sexta-feira, 31 de agosto de 2012

ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL

O AUTOCONHECIMENTO E A INFORMAÇÃO NA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL: ENFOQUE NA ABORDAGEM SÓCIO-HISTÓRICA. 
Por Hudson Eygo

O texto traz uma reflexão acerca dos principais tópicos apresentados no livro: Orientação Profissional: A abordagem Sócio-Histórica de Silvio Bock, frisando especificamente a importância do autoconhecimento e da informação profissional na hora de o jovem escolher uma profissão.

Hoje, mais do que nunca, em nossa sociedade, os jovens vivem o grande desafio da corrida acelerada na busca da autoafirmação profissional com seu engajamento no mercado de trabalho. Considerando que a profissão escolhida ocupará dois terços da vida do jovem, uma decisão mecânica e, muitas vezes, de cunho emotivo, sem analisar a futura profissão de forma minuciosa, ponderando também questões subjetivas, aumenta a probabilidade de frustração quanto à carreira e a realização pessoal.

Silvio Bock alerta para o fato de que a escolha de uma profissão é resultado de toda a bagagem histórica e cultural do indivíduo. Desde a fase escolar a criança já faz menção do que almeja ser quando crescer, essa escolha está pautada em suas relações familiares e sociais, exercendo influência direta em seu futuro, e na forma como constitui sua individualidade.

O mercado de trabalho influência a escolha de uma profissão ao impor vagas que, nem sempre, vem de encontro com a aquilo que o individuo se identifica realmente. As leis de oferta e demanda de profissões acabam influenciando decisões de cunho emocional, visando apenas status social e retorno financeiro. A sociedade, as mídias televisivas e a família contribuem nessa decisão precipitada, obrigando o jovem a optar por profissões para as quais não tem nenhuma aptidão, gerando desgaste, stress e perca de um tempo, que muitas vezes, poderia ser mais bem empregado na busca pela profissão almejada.

O jovem sempre cria uma imagem idealizada de cada profissão. Sílvio Bock (2002) chama essa imagem idealizada de “Cara”.

A cara é resultado do contato direto ou não, como já afirmado, que ela teve com a área do profissional. Esta cara não é verdadeira nem falsa, não é nem mais próxima nem mais distante da realidade, não é correta ou incorreta, é simplesmente uma cara que deve ser trabalhada. As pessoas se identificam ou não com essas caras. É interessante perceber que essas caras são constituídas na interiorização e singularizarão do vivido, por isso são diferentes para cada pessoa. (BOCK, Orientação Profissional: A abordagem Sócio-Histórica, 2002, p. 81). 

A escolha profissional sempre remete a condição social do individuo, e serve como subsidio para reforçar no jovem sua identidade e posição social.

Para Sílvio Bock (2002), A Orientação Profissional, nesse contexto de escolha profissional, pretende proporcionar ao sujeito, meios de se autoconhecer, pois, segundo ele, só desta forma o jovem terá ferramentas necessárias para buscar uma profissão numa área com a qual se identifica, seja ela: humanas, exatas ou biológicas. Vale ressaltar que, por mais lógica e racional que seja a escolha profissional, não se pode afirmar que ela seja totalmente correta ou errada. No meio do percurso o indivíduo pode mudar de ideia, e descobrir uma nova profissão com a qual se identifica, surge nesse momento uma nova indagação: 
Mudar ou não de profissão?

A Orientação Profissional apenas diminui a probabilidade de uma frustração, proporcionando ao individuo meios para escolher de forma coesa a profissão com a qual mais se identifica, e sem ignorar informações relevantes a respeito dela, tais como retorno: financeiro, ofertas de vaga no mercado de trabalho, realização pessoal, etc. A esse respeito, Sílvio Bock (2002), afirma que: “A melhor escolha profissional é aquela que consegue dar conta do maior número de determinações para, a partir delas, construir esboços de projeto de vida profissional e pessoal”.

O autoconhecimento e a informação profissional, portanto, usados como método de prática da Orientação Vocacional, têm como objetivo auxiliar o sujeito quanto à escolha de uma profissão. Pois o mais importante não é apenas escolher uma profissão lucrativa, ou em uma área que se tenha afinidade. O casamento das duas alternativas é que proporcionará ao individuo melhor oportunidade de sucesso. Para Silvio Bock (2002), a escolha profissional é sempre um ato de coragem.




BOCK, Sílvio Duarte. Orientação profissional: a abordagem sócio-histórica. São Paulo: Cortez, 2002.