quinta-feira, 19 de abril de 2018

UM OLHAR SOBRE O CIÚME

O ciúme é um sentimento intrínseco à natureza humana e que é experienciado desde logo, numa fase precoce do desenvolvimento. Pode ser entendido como uma manifestação de emoções desencadeadas pela percepção da falta de exclusividade afetiva por parte da pessoa amada e pela sensação de se estar a dividir, ou mesmo a disputar a atenção, intimidade, dedicação, cumplicidade e afeto com outros, quer estes sejam os irmãos, os primos ou os amigos.
Este sentimento de exclusão está presente, prematuramente, no desenvolvimento com a entrada em cena do terceiro elemento que vai gerar sentimentos ambivalentes na criança: por um lado, o desejo de aceder a uma relação ampliada com o mundo, mas por outro, o temor de perder a sensação de amor incondicional e a segurança afetiva que a relação simbiótica com a mãe lhe transmite.
A resolução eficiente da triangulação implica que a figura materna e paterna estabeleçam uma aliança coesa no modo como lidam com a frustração da criança, garantindo-lhe simultâneamente o amor e a segurança afetiva necessárias.
No entanto, a má resolução da triangulação, poderá comprometer a socialização da criança e os seus futuros relacionamentos amorosos, dando lugar mais tarde ao ciúme patológico. Nestes casos, as relações amorosas adultas, reativam o conflito infantil não resolvido e são vividas com uma sensação de medo e ameaça constante pelo surgimento de um rival (terceiro elemento) capaz de roubar a figura amada. Há uma expetativa permanente e infundada de ameaça na relação, ela própria idealizada e com aspectos infantis relacionados com a ilusão de amor e dedicação exclusivos e incondicionais.
Nos casos de ciúme patológico, verifica-se uma permanente desconfiança e um estado de tensão, angústia e insegurança pelo temor de se ser traído, conduzindo a uma constante monotorização das ações do parceiro, mesmo que este não tenha dado razões para tal. As reacções são desproporcionais e podem mesmo ser agressivas do ponto de vista físico e psicológico, gerando sofrimento para ambas as partes.
Estas pessoas normalmente revelam uma elevada centração nelas próprias e na satisfação das suas necessidades (egocentrismo), sendo muito possessivas, controladoras e levando em pouca consideração a individualidade do outro. Pode igualmente estar presente uma auto-estima deficiente que se traduz no medo em se ser trocado por outra pessoa percecionada como mais interessante e com mais valor.
A reação face à ameaça da perda e abandono poderá traduzir-se num conjunto de emoções que vão desde o pânico à raiva descontrolada, na medida em que a ausência do outro se traduz numa perceção da perda da própria identidade pessoal. O ciúme aqui descrito não mede a intensidade do amor mas acima de tudo o grau de dependência e a imaturidade emocional.
A intervenção psicoterapêutica nestes casos revela-se fundamental, já que o grau de sofrimento é elevado, podendo haver prejuízo nas esferas profissional, familiar e social.
Sendo uma emoção intrínseca à natureza humana, o ciúme, relacionado com o desejo de exclusividade afetiva, não pode ser simplesmente eliminado mas importa saber geri-lo, controlá-lo, aprender a lidar com ele e minimizar os seus malefícios.
A comunicação entre o casal é fundamental e é legítimo que aquele que sente ciúmes possa informar o seu parceiro que esse sentimento o está incomodar mas sem limitar a sua ação, na medida em que essa vivência emocional não lhe dá o direito de agir agressiva e autoritariamente sobre o outro.
Quando é experienciado de forma positiva, o ciúme associa-se a uma conduta de zelo e de motivação para investir no próprio, no outro e na relação.

Fonte: Psicologia.com.pt

quarta-feira, 18 de abril de 2018

AUTO-SABOTAGEM... OU O MEDO DO DESCONHECIDO?

