segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A ESTÉTICA COMO EXPERIÊNCIA PERCEPTIVA


Por Amanda Bragion


O corpo, em todos os tempos, foi visto como um modo de expressão da existência humana. Através dele manifestam-se o existir, os sentimentos, a forma como se entende o mundo. Por meio do corpo é que se tem acesso ao mundo, a todas as experiências, às relações pessoais. Ninguém existe sozinho, mas em relação com o mundo, e este só existe quando os sentidos pessoais estão abertos às possibilidades. As experiências pessoais se manifestarão, por sua vez, através do modo de ser de cada indivíduo.

A experiência estética é um modo de se manifestar, de mostrar para o mundo os interesses, os ideais. A estética é uma experiência perceptiva, no qual cada um participa ativamente com sua sensibilidade, criatividade, seu corpo, seus afetos, sua imaginação. A estética, aqui, está ligada à subjetividade de quem cria a imagem, pois expressará sua própria relação com o mundo. Está ligada também à subjetividade do espectador, que experimenta sensivelmente aquele fenômeno, e o entende como objeto estético devido à carga social e histórica internalizada ao longo de sua vida.

A experimentação estética fica entre o corpo e sua relação com o mundo, ela nasce desta relação. Ela é uma abertura que possibilita novas sensações e sentidos às experiências. A estética é uma manifestação simbólica evidente no cotidiano realizada no corpo existencial, o coberto de significados, sujeito da percepção.

O que importa saber é que esse fenômeno é sempre relacional, dependerá essencialmente das experiências e significações pessoais, o que interfere também na concepção do que é belo esteticamente, já que isso dependerá das vivências e interpretação do expectador. Tais vivências é que determinarão o quanto vaidosa a pessoa será, o formato de corpo aceito para si, o estilo de vida que adotará, o que irá vestir, etc. O indivíduo, através da maneira como se apresenta, transmite alguma mensagem para quem o vê, e ao invés de perceber a diferença como uma barreira, a diferença estética pode ser vista como uma possibilidade, uma porta aberta ao outro.

A estética da existência não reconhece a realidade como um dado definitivo, mas como um movimento de criação constante em que todos podem participar.


Fonte bibliográfica: 

REIS, Alice Casanova. A experiência estética sob um olhar fenomenológico. Arq. bras. psicol.,  Rio de Janeiro,  v. 63,  n. 1,   2011 .   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-52672011000100009&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  22  ago.  2012.




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