sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

ANSIEDADE


Por Leila Gracieli


Salve, salve queridos leitores da coluna Comporte-se. Saudades? Eu também! Decidi iniciar este texto fazendo uma crítica. Crítica ao preconceito entre as diferentes correntes teóricas existentes dentro da ciência Psicologia. Creio que acima dos postulados teóricos encontra-se nosso alvo de estudo que é o SER HUMANO e que auxiliá-lo em meio aos seus conflitos e devaneios está infinitamente além de qualquer abordagem. Como, bem disse Jung: “Conheça TODAS as teorias, domine TODAS as técnicas, mas quando entrar em contato com uma alma humana seja apenas outra alma humana!” Fica aqui expresso meu apresso por este blog que, de um modo peculiar, une todas as teorias e divulga pelo mundo o que vem a ser essa tão falada Psicologia (adoooro). Seja você, leitor, psicólogo (a), estudante, interessado, curioso ou etc, vamos ao que interessa! Hoje vou falar (um pouco) sobre o constructo “ansiedade”, à luz da teoria behaviorista radical.

Todos nós, reles seres mortais, ficamos ansiosos frente às mais variadas situações, por exemplo: provas, acidentes, entrevistas de emprego, casamentos, defesa de tcc e etc, mas o que vem a ser essa tal ansiedade?  

(cientificamente falando)... O conceito de ansiedade é de complexa definição porque é utilizado de forma imprecisa acarretando divergências conceituais e metodológicas (COELHO e TOURINHO, 2008).  O termo faz referência a eventos bastante diversos, tanto no que diz respeito aos estados internos (pensamentos e emoções), quanto aos processos comportamentais que produziram tais estados (situações/pessoas). Todavia, o constructo vem sendo definido como um estado emocional desagradável, acompanhando de desconforto somático (ZAMIGNANI e BANACO, 2005). 

Gostaria de ressaltar que existem divergências dentro da análise comportamental acerca do constructo ansiedade e que por isso ele foi dividido em duas vertentes, uma que aborda os operantes não verbais e outra com foco nos operantes verbais (COELHO e TOURINHO, 2008). Todavia, não vou entrar em detalhes, mas POR FAVOR, busquem maiores informações vide as referências no final do texto.

(continuando...) A mensuração científica acerca do conceito de ansiedade indica um estado que envolva: excitação biológica ou manifestações autonômicas e musculares (taquicardia, respostas galvânicas da pele, sensação de sufocamento, sudorese e tremores nas mãos); redução na eficiência comportamental (decréscimo em habilidades sociais, dificuldades de concentração); respostas de fuga ou esquiva e relatos verbais de estados internos desagradáveis (angústia, insegurança, mal-estar indefinido, apreensão, etc.) (GENTIL, 1997 apud ZAMIGNANI e BANACO, 2005).

O senso comum, o que inclui os clientes que vem à terapia, descreve verbalmente o estado de ansiedade por meio de sensações físicas, tais como “frio na barriga”, “coração apertado”, “nó na garganta”, “suor nas mãos” e sensação de estar paralisado (ZAMIGNANI e BANACO, 2005). Acredito que ninguém gosta de sentir o referido “friozinho na barriga”, que parece não passar NUNCA. 

Quando o nível de ansiedade limita-se ao “frio na barriga” até que vai, o problema é quando a ansiedade chega a níveis mais elevados, passa a ser severa, trazendo prejuízo à vida da pessoa em diferentes situações. Contudo, a linha divisória entre o que é “normal” e o que é “patológico” é muito tênue.    

Comportamentos ansiosos acompanham comportamentos de fuga ou esquiva, podendo variar de intensidade, envolvendo respostas fisiológicas e modificações a nível operante (SKINNER, 2003). Titio Skinner quis dizer que é comum frente a situações que nos causam ansiedade (desconforto, coração acelerado, tremores, suor nas mãos, etc) que queiramos, obviamente, fugir ou ao menos nos esquivarmos. Vamos ser sinceros, quando levamos um fora ou pagamos um mico gigante ficamos ansiosos pra sumir, num é? Pois é, fuga/esquiva.

De acordo com a teoria analítico-comportamental a ansiedade é uma resposta a estímulos ambientais instalada no repertório do organismo sob o controle de contingências aversivas experienciadas anteriormente (MOREIRA, 2007). C-A-L-M-A, vou tentar traduzir, isto quer dizer que: agir/sentir-se ansioso nada mais é do que responder a uma situação que foi, em outra situação (igual ou semelhante) interpretada como aversiva (ruim) pela pessoa e por isso elicia quadros de ansiedade.