A auto-sabotagem pode ser entendida como um processo sustentado em crenças internas limitadoras que levam apessoa a adotar comportamentos repetitivos que lhe são prejudiciais. Este artigo dá a conhecer de que forma esta voz negativa interna que pode ter várias traduções - tais como “eu não consigo fazer nada bem” “eu não mereço ser feliz”, “acabo por perder todas as pessoas que amo” - pode condicionar a ação do sujeito e o seu sucesso em diferentes aspetos da sua vida, e de que forma é possivel pôr fim a esta auto-sabotagem e assumir a direção por uma vida mais harmoniosa.
Nem sempre o caminho que tomamos nos conduz ao lugar desejado. E, por mais tentativas levadas a cabo, repete-se o resultado de insucesso. 
Provavelmente os acontecimentos de vida, as circunstâncias, a interferência de terceiros, ou mesmo decisões pouco ponderadas, poderão ter contribuído para a instalação da situação atual. Mas também as nossas condutas, inconscientes, ou seja, os nossos padrões comportamentais repetitivos, poderão igualmente estar a condicionar o nosso sucesso. A isto chamamos auto-sabotagem, enquanto um processo sustentado em crenças internas limitadoras construídas ao longo da vida e enraizadas na estrutura mental, que levam a pessoa a adotar comportamentos repetitivos que lhe são prejudiciais. Geralmente, este é um processo inconsciente, sendo frequente a projeção da responsabilidade ou da culpa no exterior.
A existência destas crenças negativas e limitantes em relação ao próprio estão associadas a uma auto-imagem e a uma auto-estima negativas. Esta voz interna negativa pode ter várias traduções, nomeadamente: “eu não consigo fazer nada bem” “eu não mereço ser feliz”, “acabo por perder todas as pessoas que amo”, entre muitas outras. Independentemente da crença limitante, ela pode acabar por condicionar a ação, dada a necessidade do sujeito em confirmar e reafirmar a sua crença a partir do resultado daquele acontecimento. E se é verdade que o resultado do auto-boicote vem reforçar os sentimentos de tristeza e desesperança, por outro lado permite a permanência numa zona de conforto que é familiar e previsível, apesar de limitante e desagradável. Poderão ser exemplos de auto-sabotagem, aquela pessoa que já reprovou várias vezes no exame de condução, ou a outra que já tentou por várias vezes fazer dieta mas a meio do processo, desiste e retoma os hábitos alimentares antigos e pouco saudáveis. Estas e outras situações, podem representar desafios que colocam em causa a identidade do próprio (a perceção que tem de si) e as sua crenças, pelo que inúmeras resistências são levantadas. Conduzir para alguém com um funcionamento muito dependente, pode representar o medo de tomar as rédeas da sua vida e decidir o caminho que quer seguir. A reprovação repetida no exame de condução pode representar uma forma de fuga e de evitamento a uma situação nova e desconhecida, de maior autonomia, que desperta medo e desconforto.
Auscultar e observar os padrões comportamentais que se repetem e as emoções associadas a situações desconfortáveis, são procedimentos essenciais para começar a proceder a pequenas mudanças.
Tomar consciência destes processos inconscientes é um dos primeiros caminhos para romper com a auto sabotagem e assumir a direção por uma vida mais harmoniosa. No sentido de promover o auto-conhecimento e a orientação da  vida de acordo com o que é desejável, importa saber responder às seguintes perguntas.
“O que é que eu quero para mim?”
“Como é que me quero sentir no futuro?”
“Quais são os meus objetivos?" (Os sentimentais, profissionais, de relacionamento, financeiros, e outros…)
Desfazer crenças negativas que levam à auto-sabotagem, ter um auto-conhecimento profundo, tolerar a frustração e ser persistente perante as adversidades, são aspetos que contribuem para o desenvolvimento do potencial e das habilidades de cada um.
As nossas experiências de vida não nos definem e muito menos nos rotulam. Muitas vezes vivemos colados a esses rótulos que acreditamos definirem a nossa identidade, consubstanciados nessas “falsas verdades”, quando a verdade é que a nossa plasticidade, capacidade de readaptação e potencial criativo são enormes e possibilitam estar em constante aprendizagem e transformação.
Ousemos então aceitar esse desafio constante chamado vida!

Fonte: Psicologia.com.pt

terça-feira, 17 de abril de 2018

COMO DESLIGAR DURANTE AS FÉRIAS?

