segunda-feira, 11 de junho de 2012

FELICIDADE EMBALADA


Por Lorena Bandeira


Nos tempos hipermodernos, o homem busca algo incessantemente, quase como se isso fosse sua razão de viver a ser alcançado até o fim da vida: a felicidade. Esse se tornou o valor fundamental da vida dos seres humanos, ser feliz.

A sobre-exposição da felicidade é cada vez mais evidenciada nas relações sociais... como se ser feliz não fosse a consequência de algo, mas, sim, a causa: “Isso só dá certo na vida de fulano porque ele é feliz” ao contrário de “Aquilo deu certo na vida de fulano, portanto, ele está feliz”.

Ser feliz então seria o segredo para alcançar as coisas que desejamos, como se O divino fosse nos observar e dizer: “Fulano é feliz, darei tudo o que ele deseja”. Não funciona bem assim, pensar positivamente é totalmente diferente de demonstrar “falsamente” a felicidade.

Na verdade, em termos sociais a felicidade funciona mais como um sinal de ascensão. Quanto mais feliz alguém for, significa que mais bem-sucedido (seja no campo pessoal, profissional) ele é. E como vivemos numa sociedade propriamente competitiva, passamos a medir até o grau de nossa felicidade. Quanto mais felizes demonstrarmos ser, significa que mais feliz somos. Será?

Até que ponto essa sobre-exposição de felicidade serve para incitar as noções de inferioridade e superioridade nas relações sociais ou evidenciando o próprio vazio existencial de quem se demonstra uma felicidade quase que patológica?

E afinal de contas, o que é felicidade?

Um comentário:

  1. O mais grave é que hoje se vende a felicidade.Ela está nas coisas inanimadas o que faz dos objetos fetiches. E quanto mais caro maior a felicidade.O pior ainda é que tudo isso acontece e parece tudo muito natural incapaz de ser refletido ou questionado.Penso que a felicidade virou mercadoria e leva a um status social.Por fim podemos pensar como a industria cultural cria e desenvolve valores de forma muito eficaz.

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