segunda-feira, 23 de julho de 2012

NOSSOS CORPOS NÃO SÃO MERCADORIAS

A MULHER E A MÍDIA

Por Jonathan Hirano
 
O Centro Acadêmico Arlindo Pasqualini, CAAP – PUCRS, realizou, neste 8 de março, o debate Mulher e Mídia, com as militantes feministas Luany Barros – estudante de enfermagem e militante da ENEENF, e Flavia Alli – jornalista e ex militante da ENECOS. As convidadas abordaram o papel da mulher na mídia burguesa e a televisão enquanto instrumento de alienação da classe trabalhadora.

O espaço foi iniciado com uma saudação das militantes às 500 trabalhadoras demitidas da Fundação Riograndense de Gastroenterologia (FUGAST), em 08 de março de 2011 – quando o governador Tarso Genro (PT) colocou na rua 500 trabalhadores terceirizados da saúde de Porto Alegre, sendo maioria destes mulher, acima de 40 anos; e abrindo um rombo na saúde pública municipal; e às mulheres do Movimento 89 de Junho da PUCRS, que durante o ano de 2011 foram espancadas, abusadas, vítimas de racismo dos integrantes do DCE da PUCRS, ligados ao vereador Mauro Zaccher (PDT), responsável por desviar milhões de reais no esquema do Pró-Jovem.

Luany Barros resgatou o protagonismo das mulheres nos processos revolucionários na História, os avanços que as mulheres tiveram em muitos países como França e Rússia. Também, os levantes e as revoluções ocorridos em 2011, como a Primavera Árabe e a importância da organização da mulher nestes processos. A estudante contrapôs o estereótipo colocado pela grande mídia do papel da mulher, e a mercantilização do corpo, bem como o racismo contido nos conteúdos televisivos.

A violência à mulher, reflexo da dominação do homem sobre a mulher, foi bastante debatida pela mesa e pelos estudantes presentes. O caso de estupro no Big Brother Brasil traz a irresponsabilidade da emissora na emissão ao socorro da vítima, e na manipulação de imagens, ideologizando o ato de estupro, tornando-o natural, – individualizando e criminalizando a mulher, como se esta não tivesse direito ao próprio corpo, em que a ação do homem seria consequência disso, ou seja, à força.

Nesse sentido, Flavia Alli, ex militante da ENECOS, trouxe para o debate a democratização dos meios de comunicação, uma das principais bandeiras da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (ENECOS). A televisão, que hoje está em quase 100% do território brasileiro, tem como principal canal de audiência a rede globo. Pesquisas revelam que após a massificação da banda larga nas periferias (pelo Projeto Democrático Popular – PT), o principal site acessado pelos setores que estão à margem da sociedade, em busca de notícia, também é da rede globo.  Portanto, “a democratização dos meios de comunicação, que parte da lógica individual, que cada um poderá ter seu veículo, não acabará com as opressões históricas que sofremos, uma vez que é a mídia burguesa a detentora dos meios de produção;  e todas as esferas da sociedade foram educadas na lógica da exploração do homem pelo homem, e do sexismo colocado para que não nos enxerguemos enquanto classe trabalhadora”, diz Flavia.

Dessa forma, o sistema capitalista se reiventa a todo o momento, se apropriando de opressões históricas e adaptando-as, ou criando novas, conforme surgem as necessidades do homem. “Precisamos defender o controle social da mídia, mas entender que ele por si só não acabará com o machismo, o feminicídio, ou os ataques sejam físicos, sejam psicológicos cotidianamente às mulheres”, finaliza a jornalista.

A atividade contou com a participação de estudantes do curso de Serviço Social e Psicologia da PUCRS, e estudantes da UFRGS. O vídeo produzido pela Frente Feminista da PUCSP contra o trote machista foi assistido pelos presentes – bem como as cartilhas Manual das Flores, produzidas pelo setorial de mulheres da ENECOS, distribuídas. Neste 8 de março (texto antigo), saudamos a todas as mulheres que continuam na luta pela emancipação da mulher da mulher na sociedade, contra o machismo, contra o racismo,  contra a homofobia, contra o capital


Fonte: Barricadas Abrem Caminhos


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