O Verão é para muitos sinônimo das tão desejadas férias, período de lazer e descanso, sonhado ao longo do ano e que se constituí como uma necessidade orgânica para parar da correria desenfreada do dia-a-dia.
Pessoas que passam anos sem tirar férias, correm o risco de atingir um  desgaste físico e psicológico de tal ordem elevado, que acabam por desenvolver quadros de burnout, caracterizados por sintomas de depressão, dores de cabeça, alterações do sono, dificuldades de atenção, concentração e raciocínio. 
Parar para o devido descanso é não só um direito merecido mas também uma condição essencial para a nossa saúde mental que não devemos descurar. No entanto, muitos são aqueles que mesmo de férias, não conseguem tirar o devido proveito porque simplesmente não conseguem desligar da rotina e do stress. Para isso, importa desde logo planear as férias, reservando um período mínimo de duas a três semanas de pausa, que permita dar ao organismo o tempo necessário para se adaptar a uma mudança no ritmo e desacelerar, usufruindo do descanso devido.
Resolver antecipadamente problemas pendentes de ordem prática, como contas por pagar, e não alimentar preocupações com o trabalho são fatores essenciais para se conseguir relaxar. Continuar a atender telefonemas e a responder a e-mails de trabalho representa uma sobrecarga que pode traduzir-se em alterações de humor, irritabilidade, dores de cabeça constantes ou mal-estar, sendo preferível o aviso de ausência no email. Outro aspeto importante,  é procurar sair da rotina do dia-a-dia e introduzir o factor novidade, tal como ir para outro lugar ou fazer uma atividade diferente. Uma mudança de contexto facilita também uma mudança das respostas habituais, eliminado o stress e promovendo o bem estar.
Quando paramos e desligamos o piloto automático das obrigações diárias, mais facilmente podemos entrar em contacto com o nosso eu interior e assim fazer balanços, redefinir prioridades, sem perder o nosso rumo e sentido de vida. É neste espaço e tempo que se abre para nós, que podemos avaliar com mais clareza e perspetiva o ponto em que nos situamos na vida e entrar em contacto com novas ideias e formas de concretizá-las que nos podem trazer realização pessoal e satisfação. O cérebro mais descansado é mais criativo, produtivo e promotor de um maior bem estar. Dedicar momentos das férias a atividades prazerosas com as pessoas de quem gostamos é também fundamental, assim como não descurar a nossa saúde, nomeadamente ter horas de sono suficientes, fazer uma alimentação saudável e manter atividade física para aliviar tensões.

Fonte: Psicologia.com.pt

segunda-feira, 16 de abril de 2018

ANSIEDADE ESCOLAR E O PAPEL DOS PAIS NA SUA REGULAÇÃO

A ansiedade e o stress não são uma realidade exclusiva dos adultos. Também os jovens se debatem com desafios e exigências no seu quotidiano, quer sejam matérias complexas, professores, cargas horárias ou até a necessidade de tirarem boas notas. E se a existência de uma ansiedade moderada é positiva e funciona como uma fonte de energia que ajuda o jovem a mobilizar-se para os seus objetivos, já a ansiedade excessiva torna-se disfuncional e bloqueadora, levando o jovem a sentir-se incapaz de atingi-los. Neste último caso, é frequente encontrarmos quadros de preocupação crónica, queixas de dores sem causa aparente, oscilações bruscas de humor, irritabilidade, alterações bruscas do sono ou mesmo recusa em ir para a escola.
O alívio da pressão é fundamental e os pais podem ter aqui um papel fundamental, na medida que desde logo se constituem como modelos de referência e, como tal, podem ensinar os seus filhos a combater o stress sendo um exemplo disso.
A moderação das expetativas dos pais é outro dos aspetos a ter em conta, na medida em que posturas muitos perfecionistas e voltadas para os resultados, podem promover o desenvolvimento de quadros de ansiedade aliados a sentimentos de insuficiência e incapacidade por parte dos filhos. As crianças são muito sensíveis às expetativas dos pais e têm uma grande necessidade de cumpri-las para se sentirem amadas e fazerem os pais felizes. Quando a criança chega a casa com um resultado negativo e tal não é bem recebido, havendo uma sobrevalorização do resultado em detrimento do processo associado ao trabalho e empenho, tal conduz à interiorização de um sentimento de desvalia e incompetência por parte da criança, com prejuízo ao nível da sua auto-estima. Os resultados negativos deveriam ser encarados como oportunidades de aprendizagem no percurso de vida da criança e não como oportunidades de culpabilização e crítica.
No sentido de atenuar a pressão e a ansiedade dos jovens, é muito importante o estabelecimento de uma rotina por parte dos pais na medida em que tal é organizador e transmite segurança e tranquilidade.  Na rotina diária tem de ser contemplado tempo livre de brincadeira, atividade e lazer, não esquecendo que no mínimo o jovem deve dormir cerca de 8 horas. Em fase de exames pode ser útil o recurso a um calendário ou agenda, com as suas rotinas, não esquecendo que nas maratonas de estudo importa o estabelecimento de pausas para o corpo e a mente recuperarem. A prática de exercício físico é importante na medida em que a ansiedade é canalizada para o esforço físico, bem como o recurso de exercícios de relaxamento.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

COMO CONFORTAR UMA PESSOA EM LUTO?

