segunda-feira, 6 de agosto de 2012

EMPATIA NA SÍNDROME DE ASPERGER

Por Hebert Campos


Uma das definições de empatia, de Carl Rogers, diz que O estado de empatia, ou de entendimento empático, consiste em perceber corretamente o marco de referência interno do outro com os significados e componentes emocionais que contém, como se fosse à outra pessoa, em outras palavras, colocar-se no lugar do outro, porém sem perder nunca essa condição de “como se”. A empatia implica, por exemplo, sentir a dor ou o prazer do outro como ele o sente e perceber suas causas como ele a percebe, porém sem perder nunca de vista que se trata da dor ou do prazer do outro. Se esta condição de “como se” está presente, nos encontramos diante de um caso de identificação. Porém, de acordo com a psicóloga e escritora Valerie Gauss, a pessoa com Asperger não é intelectualmente capaz de inferir que o colega de trabalho que perdeu seu gato pode estar triste, especialmente no momento. Eles podem perceber estas horas mais tarde em casa. “Mas quando eles sabem que a pessoa está triste, eles são capazes de sentir essa tristeza sem qualquer dificuldade, talvez até mais intensamente do que as pessoas comuns”, disse ela. Em outras palavras, “eles têm empatia difícil de expressar de uma maneira convencional”.

A “frieza emocional” e déficit acentuado de empatia emocional é uma característica típica da psicopatia. Nas duas condições, psicopatia e Síndrome de Asperger, há alteração no funcionamento da amígdala cerebral. Mas o indivíduo com Asperger não pode ser caracterizado como “frio e calculista”, embora haja o desenvolvimento muito acentuado do pensamento racional e frequentemente não saiba expressar corretamente suas ações emocionais. Nesse ponto é interessante a diferenciação da empatia nos psicopatas de diferentes níveis e dos aspies. Pois os primeiros entendem – e, às vezes, dominam com excepcional destreza – o funcionamento e interpretação das emoções alheias, já os aspies não.

Alguns consideram que há três tipos de empatia – cognitiva, emocional e compassiva. Os aspies possuem déficit de empatia cognitiva e a empatia emocional preservada.

2 comentários:

  1. Sobre a última frase do último parágrafo, eu diria que nós, aspies, apresentamos déficit de empatia emocional, porém a empatia cognitiva é que permanece preservada, pois só podemos começar a compreender as emoções alheias a partir do que as próprias pessoas nos falam, já que a nossa compreensão do mundo e das coisas tende a ser muito mais literal do que a dos neurotípicos.

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  2. Sobre a última frase do último parágrafo, eu diria que nós, aspies, apresentamos déficit de empatia emocional, porém a empatia cognitiva é que permanece preservada, pois só podemos começar a compreender as emoções alheias a partir do que as próprias pessoas nos falam, já que a nossa compreensão do mundo e das coisas tende a ser muito mais literal do que a dos neurotípicos.

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