A ansiedade não é a causa dos comportamentos e sim um conjunto de comportamentos emitidos sob o controle de determinadas contingências (SKINNER, 1969). O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV, 2002) descreve os sintomas que identificam os transtornos ansiosos, a saber: taquicardia, falta de ar, sensação de desmaio, apreensão, medo do ridículo, perda de interesse e de motivação, esquiva das situações habituais da vida e procura de companhia. A título de conhecimento, o referido manual classifica os transtornos de ansiedade das seguintes formas: 1) Ataque de pânico; 2) Transtorno do Pânico; 3) Agorafobia; 4) Transtorno do Pânico com agorafobia; 5) Fobia específica; 6) Fobia social; 7) Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC); 8) Transtorno de estresse pós-traumático; 9) Transtorno de estresse agudo; 10) Transtorno de ansiedade generalizada; 11) Transtornos de ansiedade devido a uma condição médica geral; 12) Transtornos de ansiedade induzido por substâncias, e, 13) Transtornos de ansiedade sem outra especificação.

Existem ainda os denominados “subprodutos da ansiedade” como, por exemplo, o transtorno erétil masculino, que é associado com a emissão de comportamentos públicos ansiosos frente à possível obtenção de reforçadores primários (sexo), incluindo o medo do fracasso e uma significativa redução do prazer e da excitação sexual. Nesses casos de disfunção ou impotência, meus queridos, os homens ficam tão ansiosos que não conseguem manter a ereção por tempo suficiente e dependendo do nível de ansiedade, nem chegam a ter uma ereção ou a tem rápido demais. =(

Quando não é por um problema orgânico o problema é sim psicológico, a pessoa, neste caso o homem, desenvolveu um quadro ansiogênico frente a situações que envolvam sexo. Os motivos que geraram os comportamentos ansiosos só a pessoa vai poder dizer, mas pode ser vergonha do pênis, ‘medo’ de sofrer ou ser traído entre uma infinidade de possibilidades. Cada pessoa é ÚNICA e só ela sabe o porquê de se comportar da forma como se comporta. A Psicologia existe, creio eu, para ajudar os clientes/pacientes a entenderem seus próprios porquês para a partir das respostas obtidas buscarem soluções eficazes para solucioná-los. Deste modo, conhecer os as situações desencadeiam comportamentos ansiosos e aprender a identificá-las é um bom começo.

A ansiedade, quando em excesso, tem tratamento e caso tenha se identificado com algum sintoma não fique procurando “cura” na internet... a única coisa que deve ser procurado é um profissional! É ele quem é competente para, realmente ajudar! Leia mais sobre o assunto em: 

Manual diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV). American Psychiatric Association. trad. Cláudia Dornelles; - 4.ed.rev. – Porto Alegre: Artmed, 2002.
ZAMIGNANI, D. R. e BANACO, A. R// Um panorama analítico-comportamental sobre os transtornos de ansiedade// Rev. Bras. de Ter. Comp. Cogn. 2005, Vol. VII, nº 1, 077-0920. Disponível em:  http://www.terapiaporcontingencias.com.br/pdf/outros/transtornos_de_ansiedade_banaco_zamignani_portugues.pdf. Acesso em 02/05/2011.

Continuem lendo a coluna “Comporte-se” e sintam-se livre para fazer questionamentos, apontamentos... enfim, vamos trocar figurinhas e assim construirmos juntos nossa Psicologia que ainda é um Psicoquê?! Beijo, beijo.


REFERÊNCIAS

BRANDÃO, M.Z.S. Terapia comportamental e análise funcional da relação terapêutica: estratégias clínicas para lidar com comportamento de esquiva. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva V.1 nº 2, 179-187 1999. Disponível em: < http://www.psicc.com.br/upload/artigo/17.pdf>. Acesso em 29 nov 2011.
COÊLHO, N. L. e TOURINHO, E. Z. O conceito de ansiedade na análise do comportamento. Revista Psicologia Reflexão e Crítica. Vol.21 Porto Alegre 2008. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-79722008000200002&script=sci_arttext Acesso em 03/12/2011.
SKINNER, F. B. Ciência e comportamento humano. 11 ed. Martins Fontes, São Paulo, 2003.
BORBA, A., TOURINHO, E. Z. Usos do conceito de eventos privados à luz de preposições pragmatistas. Estudos de Psicologia, V. 14(2), maio-agosto (20090. Pág. 89-96. Issn (versão eletrônica): 1678-4669. Disponível em:<www.scielo.br/epsic>. Acesso em 03/12/2011.
ZAMIGNANI, D. R. e BANACO, A. R// Um panorama analítico-comportamental sobre os transtornos de ansiedade// Rev. Bras. de Ter. Comp. Cogn. 2005, Vol. VII, nº 1, 077-0920. Disponível em: http://www.terapiaporcontingencias.com.br/pdf/outros/transtornos_de_ansiedade_banaco_zamignani_portugues.pdf Acesso em 02/05/2011.




2 comentários:

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