Por Joana Simão Valério


Na nossa cultura, a morte é ainda um tema muitas vezes evitado e considerado tabu, pelo que é comum as pessoas referirem-se ao luto como uma situação que precisa de ser resolvida e deixada para trás de forma relativamente breve.
Neste contexto, as manifestações de desamparo e tristeza, como o choro sistemático e prolongado no tempo por parte da pessoa enlutada, são muitas vezes encaradas como sinais de perturbação emocional e não como reações normais que devem ser acolhidas e compreendidas.
Importa evitar comentários tais como “não chore”, “não sofra”, “ele não ia querer vê-lo assim”, “vai conseguir ultrapassar”, “vai ver que vai esquecer”.
Apesar de bem-intencionados, estes comentários, acabam por induzir na pessoa enlutada uma vivência de incompreensão no que respeita ao seu sofrimento emocional, acrescendo ainda a pressão para sair daquela situação o mais rapidamente possível, o que poderá conduzir à repressão dos verdadeiros sentimentos e ao adiamento da resolução do luto. Para ajudar a pessoa enlutada, importa proporcionar disponibilidade em tempo e espaço, para que ela possa falar e chorar.
Nestas situações, a simples presença da família e amigos é por si só reconfortante, bem como a capacidade de ouvir. Por vezes, não há nada mais reconfortante como a partilha do silêncio, através do qual a pessoa enlutada sente o acolhimento e a empatia genuína do outro.
O reconhecimento e a validação dos sentimentos que estão a ser vividos são também formas de poder prestar apoio empaticamente, podendo ser transmitida da seguinte forma “Isto é tão devastador que não tenho palavras, mas estou a teu lado para o que precisares.”
Durante o luto, é natural que as pessoas se sintam frequentemente sozinhas e isoladas, pelo que importa revelar interesse e disponibilidade para estar presente, independentemente do que for preciso, mesmo que seja para resolver questões burocráticas ou aspetos práticos do dia-a-dia. Demonstrar esta sensibilidade e disponibilidade é bastante tranquilizador e securizante para a pessoa enlutada.
O luto é vivido de uma forma tanto mais saudável, quanto maior for a possibilidade para o enlutado falar da perda e dos sentimentos a ela associados e quanto maior for a disponibilidade da rede de suporte para o acolhimento desses sentimentos.
Uma angústia não negada e bem acolhida tende a gerar a possibilidade da pessoa se refazer mais facilmente da situação de perda e sair mais fortalecida deste processo para continuar a sua história.

