sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

2012 O ÚLTIMO CARNAVAL?

CONSUMO CARNA(L)VAL

Por Lorena Bandeira


Blogagem coletiva Fim do MundoÉ Carnaval. Os abadás são fabricados, as fantasias, as máscaras. Mas será que, ao contrário de nos mascarar, será que não estamos nos revelando? E que relação o consumo tem com isso?

O carnaval já era uma festa comemorada na Grécia, antes mesmo da Igreja adotá-la como comemoração. No entanto, foi através da Igreja que a festa foi denominada de Carnaval, que era o período em que a carne era consumida pela última vez, antes da Quaresma. No Brasil e no mundo, diversas festas carnavalescas são realizadas, com um ponto em comum: liberdade e consumo carnal.

Sim, consumo. Bauman (2008) já apresenta que o homem vive para o consumo, é um ato natural do homem, o fato de consumir. O que é novidade é o consumismo que, grosso modo, é caracterizado como o consumo desnecessário. Para o autor, o consumismo não é evidenciado como um ato para satisfação de vontades de uma pessoa, unicamente, mas “a um volume e intensidade de desejos sempre crescentes, o que por sua vez, implica o uso imediato e a rápida substituição de objetos destinados a satisfazê-la” (BAUMAN, p.44, 2008).

Substituição: ato de suprir uma coisa por outra, trocar, mudar. Soa familiar? Carnaval é a festa onde a liberdade de poder ter vários parceiros, provar de vários corpos, experiências, bebidas, músicas, de tudo um muito. As relações de Carnaval nos reportam à teoria de Bauman das relações de bolso e sua liquidez e à teoria da sociedade hipermoderna de Lipovétsky (2006).

Para o autor, a sociedade tem se modernizado cada dia mais, pautada num nível de efemeridade cada vez maior, com um princípio básico: o hedonismo. A individualidade é cada vez mais propagada, levando-o à busca de satisfações para si, com um nível de intensidade e a vibração de suas experiências como o fator mais importante, sendo sempre renováveis. Torna-se uma busca eterna de renovação do presente, da juventude, sendo o futuro pouco considerado no que diz respeito ao homem hipermoderno.

Quanto mais experiências, maior renovação, maior efemeridade, mais isso satisfaz o homem hipermoderno e no Carnaval essas a intensidade dessas características se eleva e seu tempo de duração diminui. Um relacionamento provisório (ficada) que, em outros períodos do ano duraram uma noite ou um mês, no Carnaval, duram de cinco segundos a cinco minutos.

Toda essa efemeridade tem uma relação forte, claro, com o Id, sim, ele mesmo. Pois no carnaval não existem Pierrôs (sentimentalismo e ingenuidade). Só Colombinas e Arlequins. É uma festa cheia de libido, onde o super-ego não tem ingresso garantido, a não ser na Quarta-feira de Cinzas, onde a ressaca surge e a normalidade do uso das máscaras do dia-a-dia é retomada.


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Este texto faz parte da que pode ser a última blogagem coletiva do http://scienceblogs.com.br

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