segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA


OPÇÃO SEXUAL NA ADOLESCÊNCIA E O CONHECIMENTO SOBRE A SEXUALIDADE



A opção sexual do adolescente e as experiências sexuais na definição e na satisfação dos desejos sexuais.

É perante a definição da necessidade de satisfação genital que se reativa e intensifica a atividade masturbatória iniciada na infância precoce, como uma tentativa desesperada  do indivíduo de manter-se na bissexualidade.

A intensidade do conflito gerado pela metamorfose corporal e o incremento da genitalidade explica a intensidade dessa atitude e suas características mais angustiantes na adolescência.

A sexualidade durante a adolescência, evolui do auto-erotismo (em que está presente o processo masturbatório como atividade lúdica, exploratória e preparatória), para a heterossexualidade, com uma instrumentação genital próxima ao adulto (Knobel, 1981).

Neste sentido, e parcialmente seguindo as idéias de Erikson (1956, apud Knobel 1981), é possível definir a genitalidade adulta como o exercício pleno da capacidade libidinal de um indivíduo, mediante a colocação em jogo dos elementos remanescentes de todas as etapas do amadurecimento psicossexual, como a elevação máxima do nível genital com outro indivíduo do sexo oposto e com a aceitação subentendida da capacidade de procriar, sempre que as condições sócio-econômicas da realidade externa o permitirem, integrando assim uma constelação familiar com os papéis adultos correspondentes.

Pode-se definir adolescência como uma fase do desenvolvimento humano pela qual todos passam, e que corresponde à fase de transição entre a infância e a vida adulta, ocorrendo na segunda década da vida (10 – 20 anos); caracteriza-se por transformações anatômicas, fisiológicas, psicológicas e sociais em direção à maturidade biopsicossocial.

A proposta realizada no início deste século em relação à revisão que se deveria fazer em termos de compreensão da sexualidade humana e dos tabus existentes não foi compreendida e sim desprezada. A sociedade atual caminha para uma espécie de abordagem e propaganda da sexualização em todas as esferas da atividade humana. Sabemos que o homem como ser colocado na escala animal tem uma necessidade sexual programada instintivamente dentro de si, como as principais finalidades de continuidade e reprodução da espécie, e, portanto de conservação do ser humano neste planeta, porém a erotização humana se estabelece, também, em função de necessidades puramente psicológicas e nós temos que compreendê-las dentro de alguma visão operacional, a fim de atuarmos mais adequadamente na compreensão e orientação de nossos filhos (Grünspun H. s/d).

Baseando-se nas idéias e conceitos de Tiba (1981), nos moldes atuais, observa-se que as relações heterossexuais entre os adolescentes estão se tornando cada vez mais superficiais. Percebe-se que este comportamento demonstra uma certa insegurança ao se relacionarem com outras pessoas. Um efeito nítido desta insegurança é o que poderíamos chamar de: a geração do FICAR. Em termos mais claros, o “ficar” é uma relação de afeto momentânea, com o intuito de obter um contato físico ao beijar e abraçar, sem ter que, posteriormente, assumir uma responsabilidade maior com o parceiro. Esse tipo de atitude, é que a maioria dos adolescentes de hoje em dia prefere ter, em vez de se engajarem em um relacionamento com mais profundidade e envolvimento emocional.

Esta superficialidade nos relacionamentos heterossexuais dos adolescentes dos dias atuais, pode ser um reflexo dos ensinamentos familiares em relação aos aspectos construtivos e educacionais transmitidos e introjetados na vida do adolescente, que se fundamentaram e contribuíram na estruturação e na  formação da identidade e personalidade do mesmo.

Num estudo realizado numa cidade da região Sul do Brasil no ano de 1997,  foi pesquisado como se constitui a identidade sexual durante a adolescência. Este estudo teve como amostra 101 adolescentes entre 14 e 20 anos, do sexo feminino, que freqüentavam instituições de ensino públicas e particulares  de primeiro e segundo graus e de uma  Universidade local.

O instrumento utilizado para a coleta de dados consistiu de um questionário que foi elaborado com base na prática profissional e na literatura consultada, com questões relacionadas ao comportamento sexual, impressões sobre a educação, expectativas de namoro, casamento e início da atividade sexual, desejos, excitações e orgasmo, incidência de doenças sexualmente transmissíveis e AIDS, uso de drogas, conhecimentos sobre reprodução humana, além da opinião das adolescentes sobre o amor e o sexo, masturbação e sexo oral.