Fonte: Psicologia.pt

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

A PSICOLOGIA DA LIBERTAÇÃO SEGUNDO MARTÍN-BARÓ

Ignácio Martín-Baró
Para a psicóloga Cecília Santiago, falar dos mártires de El Salvador é necessário e atual, principalmente considerando as situações de opressão que ainda persistem na América Central
Ignacio Martín-Baró, um dos seis jesuítas assassinados brutalmente pelo exército salvadorenho no dia 16 de novembro de 1989, em El Salvador, foi o precursor da psicologia da libertação. Defensor de uma psicologia que se dedicasse ao atendimento dos problemas das maiorias populares, ele argumentava que era preciso “fazer uma psicologia política que leve em conta o poder social na configuração do psiquismo humano e que, portanto, contribua para construir um novo poder histórico como requisito de uma nova identidade psicossocial das maiorias até hoje dominada”, disse Cecília Santiago, psicóloga de Chiapas, à IHU On-Line, na entrevista que segue, concedida, por e-mail.
Baró ficou conhecido na América Latina após divulgar o contexto social e político de El Salvador, mostrando a realidade sofredora do povo salvadorenho. Recordando o martírio, Cecília Santiago diz que, como psicóloga chiapaneca e centro-americana, acredita “que estas pessoas, que há vinte anos deram sua vida, nos falaram com tal clareza que a vigência de suas palavras nos alenta e nos orienta nesta época de injustiça e opressão”.
Na opinião de Cecília, o sofrimento ainda está presente na América Central e, por isso, a realidade centro-americana de pobreza extrema, de violência e morte “nos chama a participar no fortalecimento de uma trama social que busca a vida, a paz e a dignidade”. Ela informa que em Chiapas, o governo e empresários “assassinaram lideres comunitários e jovens integrantes de organizações camponesas e indígenas”. Aqueles que mantêm Honduras sob estado de sítio, acrescenta, “são os mesmos que mataram Martín-Baró, os que assessoram o exército salvadorenho e mataram centenas de milhares de pessoas, de jovens, de crianças”.
Em homenagem aos seis jesuítas e às duas mulheres que foram brutalmente assassinados em El Salvador, o Instituto Humanitas Unisinos - IHU inaugura, na quinta-feira, 10-12-2009, a sala Ignacio Ellacuría e Companheiros. Na ocasião, será exibido o debate Memory and it Strength: The martyrs of El Salvador (A memória e sua força: Os mártires de El Salvador), que ocorreu no Boston College, nos EUA, no dia 30 de novembro. Mediados pelo jesuíta e reitor emérito do Boston College, J. Donald Monan, Noam Chomsky e o jesuíta e teólogo Jon Sobrino discutem a importância dessa memória. 
IHU On-Line - Como você descreve a participação de Ignacio Martín-Baró nas lutas sociais em El Salvador na década de 80?
Cecília Santiago - Na universidade, ele promoveu a desideologização de professores, alunos e da sociedade em geral. Como professor, promoveu a conscientização de seus alunos e a participação ativa em analisar e transformar a realidade de seu país.
Como pesquisador, pôde situar o contexto em que se vivia no país, definindo os conteúdos de uma guerra na qual os perdedores eram a população civil. Localizou as consequências psicossociais na população, dando pistas para a atividade pastoral e de acompanhamento. 
Como acadêmico, promoveu a criação de instâncias universitárias que mantiveram a vinculação direta com a cidadania, como o instituto de opinião pública, a partir do qual fazia pesquisas de opinião que permitiam dar a voz à população em geral e, simultaneamente, mediante estas perguntas, as pessoas podiam questionar a realidade em que viviam. Dando, assim, importância à participação da população civil em meio a um conflito.
Este papel ativo a partir da universidade lhe possibilitou abrir as fronteiras do país, ministrando conferências em diversos países, mostrando a realidade sofredora do povo salvadorenho, além de promover laços de solidariedade. 
Como sacerdote, acompanhou sua Igreja, o povo mais pobre com uma cotidianidade em meio aos confrontos armados, massacres, perseguições e cárceres. Brindava espaços de reflexão à luz do Evangelho, análises da realidade para situar o papel dos atores políticos locais e internacionais, e promovia a motivação para viver, para a solidariedade e a compaixão entre irmãos.
IHU On-Line - Em que consiste a psicologia da libertação de Ignacio Martín-Baró? Quais são as fontes de inspiração e sua contribuição fundamental?
Cecília Santiago - Martín-Baró assinalou que a psicologia devia estar orientada para a libertação dos povos oprimidos. Falou de como libertar a psicologia de sua origem como ciência ao lado dos opressores e com base na cultura ocidental, como uma ciência que não contribui à humanização das pessoas, e sim a sua alienação. Citou os objetivos da psicologia social latino-americana: re-estabelecimento de toda a sua bagagem teórica e fortalecimento das opções populares. Delineia três tarefas libertadoras: o estudo sistemático das formas de consciência popular, o resgate e potenciação das virtudes populares e a análise das organizações populares como instrumento de libertação histórica. 
