terça-feira, 15 de novembro de 2011

ESQUIZOQUÊ?


Por Dann Toledo



Olá leitores do Psicoquê?, é com muito prazer, que venho (tentar) falar sobre a Esquizoanálise. Confesso a vocês, que não sou tão íntimo dela assim, mas tenho sentido uma grande atração por essa "mocinha".

Bom, sem muito rodeio, vamos a princípio nos contextualizar historicamente e também sobre alguns conceitos sobre a esquizoanálize.


UM POUCO DA HISTÓRIA ESQUIZOANALÍTICA.

Foi apresentada pela primeira vez em O Anti-Édipo surgindo como uma linha de pensamento idealizada por Gilles Deleuze (1925 - 1995) e Félix Guattari (1930 - 1992), como uma forma de resposta às deficiências em premissas básicas da prática analítica.

Guattari foi confrontado por alguns problemas na obra freudiana, tais como o papel autoritário do psicanalista em relação ao paciente e também o uso do Complexo de Édipo como um marco inicial para a análise do sujeito.

"Em vez de se mover na direção de modificações reducionistas que simplificam o complexo, a esquizoanálise vai trabalhar para a complexificação, seu enriquecimento processual, para a coerência das suas linhas virtuais de bifurcação e diferenciação, em suma para a sua heterogeneidade ontológica". (Caosmose: Um Novo Paradigma Estético. São Paulo: Ed. 34, 1992).


ALGUNS CONCEITOS

A esquizoanálise traz quatro componentes circulares:

Componente generativo, sendo o estudo da semiótica concreta mista, as variações e misturas da mesma.

Componente de transformação: Componente que estuda a semiótica pura, suas transformações, criações de nova semiótica e suas traduções.

Componente de esquemas: Estuda as máquinas abstratas, do ponto de vista das matérias semioticamente não formadas em matérias fisicamente disformes.

Componente Maquínico: Estuda as assembléias que operacionalizam as máquinas abstratas, ao mesmo tempo semiotizando matérias e psicologatizando questões de conteúdo.

A esquizoanálise apresenta oito princípios que norteiam toda sua forma de ação. Nesse nosso primeiro encontro, apenas os apresentarei sem muita profundidade, pois os mesmos são bem mais complexos e cheios de conteúdo.

1 – “Não impedir.”
2 – “Quando acontece alguma coisa, isso prova que acontece alguma coisa”
3 – “A melhor posição para se ouvir o inconsciente não consiste necessariamente em ficar sentado atrás de um divã.”
4 – “O inconsciente compromete aqueles que dele se aproximam.”
5 – “As coisas importantes nunca acontece onde nós as esperamos.”
6 – “Transfers-maquínicos.”
7 – “Nunca nada é adquirido.”
8 – “Toda idéia de principio, deve ser mantida, como suspeita.”



REFERÊNCIAS

GUATTARI, F. (1992, 61).
DELEUZE E GUATTARI 1980 (p. 160-2).
DELEUZE E GUATTARI, O Anti-Édipo 1972 (p. 351-352 e 381)
GUATTARI, F. O Inconsciente Maquínico – Ensaios de Esquizoanálise. Campinas: Papirus, 1988 (p. 187 – 191)

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