Como principais resultados da pesquisa tem-se que as adolescentes que se encontram na faixa etária de 14 a 20 anos e situam-se  entre a 8ª série do 1° grau e o 1° nível do curso superior; 78.43% não possuem outra atividade além do estudo; 21.57% ocupam-se de atividades de baixa remuneração.

A maioria das adolescentes entrevistadas estava namorando e a escolha do parceiro foi feita por elas; 28.71% referiram ter tido dois namorados; 18.91% três namorados; 15.84% um namorado e apenas 10.90% não tiveram namorado ou deram outras respostas; 40% das adolescentes entrevistadas responderam que o namoro tem durado em média menos de um ano, 37% um ano ou mais, as outras 23% deram outras respostas.

Quanto ao casamento, 68% responderam que desejam casar-se, 24% não sabem e 6% não desejam casar-se. Quanto aos motivos para casar, 15.12% referem o desejo de ter vida a dois, 7.5% de ter filhos; e 4.20% de ter segurança.

Referindo-se ao que pensam sobre o amor, as adolescentes responderam, em 67.86% dos casos, que é algo profundo, forte, inexplicável, maravilhoso; 21.43%, bonito, sério, “superlegal”, leva à renúncia, uma loucura.

Quanto ao amor de seus pais, as adolescentes responderam, em 71% dos casos, que seus pais se amam; 13% que não se amam; 12% que não sabem; e 4% não responderam. No que se refere ao amor de seus pais como exemplo, 59.40% responderam que tem o amor de seus pais como exemplo; 26.73% que não; 11.88% não sabem; e 1.99% não responderam.

Quanto à opinião de sexo ter que ser feito com amor, os resultados apresentados foram: 74.25% responderam que sim; 13.87% que depende, somando-se a este, outras respostas.

Verificou-se que a menarca ocorreu entre a idade de 9 a 15 anos, apresentando a maior porcentagem de incidência aos 12 anos. Verificou-se também que 92% referiram ter conhecimento sobre menstruação e 8% não.

Quanto ao conhecimento sobre ciclo menstrual, 96% responderam que têm conhecimento. Das adolescentes, 57% referem ter conhecimento sobre gravidez, 38% dizem que não têm conhecimento, 4% responderam que acontece raramente e 1 % que depende. As adolescentes responderam que pode ocorrer gravidez em uma única relação numa percentagem de 94%, 3%, que não sabem, 2% não responderam  e 1 % respondeu que não ocorre.

Quanto à possibilidade de engravidar durante a menstruação, as respostas foram as seguintes: sim e não 49%, não sabe, 18% e 4% não responderam. Perguntadas sobre seus conhecimentos sobre métodos contraceptivos, a maioria das adolescentes, ou seja, 92% responderam que conhecem, 1 % que não conhecem e 7% não responderam. Os métodos mais conhecidos são: condon 22.1 %; DIU 15.1 %; pílula 14%; diafragma 7%; tabela 6.2%; coito interrompido 5%. Com relação à prática do aborto 94.1 % das adolescentes entrevistadas não realizaram o aborto, 4.9% referiram ter realizado e 0.10% não responderam.

Quanto à relação sexual, 49% das adolescentes responderam que têm atividade sexual, 47% que não e 4% não responderam. O início da atividade sexual deu-se entre 15 e 17 anos de idade numa percentagem de 32%. O motivo que as levou a ter a primeira relação sexual, 24.40% relataram desejo sexual, 14.70% outros não especificados e 52.94% não responderam. Entre as adolescentes, 2% responderam que estavam preparadas para a primeira relação sexual, 11% razoavelmente preparadas e 50% não responderam. A idade em que tiveram as primeiras informações sobre a sexualidade está distribuída na faixa etária: entre 11 e 14 anos  uma percentagem de 52%, 7.8% aos 15 anos, 2.9% aos 16 anos a entre 6 a 7 anos de idade com 1 %. Como fonte de informação sexual as respostas foram as seguintes: 18.23% através de livros, 17.43% de revistas, 12.57% de colegas e professores, 22.42% de televisão, e apenas 16.57% dos pais. Como melhor período para iniciar a atividade sexual foram citados: 69% quando existir amor, 18% sem tempo definido, 4% quando permitirem, 3% depois do casamento e outros.