Assim ele propõe que a psicologia devia descentrar sua atenção de si mesma, de seu status científico e social, para dedicar-se ao atendimento dos problemas das maiorias populares. Ter nova práxis psicológica para a transformação da sociedade latino-americana. Propôs, assim, ter um novo horizonte e uma nova epistemologia.
Foi um acadêmico em sentido estrito, que buscou tanto o trabalho teórico como uma práxis sólida. Falou com dedicação e firme compromisso da atividade do psicólogo e do papel transcendente que desempenha entre contextos que laceram e humilham os pobres, para aprofundar-se no conceito psicossocial da libertação, consolidando uma psicologia popular e uma psicologia política.
IHU On-Line - Qual é, segundo Ignacio Martín-Baró, a função da psicologia da libertação ante a realidade da injustiça e da violência na América Latina e em El Salvador?
Cecília Santiago - 1. A recuperação da memória histórica, para haurir lições da própria experiência, encontrar as raízes da própria identidade para interpretar o presente e vislumbrar alternativas realmente úteis para a libertação;
2. Desideologizar a experiência cotidiana, para sair do fictício senso comum, enganoso e alienador, que é transferido pelos meios de comunicação de massa. Promover espaços para que o povo veja o que conseguiu, o que está fazendo e dê validez a seu próprio modo de entender o que se passa, fazendo-o para seu próprio bem;
3. Trabalhar para potenciar as virtudes de nossos povos. Tantos valores que estamos construindo para sobreviver à adversidade.
IHU On-Line - O que caracteriza a psicologia da libertação enquanto proposta crítica da psicologia social?
Cecília Santiago - Martín-Baró assinalou que a psicologia tinha que estar orientada para a libertação dos povos oprimidos e não para o hedonismo científico.
IHU On-Line - Como se integra a ética e a política no fazer da psicologia social de Martín-Baró?
Cecília Santiago - Se você se refere à ética, temos que perguntar-nos de que lado estão os psicólogos: do lado do opressor? Ou do oprimido? Aí está a opção ética que cada um deve fazer. Também é preciso repetir a pergunta constantemente ao longo de toda a vida. E se perguntar quais são as consequências históricas concretas que essa atividade está produzindo. 
Martín-Baró falou de fazer uma psicologia política que tome em conta o poder social na configuração do psiquismo humano e que, portanto, contribua para construir um novo poder histórico como requisito de uma nova identidade psicossocial das maiorias até hoje dominada.
IHU On-Line - 20 anos depois do martírio, quais são os reflexos da psicologia da libertação na América Central?
Cecília Santiago - A partir de Chiapas, posso dizer que a presença de Martín-Baró como sacerdote e amigo ainda está viva no meio do povo daquela que fora sua paróquia Jayaque. E suas análises de saúde mental em contexto de guerra recordam nas pessoas desmobilizadas de alguns departamentos, como Cabañas.
Suas contribuições foram e serão parte do povo porque dali vieram e sempre estarão presentes de uma ou outra forma, mais ou menos visível.
IHU On-Line - Qual a importância de recordar e celebrar a memória dos mártires? Como essas vítimas nos chamam à libertação?
Cecília Santiago - Como psicóloga chiapaneca, que também me sinto centro-americana, creio que estas pessoas, que há vinte anos deram sua vida, nos falaram com tal clareza que a vigência de suas palavras nos alenta e nos orienta nesta época de injustiça e opressão. 
Eles nos trouxeram valentia e determinação. A convicção de que nossa voz e nosso agir têm relevância. Por isso, falar deles e de nossa realidade atual é tão necessário como participar de movimentos amplos de transformação social. Os atores que mantêm Honduras sob estado de sítio após o golpe de Estado são os mesmos que mataram Martín-Baró, os que assessoraram o exército salvadorenho e mataram centenas de milhares de pessoas, de jovens, de crianças. Nossa realidade centro-americana de pobreza extrema, de violência e morte nos chama a participar no fortalecimento de uma trama social que busca a vida, a paz e a dignidade. Em Chiapas, nos últimos meses, o governo, empresários e sicários assassinaram líderes comunitários e jovens integrantes de organizações camponesas e indígenas, como  Trinidad Martínez, Mariano Abarca, entre outros, são nossos mártires de hoje. E eles nos chamam a não ter medo, a sentir sua presença que nos impele a buscar, dentro das profundezas de nossa identidade ancestral, caminhos iluminados para caminhar em meio às lutas de libertação.

