayme Salomão. Rio de Janeiro. Imago: 1996. (Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v. 14.)



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