terça-feira, 10 de janeiro de 2012

POR QUE MENTIMOS?


  Temos uma tendência natural para mentir. Se uma pessoa quer dar o fim em um relacionamento, pode dizer simplesmente algo como “o problema não é com você, é comigo” e parecer educado e sensível, quando, na verdade, se quer dizer: “o problema é com você sim, mas não quero te magoar dizendo a verdade”. Mas, afinal, por que agimos de forma insincera com tanta facilidade? Simples: porque funciona e podemos nos beneficiar com isso.

 Em 2002, um estudo realizado pelo psicólogo Robert Feldman mostrou o óbvio: todos mentem em algum momento da vida – alguns mais, outros menos. E não somente enganamos os outros, como também temos a capacidade de induzir a nós mesmos a acreditar ser verdade algo que não é.

 Feldman filmou a conversa de estudantes com alguns desconhecidos por 10 minutos. Logo após mostrar a filmagem para esses estudantes, pediu para que analisassem o vídeo e observassem quantas vezes mentiram. Uma parcela de 60% admitiu ter contado inverdades durante a conversa, tendo uma média de 2,9 mentiras. Os motivos eram, geralmente, fazer com que a outra pessoa se sentisse bem ou somente para autovalorização.

 Um dos principais motivos de sermos tão bons para enganar aos outros é que também somos bons para enganar a nós mesmos. “Embora estejamos sempre prontos para acusar os outros de nos enganar, somos incrivelmente distraídos com nossa própria duplicidade”, afirma o psicólogo David Livingstone Smith, na Scientific American. Nossa memória grava aquelas experiências de quando fomos vítimas de mentiras, nos ‘induzindo’ a contar uma mentira em algum momento.

 Além do fenômeno do autoengano, há outros motivos básicos para mentirmos. Alguns até nos ajudam a nos enquadrar no nosso sistema social e a sermos bem-sucedidos em algumas situações. Mentimos, basicamente, para escondermos algo, evitando problemas; preservar ou aumentar nossa reputação, evitando a vergonha e o embaraço; evitar ferir os sentimentos alheios; manipular outras pessoas para ganharmos algo em nosso benefício; controlar informações, mentindo descaradamente ou simplesmente escondendo a verdade.

 Mentir para nós mesmos e para os outros pode ser uma forma de manter a saúde mental. No entanto, há alguns tipos de personalidade mais passíveis à mentira do que outros: narcisistas, mitomaníacos e alguns sociopatas, por exemplo. A falsa verdade, nesses casos, torna-se prejudicial para o convívio com os outros e consigo mesmo, ao contrário daqueles que emitem ‘mentiras saudáveis’.


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