quarta-feira, 29 de agosto de 2012

50 ANOS DE PSICOLOGIA

50 ANOS DE PSICOLOGIA NO BRASIL - MUITO A COMEMORAR, MUITO MAIS A FAZER
Por Rubia Luz


Este é o slogan da campanha do Conselho Federal de Psicologia para o ano de 2012.  Leio e fico a refletir sobre o que estamos falando. Como o sistema conselhos é uma autarquia, creio que isto deva representar o sentimento de toda uma classe.

A psicologia como atuação reconhecida, no Brasil, está completando meio século. É ainda muito jovem e sabe disto. Já é um bom começo! Afinal, uma profissão que se propõe a ajudar as pessoas no autoconhecimento, precisa, também, buscar o seu.

Então, eu trago esta análise para uma questão local e me questiono: o que temos a comemorar e a fazer em Rondônia?

Vendo uma entrevista do professor da Universidade Federal de Rondônia, Juliano Cedaro, fiquei sabendo que a procura pela formação em psicologia cresceu muito nos últimos 10 anos: de uma faculdade, saltamos para 09, no estado inteiro, 03 somente na capital.

Em conversa com a Presidente do CRP20 – Seção RO, recebi a informação de que o número de inscritos também cresceu: de aproximadamente 400, saltamos para 800!
Mais 200 inscritos e já poderíamos ser uma seção independente. Por esta informação é possível inferir que o número de psicólogos que ingressam, anualmente, no mercado é de aproximadamente 40.

Numa pesquisa informal, levanto uma média salarial dos psicólogos que são funcionários públicos e descubro que, os salários variam, em média, entre R$1.300 a R$ 2.400, que podem ser acrescidos de gratificações. Os mais baixos concentram-se em serviços prestados aos municípios e os mais altos à justiça.

Também percebo que a oferta nas redes particulares vem crescendo. Só este ano, recebi 06 e-mails oferecendo vaga para psicólogos, quase uma por mês. Sem contar com os convites informais.

Ou seja: Temos a comemorar o crescente interesse pela profissão, uma ligeira melhora nas remunerações e uma demanda que ainda tem espaço de sobra para absorção. Sem contar com as vitórias de toda classe para o país inteiro: redução da carga horária, a validação dos testes psicológicos em concursos públicos, dentre outros.

No entanto, o próprio slogan indica que temos muito mais a fazer... E, a mim, o que incomoda é a desunião da classe. Desunião que nasce ainda na formação, quando optamos por uma abordagem ou área de atuação, e se mostra assustadora na ausência constante da participação de profissionais nas lutas por nossos direitos e no fortalecimento da classe.

Lembro-me de que, quando em estágio, um grupo em Psicologia de orientação analítica entrou em conflito com o grupo da Análise centrada na pessoa. Depois de muitas queixas e manifestos publicados nas paredes da clínica escola, a decisão de não colarem grau no mesmo dia e espaço. Sim, eu sei que, em boa parte das vezes nos referimos de forma jocosa em relação às áreas de atuação e abordagens, mas, esta brincadeira, não raro, revela-se em verdade que divide e desrespeita.

No tocante às autarquias e sindicatos, a maioria demonstra ignorar suas funções, queixa-se de coisas que não são suas atribuições, não participa de plenárias e critica aqueles que, gratuitamente, se propõem a fazer alguma coisa. Somos, em maioria, inadimplentes, ausentes e críticos corrosivos.

Nossas críticas contra sindicatos e conselhos costumam ser descabidas, maliciosas e ditas publicamente de maneira a denegrir ou desqualificar, quando deveriam ser feitas diretamente aos nossos representantes, preferencialmente em forma de documento, sugerindo, solicitando, ou até mesmo exigindo melhorias.

Existe, ainda, uma ferida escondida por baixo dos panos da liberdade: a maioria de nós não usa os nossos próprios serviços. Quero dizer que, estudantes de psicologia e profissionais que buscam fazer terapia, infelizmente, são poucos... Por muitas vezes esse tema já foi discutido em plenárias nacionais e locais e sempre chegamos à conclusão de que não se deve obrigar o psicólogo a fazer terapia. Nisto eu concordo.

Mas, não podemos negar que é um contra senso achar que só o outro precisa!
O outro aspecto gritante, que precisa ser feito é ocuparmos os espaços existentes para nós. Ainda sonhamos com as clínicas e nos negamos a ir às escolas, hospitais, oferecer serviços na ária social, irmos ao trânsito. Um exemplo disto é a tal oferta da qual comentei no início deste texto; no caso dos 06 e-mails que recebi, todos ofereciam vagas na área organizacional.

Sim, precisamos nos respeitar para exigirmos respeito. Precisamos nos conhecer para sermos conhecidos, precisamos tomar posse do que é nosso, antes que os aventureiros lancem mão!

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