quinta-feira, 24 de maio de 2012

VOCÊ CONHECE A NEUROPSICOLOGIA?


NEUROPSICOLOGIA
Por Jéssica Fernanda


A neuropsicologia é um ramo da psicologia que se interessa pelo estudo da relação entre cérebro e comportamento (LURIA, 1981). Talvez esta seja a definição mais utilizada pelos autores atualmente e possivelmente a que mais se aproxime do que vem a ser este campo de estudo.

O termo neuropsicologia foi utilizado pela primeira vez em 1913 em uma conferência proferida por Sir William Osler, nos Estados Unidos. Apareceu ainda como um subtítulo na obra de 1949 de Donald Hebb chamada “The Organization of Behavior: A Neuropsychological Theory.” (KRISTENSEN, ALMEIDA e GOMES, 2001).

Inicialmente os estudos da neuropsicologia estavam voltados mais para as conseqüências comportamentais e cognitivas ocasionadas por lesões cerebrais mais específicas (PORTELLANO, 2005). No entanto, hoje em seus estudos a neuropsicologia busca investigar as funções cerebrais superiores inferidas a partir do comportamento cognitivo, motor, sensorial, emocional e social dos indivíduos (COSTA et al., 2004).

Ainda conforme Costa et al. (2004) propõe-se que é a partir do conhecimento do desenvolvimento normal do cérebro que se pode compreender suas alterações, como: disfunções cognitivas e comportamentais resultantes de lesões, doenças ou desenvolvimento anormal do cérebro.

Como área específica de estudo, a neuropsicologia tem um caráter relativamente recente, embora sua fundamentação científica venha de várias décadas de estudos e investigações (KRISTENSEN, ALMEIDA e GOMES, 2001).

Entretanto, o reconhecimento formal da neuropsicologia no Brasil só veio em 2004, com a resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que passou a regulamentar esta especialidade aos psicólogos (Resolução 02/2004)

A resolução 02/2004 (CFP) propõe que a atuação do neuropsicólogo deve ser pautada no acompanhento, no tratamento e na pesquisa da cognição, das emoções, da personalidade e do comportamento sob o enfoque da relação entre estes aspectos e o funcionamento cerebral.
           

FUNÇÕES E AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA

De acordo com Ambrózio et al. (s.d.) a avaliação neuropsicológica busca investigar quais são as funções neuropsicológicas que estão envolvidas em processos cerebrais mais complexos.

A avaliação neuropsicológica é considerada procedimento fundamental, por exemplo, no diagnóstico diferencial de demências, na investigação da natureza, grau e extensão de diversos quadros neurológicos, bem como para o planejamento de intervenções direcionadas aos déficits cognitivos e comportamentais identificados no processo de avaliação (MIOTTO, 2007).

Deste modo faz-se necessário o conhecimento de quais são estas funções avaliadas pela neuropsicologia, o que elas compreendem e a que estão relacionadas.
            
Segue-se abaixo uma breve descrição das funções cognitivas investigadas em uma avaliação neuropsicológica:



AMBROZIO et al. (s.d.)
            

A investigação destas funções permite a visualização das dificuldades e potencialidades dos pacientes. Os resultados desta, geralmente são descritos através de um check list, que consiste na descrição das funções cognitivas avaliadas.
            
Dentre as práticas da neuropsicologia a avaliação neuropsicológica consiste em apenas um dos campos de atuação. Esta, também conta com campos como a reabilitação neuropsicológica e as áreas de pesquisas, as quais encontram-se também em pleno desenvolvimento.
            
Atualmente os desafios da neuropsicologia no país é expandir seu campo de atuação em diversos Estados e realizar pesquisas, contribuindo assim com o avanço desta área em âmbito nacional e internacional.
            
Deste modo, finalizo com a frase de uma importante Neuropsicóloga que propõe: “O futuro da neuropsicologia no Brasil dependerá em grande parte da capacidade, dedicação e eficiência dos novos profissionais que se especializarão neste campo” - Eliane Correa Miotto.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COSTA, D. I., Azambuja, L. S., PORTUGUEZ, M. W. et al. (2004), Avaliação
neuropsicológica da criança. Jornal de Pediatria, 80 (4), p.111-116.

KRISTENSEN, C.H.; ALMEIDA, R.M.M.; GOMES, W.B. (2001). Desenvolvimento Histórico e Fundamentos Metodológicos da Neuropsicologia Cognitiva. Psicologia: Reflexão e Crítica, 14(2), p. 259-274.

AMBRÓZIO, C.; RIECHI, T.; BRITES M.; JAMUS, D.; PETRI, C.; ROSA, T; FAJARDO, D. Neuropsicologia teoria e prática. Disponível em: < http://www.proec.ufpr.br/enec2005/download/pdf/SA%DADE/PDF%20SAUDE/45%20-%20NEUROPSICOLOGIA%20TEORIA%20E%20PR%C1TICA%20-%20rev.pdf>. Acesso em: 21 de maio de 2012.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução 02/2004. Disponível em: < http://www.crp11.org.br/legislacao/resolucoes/federais/2004/resolucao2004_2.pdf>. Acesso em: 21 de maio de 2012.

PORTELLANO, J.A. Introducíon a la neuropsicología. MCGRAW-HILL/INTERAMERICANA DE ESPAÑA, S. A. U, Madrid: 2005.

MIOTTO, E.C.; LUCIA, M.C.S.; SCAFF, M. (Organizadores). Neuropsicologia e as interfaces com a Neurociência. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011.

LURIA, A.R., (1981), Fundamentos de Neuropsicologia, São Paulo: Editora da
Universidade de São Paulo.

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