quarta-feira, 12 de setembro de 2012

SIGMUND FREUD: A INVENÇÃO DA PSICANÁLISE

Durante sua temporada em Paris, Freud aprendeu com Jean-Martin Charcot o uso da técnica da hipnose, o que possibilitou identificar uma ligação entre os sintomas dos distúrbios psicológicos e a mente dos pacientes. Quando voltou para Viena em 1886, Freud já carregava com ele as primeiras ideias que desembocariam na psicanálise. 

Time Magazine - Freud
Reprodução
A atualidade dos pensamentos de Freud foi tema da capa da revista Time em 1993.

Alguns meses após sua volta, Freud casou-se com Martha Bernays, filha de uma proeminente família judia. Ele também iniciou uma profunda amizade com o médico alemão Wilhelm Fliess, que teria um papel importante no desenvolvimento da psicanálise ao debater com Freud algumas de suas ideias mais polêmicas, como a crença na bissexualidade humana e na sexualidade na infância.

Nessa mesma época, outra importante parceria de Freud iniciou-se com o médico Josef Breuer. Breuer tinha alguns anos antes tratado uma paciente chamada Bertha Pappenheim, que ficou conhecida como “Anna O”. Ela sofria de um tipo de histeria e Breuer descobriu durante o tratamento que o simples ato de verbalização da paciente parecia trazer um alívio, o que o levou a acreditar que “a fala cura”. O primeiro trabalho escrito por Freud, “Estudos sobre a Histeria”, foi desenvolvido junto com Breuer e publicado em 1896.

Freud também abriu seu consultório em Viena, o mesmo em que permaneceria por cerca de meio século. Com sua experiência clínica e a partir do entendimento mais aprofundado da experiência de Breuer, Freud desenvolveu sua técnica de “livre associação”, na qual o paciente expressa qualquer tipo de pensamento ou sentimento que surge em sua cabeça, sem nenhum tipo de autocensura. A investigação dos sonhos foi outro campo de estudo que Freud investiu desde o começo e junto com a técnica da livre associação formariam as primeiras noções fundamentais da psicanálise.

A técnica da livre associação e as dificuldades encontradas em sua aplicação, como os silêncios repentinos, repetições de certos sons e vícios de linguagem produzidos pelos pacientes, deram a Freud a ideia de que o inconsciente é um lugar onde um material desarticulado existente na psique humana fica normalmente escondido, esquecido e indisponível para a reflexão consciente. Isso por conta de sua incompatibilidade com os pensamentos conscientes ou pelos conflitos com outros materiais do próprio inconsciente. Freud percebeu a importância de compreender esse material inconsciente que lutava para se expressar, mas que enfrentava forte resistência na mente dos pacientes para emergir. Para ele, uma das mais presentes fontes dessa resistência estava na natureza sexual desses pensamentos e sentimentos. 

Em 1899, Freud publicou “A Interpretação dos Sonhos”, um de seus livros mais importantes.  Nele, Freud afirmou que todos os sonhos, mesmo os pesadelos, são cheios de desejos provenientes da libido, que está muito, mas não exclusivamente, voltada aos desejos sexuais. Os sonhos seriam então a expressão na mente da disputa entre os desejos e as proibições, já que ao dormimos os mecanismos de autocensura relaxam mas não deixam de existir. Segundo Freud, os sonhos precisam ser interpretados para alcançarmos seus reais significados.

No começo do século 20, Freud intensificou sua prática clínica e sua produção acadêmica com a publicação de suas descobertas numa série de livros fundamentais para o estabelecimento da psicanálise. Entre essas obras estão “A Psicopatologia da Vida Cotidiana” (1904) e “Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade” (1905).

O alcance das teorias freudianas foi além do campo terapêutico e chegou aos estudos culturais e sociais. Seus estudos sobre a religião, a cultura e a repressão produziram importantes contribuições para a compreensão desses fenômenos produzidos pela humanidade, como nas obras “Totem e Tabu” (1913), “O Futuro de uma Ilusão” (1927) e “O Mal-Estar na Civilização” (1930). Extrapolando suas descobertas clínicas para várias áreas da cultura, como a história, as artes, a sociologia e os estudos da religião, Freud nos legou a ideia de que a vida civilizada é um compromisso entre desejos e repressão.

Freud manteve seu consultório em funcionamento em Viena por cerca de 50 anos. Em 1938, quando o nazismo alcançou a Áustria, ele relutantemente mudou-se para Londres para nas suas palavras “morrer em paz”. Freud foi para a Inglaterra junto com sua esposa e sua filha favorita, Anna. Sigmund Freud, o pai da psicanálise e um dos mais importantes pensadores da história, morreu em 23 de setembro de 1939.


Fonte: Pessoas UOL

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