quarta-feira, 26 de outubro de 2011

ANÁLISE FUNCIONAL DO COMPORTAMENTO

Por Leila Gracieli



Olá, saudações a todos os leitores do "Psicoquê?". É com muito orgulho que aceitei o convite para escrever sobre a abordagem comportamental e logo de cara isto remonta o seguinte desafio: desmistificar a imagem “negativa” que muitos alunos e profissionais possuem acerca da análise do comportamento. É comum ouvir por aí que os comportamentalistas não levam em conta os sentimentos nem a subjetividade do cliente, que não acreditam no amor, nos sonhos e etc... (é tudo intriga da oposição).  Não é bem assim que acontece. Até porque se a ciência comportamentalista desconsiderasse todos os aspectos supracitados não seria Psicologia, mas vamos por partes, me proponho a explicar cada aspecto separadamente e vou iniciar a discussões esclarecendo o que é a abordagem analítico-comportamental.
Pois muito que bem, a análise do comportamento ou ‘comportamental’ é o ramo da Psicologia que se propõe a investigar o comportamento humano como objeto de estudo (AMORIM, 2010). Investigar e criar estratégias de intervenção para realmente ajudar àquele que busca auxílio na terapia.
Ok. Mas o que é comportamento? Comportamento, genericamente falando, são as ações/atividades (respostas) que o indivíduo mantém em interação com eventos/situações (estímulos) presentes no ambiente. Resumindo, comportamento é a relação existente entre um estímulo e sua resposta (SKINNER apud SÉRIO, MICHELETTO, ANDERY, 2007). Todo mundo se comporta o tempo todo e nenhum comportamento é emitido por acaso, seja ele interpretado como “normal” ou “anormal” ele só está sendo emitido e mantido porque possui alguma função para a pessoa que se comporta (BANACO, 1994/2001; SANTOS, 2007).
Analisar o comportamento é tarefa do terapeuta comportamental. Para que seja possível analisar o comportamento, seja ele problema ou não, Cavalcante (1997) argumenta que é necessário ter a compreensão da interação existente entre indivíduo e ambiente. Para fazer esta análise deve-se levar em conta a história da espécie (filogênese), do indivíduo (ontogênese) e da cultura em que ele encontra-se inserido (ANDERY, MICHELETTO E SÉRIO, 2007). Calma!! É menos complicado do que parece.
O terapeuta analista comportamental investiga a história de vida do sujeito, chamada de “repertório comportamental”, a fim de descobrir desde quando a queixa existe, o que a originou/desencadeou, o porquê dela ainda existir, como o indivíduo lida com as dificuldades e o que reforça o problema/queixa.  Lembrando que nenhum comportamento é emitido em vão, seja depressão, ansiedade, pânico, ou etc, tudo tem uma função e está sendo reforçado de alguma forma.
O terapeuta analítico-comportamental ao prestar serviços deve possuir embasamento teórico pertinente, dominar os conceitos propostos pela abordagem, ter consciência de que cada cliente/indivíduo é único, e possui uma história de vida singular (IRENO, 2007). Respeitar isso é fundamental em termos de profissão, independente da abordagem.
            Pra finalizar gostaria, muito, de enfatizar que a análise do comportamento como qualquer outra abordagem da Psicologia visa à resolução da dificuldade do cliente e o considera como um TODO, indiscutivelmente humano!! Espero que esse texto introdutório possa fomentar dúvidas nos vossos encéfalos e gerar muitas discussões para as próximas colunas. Beijos! ^^



Graduanda de Psicologia pela UNESC- Faculdades Integradas de Cacoal



Referências
ANDERY, M.A., MICHELETTO, N., SÉRIO, T.M. Definição de comportamento. Laboratório de psicologia experimental. Programa de estudos pós-graduados em psicologia experimental: análise do comportamento. 2007.
ANDERY, M.A., MICHELETTO, N., SÉRIO, T.M. Modo causal de seleção por conseqüências e a explicação do comportamento. Laboratório de psicologia experimental. Programa de estudos pós-graduados em psicologia experimental: análise do comportamento. 2007.
IRENO, ESTHER e MATOS. Formação de terapeuta analítico-comportamentais: efeitos de um instrumento para avaliação de desempenho. Dissertação de mestrado, universidade de São Paulo, 2007.
MATOS, M.A. As categorias formais de comportamento verbal em Skinner. Instituto de terapia por contingências de reforçamento. Texto publicado nos anais da XXI reunião anual da sociedade de psicologia de Ribeirão Preto- 1991, pp. 333-341. 

2 comentários:

  1. Leila. a abordagem analitico-comportamental é diferente em cognitivo-comportamental? Em que se aproximam, em quais aspectos se divergem? enfim...

    Euristela

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  2. Olá Stela,

    São diferentes sim. A Terapia Cognitivo-Comportamental trabalha com a premissa de que o pensamento controla o comportamento. Identificando seus pensamentos automáticos,crenças intermediárias e centrais é possível mudar seu comportamento. A investigação para ai. A Análise do Comportamento, no entanto, busca também quais são as causas de seu pensamento. Ou seja, não basta saber como o pensamento está influenciando o comportamento, mas é preciso saber o que está te fazendo pensar daquela forma também. Dá uma passo além.

    Essa é a diferença básica, mas existem várias. Dê uma olhada neste artigo em que algumas delas são citadas: http://www.comportese.com/2012/05/terapia-comportamental-da-depressao-uma.html

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