sábado, 3 de setembro de 2011

O princípio do prazer e a fase moderna


Em meados de 1920 Freud esteve em contato com as mais diversas experiências em torno das pulsões de vida e de morte. Estas que transitam livremente pelo inconsciente, também por ele descoberto, sendo o objetivo principal aliviar as tensões segundo o princípio do prazer. (FREUD,1976).
O princípio do prazer é a forma que a mente atua em evitar o desprazer e a dor, porém, não deixa de ser uma armadilha, pois nunca estaremos livres dessas duas vertentes, embora boa parte das pessoas entrem em um processo de fuga, ocorrendo a repressão das emoções.
Quando se entra em processo de fuga, se torna necessário “apegar-se” em algo ou “alguém”, na maioria das vezes tornando superficial a forma de encarar a vida e as pessoas. Poderemos compreender que essa camada de superficialidade se deve ao conceito de inverdades que o processo de fuga causa. E assim, acabamos por nos esconder do que nos faz mal, embora muitos danos causados por esse processo possam ser irreversíveis.
Esses danos podem ir desde o uso excessivo de álcool, tabaco, uso de drogas e antidepressivos. Ou mesmo a perda de valores e responsabilidades que anteriormente faziam-se presentes na rotina, como o trabalho, convívio com a família e amigos. Assim como também, relacionamentos “vazios” na área afetiva por não saciar a “fome” de si mesmo, de se encarar e resolver os próprios conflitos.
Nessa fase atual que vivemos, é comum relacionar-se com várias pessoas ao mesmo tempo, o que inconscientemente nos deparamos mais uma vez com esse “vazio” interno, que por mais parceiros que sejam encontrados, raramente alguém vai suprir o que se necessita, mesmo por que em tal condição não é possível atingir maior profundidade emocional com o outro, apenas causando mais feridas e sofrimentos que de certa forma, seriam desnecessários.
Em casos abusivos, poderemos encontrar pessoas que fazem o uso de boa parte das “drogas” citadas, acompanhados dos relacionamentos superficiais e ”vazios”, conseqüentemente perdendo o senso de realidade, inclusive chegando ao óbito ou acarretando transtornos psicológicos como depressão, ansiedades agudas (síndrome do pânico), entre outras.
 Iniciando-se novos conflitos à partir dos desprazeres da vida, porém , a melhor forma de evitar esse quadro não é reprimindo, mas sim encarando as situações e encontrando uma maneira de extravasá-las recuperando o foco do bem estar.
O acompanhamento psicoterapêutico é fundamental para o processo e em alguns casos também o acompanhamento psiquiátrico para que seja possível ter sucesso no tratamento.
Mas o principal é que nos momentos difíceis possamos ter o equilíbrio emocional de nos resguardar para aquele momento de dor, o chamado “luto” e quando tudo estiver sendo digerido, será possível recomeçar, mas de uma maneira não destrutiva. Canalizando todo o processo de dor como forma de experiência e também de maturidade, onde servirá como uma ponte para os momentos alegres e verdadeiros.

Carolina Cristina Careta 
2011

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