quinta-feira, 30 de agosto de 2012

WORK HARD/PLAY HARD


Por Lorena Bandeira

Outro dia estava assistindo um clipe na televisão de um rapper americano. A letra dizia basicamente que se deveria trabalhar muito e se divertir muito. Na mesma hora me questionei acerca do sentido do trabalho e a relação com o consumismo.

Hoje, trabalha-se para desfrutar dos prazeres que o consumo e o ethos da sociedade pregam. O foco hoje não é trabalhar por algo e ganhar dinheiro, mas trabalhar unicamente para ganhar dinheiro, como um fim. E o dinheiro termina sendo instrumento para manter um estilo de vida de status.

“Diamantes por todo o meu cérebro, cara
Relógios de ouro, corrente de ouro, cara
Champanhe de cem dólares, cara
Sim, meu dinheiro é uma loucura, cara
Sim, estou fazendo a chuva cair, cara
Mas acabei de sair de um avião, cara”

Queremos ganhar na loteria, para não ter de trabalhar e ter todos os prazeres que o mercado consumista pode fornecer. Saímos felizes para comprar, mas chegamos ranzinzas para o trabalho. A discussão do consumo recai sempre sobre o ter de Fromm, a efemeridade de Lipovétsky e a liquidez de Bauman. E no fim das contas o consumismo não é um ciclo vicioso, como a neurose? O que se questiona é se hoje o trabalho edifica o homem ou o dinheiro o ergue?