terça-feira, 14 de agosto de 2012

A ESTRANHA NECESSIDADE DE ESTEREOTIPAR


Por Amanda Bragion


Estereótipo:

1. Modelo conceitual rígido que se aplica de forma uniforme a todos os indivíduos de uma sociedade ou grupo,apesar de seus matizes e divergências.

2. Coisa que não é original e se limita a seguir modelos conhecidos.

De onde vem tamanha necessidade de estereotipar as coisas? Falando sobre pessoas, tem-se o hábito de coisificá-las uma vez que as estereotipamos.

Quantas pessoas deixam de ser aquilo que realmente são vivendo em função do que estereotiparam para elas?

Viver demanda coragem; não só para fugir dos rótulos, bem como para não rotular. 

Quantas e quantas vezes caímos na cilada de rotular aquilo que causa estranhamento, que foge do cotidiano? É uma ação automática que fisga todas as pessoas ao menos uma vez, e quanto menos dá-se conta do ato cruel que é estabelecer um rótulo, um estereótipo, comete-se o erro seguidas e seguidas vezes. 

Por inocência? Ingenuidade? Talvez! 

Os ingênuos limitam-se no "para sempre", no "absoluto", apegam-se a isso como uma maneira de se defender daquilo que lhes parece tão ameaçador. 

O estranho assusta, mas como seria se não houvesse o que estranhar, se tudo fosse "o mesmo" o tempo todo? O que de novo surgiria, que evolução entre as pessoas aconteceria? 

Acontece que as pessoas têm medo daquilo que não é paupável, e por mais que as pessoas, que aquilo que é rotulado seja paupável, o fenômeno a ser estereotipado não é, e esse é o problema.

Fenômeno? 

Sim, aquilo que se torna evidente todo o tempo, que acontece, que se mostra. O fenômeno NERD, o fenômeno Falsa, o fenômeno Anoréxica, o fenômeno Gordo, o fenômeno Negro, e assim por diante. 

Quanto da vida de cada um se exclui ao rotular aquela pessoa como "X" coisa, isso ou aquilo. 

Onde fica, nesse momento, a individualidade, aquilo de mais pessoal e único que cada pessoa tem em si? Como fica a vida da pessoa que se perde em meio a tanto rótulo? 

Como viver de maneira tão imprópria?

Cedo ou tarde esse viver de maneira imprópria vai se manifestar, e isso pode vir como uma revolta, angústia, depressão, apatia, raiva, ansiedade demasiada... e aí, com isso poderá surgir novos rótulos: o revoltado, o depressivo, etc. 

Ao parar pra pensar sobre o assunto fica evidente o quão cíclico é o hábito de estereotipar. É um ciclo vicioso... vício. É um hábito que passa tão despercebido quanto escovar os dentes; automático e diário. 

Carregado de preconceitos vem um estereótipo. Não se rotula aquilo que é livre de preconceitos, pois nesse caso, aquilo que não pode ser rotulado é algo cheio de possibilidades, que pode aparecer a qualquer momento de qualquer maneira e ainda assim não causará estranhamento. 

Parando para pensar, então: Existe algo mais aberto para as possibilidades do que uma pessoa? Há algum outro fenômeno (que não o ser humano) tão aberto para mudanças e escolhas?

Porque, então, rotular aquilo que amanhã pode não se encaixar mais ao rótulo estabelecido?

Todos nós somos, portanto, uma constante possibilidade de ser, um constante sendo, e  desse modo, livres de qualquer rotulação estática.

Viver sem isso é, infelizmente, utopia.

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