sexta-feira, 19 de outubro de 2012

SOBRE RITALINA, PROZAC E OUTROS REMÉDIOS


PSICÓLOGO, LEVANTA-TE E ANDA.

O periódico do Conselho Federal de Psicologia (CFP) número 102, publicado em outubro de 2011, aborda a questão da crescente medicalização como um fenômeno que preocupa a Psicologia. Segundo dados do IMS Health Brasil, 23,2 milhões de cápsulas de fluoxetina (antidepressivo também conhecido pelo nome comercial Prozac) foram vendidas em 2007, e entre janeiro e junho de 2011 esse número saltou para 34,6 milhões. O IMS-PMB – Pharmaceutical Market publicou um levantamento sobre as vendas de metilfenidato (conhecido pelo nome comercial Ritalina, usado para o tratamento de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade): 71 mil caixas vendidas em 2000 e 1,14 milhão vendidas em 2008.
Talvez os psicólogos devam fazer a sua mea culpa nessa estatística, pois muitas vezes cedem à expectativa social de oferecer respostas imediatas. O espetáculo midiático em torno dessas medicações exerce uma pressão enorme sobre os psicólogos, que não receitam a medicação mas fazem sua parte encaminhando muita gente aos psiquiatras e neurologistas. Existe aí uma grande oportunidade para o psicólogo investigar as causas desses transtornos, sobretudo mediante a psicologia profunda, através da qual o paciente pode alcançar respostas duradouras e esclarecedoras a respeito do seu mal-estar.
Não sou contra o uso da medicação, porém não há dúvida acerca da banalização dessa forma de tratamento. Infelizmente, encontro livros de psicologia e matérias de jornais e revistas em que a participação do psicólogo nem de perto acrescenta o que deveria. Em geral, ele lamentavelmente se coloca como coadjuvante do tratamento psiquiátrico, que por sua vez promove a ideia de que a “cura” depende dos avanços da indústria farmacêutica. O que de fato ocorre é o contrário: se o paciente não se entregar ao tratamento psicológico, de baixo custo a longo prazo, a perspectiva será permanecer refém da medicação a vida inteira.

4 comentários:

  1. É mesmo pra se pensar...Falo pois utilizo Ritalina ha anos por ser hiperativa, e meu filho que tem Sindrome de Ásperger, para melhorar sua concentração e diminuir ansiedade e hiperatividade, também faz uso de Ritalina ha anos... Sem dúvida é um bom coadjuvante no tratamento, mas se não tivermos força de vontade pata tentar superar as dificuldades sem a medicação, o aumento da dosagm vai se fazendo necessário até chegar num ponto que fica complicado até para aviar uma receita de 10 caixas de 20 comp./pessoa. Por minha conta comecei a questionar a dosagem e a diminuir bem lentamente ao longo deste ano, e só depois que consegui perceber uma estabilidade comentei com o médico sobre a redução da dosagem, e o mesmo cedeu receitando menos... A conscientização não deve ser esperada somente por parte dos profissionais... Quem sofre os efeitos colaterais na pele, quer seja pela falta, uso ou abuso da droga somos nós...

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  2. Eu tenho TDAH e faço o uso de venvanse e ritalina.
    Eu resumo a minha vida em duas partes: Antes do tratamento e depois do tratamento.

    A de antes, eu faço questão de nem lembrar :)

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  3. Sou Psicóloga, tenho TDAH e por isso uso a Ritalina há 3 anos. Não tenho como descrever, em poucas palavras, como a minha qualidade de vida melhorou depois do tratamento.
    Acho legítima a preocupação com a banalização do uso dos medicamentos, mas tb me preocupa que o enfoque seja sempre esse. Sinto falta de reportagens/textos, que mostrem como o diagnóstico bem feito e o tratamento adequado ajudam as pessoas que possuem TDAH.

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  4. É triste a forma leviana como muitas vezes se diagnostica alguns síndromes e doenças do foro mental. Eu mesma durante algum tempo tomei medicação para uma suposta depressão, valeu-me o espírito crítico e o inconformismo: nunca acreditei no diagnóstico por isso procurei alternativas. Se ao menos perguntassem às pessoas qual o seu estilo de vida; quantos e quantos falsos diagnósticos andarão por ai? Assusta-me verdadeiramente que as pessoas levem vidas cada vez mais desregradas e depois procurem nos medicamentos a solução. Num estudo levado a cabo pelo psiquiatra Jorge mota Ferreira do Hospital Magalhães Lemos provou-se- e não é a primeira vez- que o exercício físico regular cura até a depressão crónica. Um estilo de vida saudável é, muitas vezes, quanto basta para fazer desaparecer ou minimizar muitos distúrbios da vida moderna.

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