sábado, 18 de agosto de 2012

CATARSE, CACOS, RENDAS E RETALHOS


Luana Joplin


O texto não é nenhuma pesquisa, é só um aforismo, uma vontade de escrever e descrever cotidianos, fazer deles poesia, choro, riso,  só vontade de prazer.

Há certas músicas, cheiros, momentos, comidas e cores que me lembram  vertigens, letargias, prazeres....as vezes tudo  tem gosto de passado... Todavia não era assim o passado quando tinha som de presente. 

Eis ai, a inquietude de ser, não nos agradamos da beleza que temos, deformando assim a luz do espelho, transformando as cores dos cheiros, e comendo os momentos, como se esse fosse uma banquete descontente,  na esperança da sobremesa audaz, que nunca vem... Está posta a mesa, então...e demoramos para ver. 

Desligarei a tomada do ventre sem pensar se pode haver mais embriaguez de vida, pois não comove senti-lo sendo o futuro oco, o passado gostoso, e o presente em branco, escrevo, escrevo, escrevo...e não vejo o que produzo. 

Cegueira absurda! Não vejo o agora... Será que brilho tanto que não enxergo? 

Ou será q está tão escuro que nem noto? Várias fases vários túneis, capim, água... Ora pois bem, há dias que o banquete soa bem acomodado no meu quarto, no meu ombro... seu travesseiro é minha fadiga. E Vão abrindo a porta, vou passando, vou vivendo, vou entrando, vou saindo... nem vejo onde vai dar. 

Tem dia que não sei se entro pela garagem, ou pela cozinha, sei que de todas as portas que entro, nenhuma se parece com a porta da frente. Conhecimento, de que você me vale...conhecer a verdade não me inseri a nada mais,  neste rebanho, as hienas sorriem, as lebres correm, e o que fazem os ratos? Comem o resto dos porcos.

Hoje meu vinho virou água... meu sutiã perdeu  as rendas, meu ventre é um retalho, minhas pernas já não abrem, meus braço já não suspiram, minha boca já não tem mais gosto. De que vale tanto corpo, tanta fugacidade, se a beleza fica trancada, atrás do espelho, e o único som que soa como música é o pigarro, a tosse sedenta de prazer. Não parece familiar ver Dionísio, sua boca já não cheira uva, seu corpo é só poeira, e as noites não tem mais luzes. Levanto o clamor de bandeira: -Ai está meu afago, Manoel! Vou-me embora, este corpo já não tem mais graça, essa minha boca já não mais combina com meu batom, as pessoas não olham mais com os mesmos olhos, tudo parece opaco. Será que aqui em minha civilização, tudo andava enquanto eu dormia, e quando acordei todos decidiram que o brilho seria démodé? Vou seguir seu conselho Manoel: “Em Pasárgada tem tudo, É outra civilização”.



2 comentários:

  1. No ultimo folego de racionalização, escapa-se da passagem ao ato. A poesia ou o revolver!Ainda bem que decidiu pela primeira, assim, com toda modéstia nos presenteia com um relato dolorido que serve-nos de alento. Pois não és a única a sofrer, a angustiar-se diante da rarefação da subjetividade atual. Sem o estigma da patologia ou da naturalização, o relato parece apontar para o sofrimento sentido por aqueles que não se fazem circular pelas identificações e projeções psíquicas oferecidas pelo turboconsumismo*. Agora sim, um reinventar-se torna-se singularização.

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  2. *---* realmente adoro o que tu escreve nos leva a refletir e pensar ate porque a vida e cheia de enigma basta nos entender do jeito que queremos... o ficarmos preso ao mundo que nao chega nem tentar ultrapassar suas próprias fronteiras se contentando com apenas aquilo que os outros dizem ou falam sem procurar o que realmente lhes convêm..... gosto de tentar entender ate porque a vida nao é um mar de rosas e sim constantes perguntas... que apenas uma forma de responder, tentando...

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