Quanto à qualidade da experiência sexual, 51% não responderam, 40% referiu ser positiva e 7% negativa. A atividade sexual para 19.50% das adolescentes entrevistadas é esporádica, 11.76% semanal (duas vezes por semana), 4.90% mais de uma vez por semana, 2.94% diária e 56.86% não responderam. Os locais da primeira relação sexual foram os seguintes: 53,46% não responderam, 14.85% na casa do namorado, 11.89% na sua casa, 4.95% no motel, 3.96% no fim de uma festa, seguem-se 3.96% entre o carro e o apartamento, 8.28% entre cabana, casa do irmão do namorado, clube, apartamento do amigo e outros.

Como parceiro da primeira relação sexual aparecem o namorado com percentagem de 45%, amigo em 3% dos casos e 52%o não responderam. As pessoas com as quais as adolescentes conversam sobre a vida íntima são: amigos em 23.5% dos casos, namorado 19.71 %, mãe 17,80% e outras com 38.99%.

Das adolescentes entrevistadas, 88% responderam que sentem desejo sexual, 6% que não sentem, 3% sentem às vezes e 3% não responderam.

Com respeito ao sexo oral como parte do jogo do amor, ou como prática que pode substituir a relação genital: 54.45% não responderam, 37.62% responderam que faz parte do jogo preliminar e 7.92% que pode substituir o sexo genital. Quanto a prática do sexo oral visando provocar orgasmo ou excitação: 48.41% não responderam, 39.60% responderam que realizam como excitação e 11.88% para atingir o orgasmo. Quanto ao medo da penetração, 40% das adolescentes não responderam, 31% não sentem medo da penetração e 29% responderam que sentem medo.

Como a família encara a sexualidade: 25.20% normal com limites, 20.32% normal, 18% cedo demais e 17.07% normal após o casamento, Outras respostas perfazem um total de 19.27%. Quanto à zona preferida para a estimulação, 54.80% não responderam, 24.33% preferem estimulação clitoriana, 8.10% intravaginal e 0.90% anal.

A masturbação fez parte de suas vidas em 49.50% das entrevistadas.

Quanto ao medo de contrair doenças sexualmente transmissíveis, as adolescentes responderam que sim em 74%, 10% responderam que não. Das adolescentes, 74% não tiveram doenças sexualmente transmissíveis, 23% não responderam e 3% tiveram. Um percentual de 61% tomaram cuidados para evitar as doenças sexualmente transmissíveis, 31% não responderam e apenas 8% responderam que não tomam cuidados.

Quanto ao tipo de cuidado para evitar as DST, 41.88% não responderam e 19.66% responderam que usam camisinha. Com referência ao medo de ser contaminada pela AIDS, 79% das adolescentes responderam que possuem, não e sem resposta somam juntos 20% e 1 %, responderam sim e não. Quanto ao que fazem para evitar a AIDS: o companheiro usa camisinha: 24%, não responderam 20.37%, evita contato com sangue: 16.04%, tem relação sexual só com pessoa conhecida e evita usar seringas utilizadas por outras pessoas: 28.23%, aparecem também outras alternativas com menor percentagem.

Quanto ao uso de drogas como estimulante sexual, 74.25% das adolescentes responderam que não usam, 12.88% não responderam e 11.88% responderam que sim. Das adolescentes 23.08% usam o álcool e outras drogas como estimulantes, e 15,38% usam álcool e maconha.

Quanto à interferência das drogas na sexualidade 68% responderam que interfere, 17% que não interfere. Das adolescentes, 69% não responderam se o uso de drogas melhorou a excitação, 19% responderam que não melhorou, sim e não sabem somam um percentual de 12%.

Stoller (1993, apud Gomes 1997) denominou de “núcleo de identidade de gênero” e quais contribuições podemos apontar para a resolução do conflito de identidade na contemporaneidade. Parece natural pensarmos que a identidade biológica e a identidade de gênero estão relacionadas, sendo a masculinidade no homem e a feminilidade na mulher, um destino. Perguntamos, então, se isso não sugere um esquema válido para todos os homens e para todas as mulheres, e se este esquema não será válido para a identidade sexual, conforme apontam recentes descobertas no campo da sexualidade humana.



0 comentários:

Postar um comentário