Fonte: IHUOnline

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

COMO CONSEGUIR CLIENTES NA CLÍNICA DE PSICOLOGIA?

Texto de Eduardo Tadeu Alencar
Contato: Linkedin.

“O objetivo da primeira sessão terapêutica nada mais é do que fazer o cliente voltar na segunda” — Mally Delitti.
Para profissionais que não são da área da psicologia, esta frase da Mally pode causar uma má impressão, afinal, o objetivo da terapia é criar um cliente independente e autônomo capaz de enfrentar os seus problemas e dificuldades. Todavia, para nós psicólogos e / ou estudantes, ela faz todo sentido do mundo uma vez que em uma única sessão nada ou muito pouco sabemos do cliente a ponto de que alguma de nossas intervenções (verbais ou contingentes) tenham algum benefício significativo ao mesmo, logo, um objetivo interessante para primeira sessão, é fazer com que ele volte na 2º para que o tempo permita a construção adequada da relação terapêutica e do processo terapêutico como um todo. Sim, é incondicionalmente sábia a frase de Mally.
Pessoas que ingressam na faculdade de psicologia com objetivo de tornarem-se psicólogos podem atuar nos mais diversos campos onde existe o comportamento Humano, entre eles, estão: a área de Recursos Humanos, o Trânsito, as Ongs, os Hospitais, a Saúde Pública, o Judiciário, o marketing, a clinica psicológica, entre outros.
Este artigo em especial, vai tratar de um tema típico e recorrente para o psicólogo que atua em clinica psicológica: Atrair clientes prestando um serviço de qualidade. No geral, esta frase corresponde a um conjunto de comportamentos do terapeuta. Para analise do comportamento em especial, cujas raízes filosóficas pautam-se no behaviorismo radical de B.F. Skinner, comportamento é tido como a relação entre a ação de uma pessoa para com o ambiente a sua volta na qual conseqüências frutos destas relações, retroagem no sujeito emissor da ação alterando a probabilidade de ocorrência futura da mesma, ou seja, o sujeito e o ambiente são ambos, parte da unidade de analise denominada “comportamento”.
Neste caminho, as relações são modeladas pelas chamadas contingências de reforçamento, sendo positivo quando a conseqüência do ato é a adição de um evento e negativo quando a conseqüência que decorre ao ato é a retirada de um evento. Portanto, pensar em atração de clientes para esta vertente teórica é pensar em um conjunto de comportamentos de uma maneira diferente da tradicional. É pensar em comportamento como uma relação do terapeuta com o meio e não em ações dele isoladas e determinadas por alguma instância mental.
Estas relações não ocorrem soltas no mundo, elas estão à mercês de 3 grande determinantes comportamentais: a determinante filogenética e toda carga de evolução biológica, fisiológica, neurológica da espécie, a determinante cultural na qual esta espécie foi gerada e / ou se desenvolve / se relaciona e a determinante ontogenética que corresponde a história peculiar de cada sujeito nas relações comportamentais (sujeito x ambiente e suas contingências de reforçamento). Ambas entrelaçadas, de modo o qual não ocorram de forma linear ou estruturalista. Uma influenciando nna outra o tempo todo.
Logo, algo que inicialmente parecia simples (atrair clientes em clinica psicológica) está no MÍNIMO sob influencia das seguintes variáveis:
1.1 – Filogenética
O terapeuta se formou em psicologia, mas isso não o isenta de sua história. Se ele é alto, baixo, obeso, magro, branco, pardo, se possui o cabelo liso, se é novo, velho, enfim, toda esta gama de estímulos que vem junto com o terapeuta pode e provavelmente terá diferentes impactos em cada cliente. Muitas vezes o cliente até vem ao consultório para a primeira sessão, mas não volta para as demais. Olha a foto, o anúncio do terapeuta ou solicita referências de algum amigo que fez processo terapêutico e não adere por falta de afinidade com estas questões.
Mesmo que o cliente tenha acesso a características filogenéticas do terapeuta no processo de atração de clientes, isso ocorre em menor freqüência. Penso que o conhecimento filogenético da nossa pessoa esteja mais direcionado à retenção destes, ou seja, FAP, estudo dos comportamentos clinicamente relevantes em sessão, que comportamentos do cliente e do terapeuta surgem em sessão, etc. De qualquer forma, se o artigo vai abordar a atração de clientes, é importante alertar sobre a possibilidade.
1.2 – Ontogenético
Há muitos anos, renomados autores e pesquisadores de analise do comportamento como Maly Delitti, Maria Martha Hubner, Roberto Banaco, Denis Zamignani, Hélio Guilhard, Roberta Kovac, Cássia Thomaz, Yara Nico, Joana Singer, Patrícia Piazon, entre outros, vêem escrevendo textos e produzindo conhecimento sobre a “relação terapêutica” munindo psicólogos e futuros psicólogos sobre variáveis e estratégias destas relações. Indico que o leitor interessado em ampliar os seus conhecimentos sobre tema possa procurar texto destas autorias. Muito das relações ontogenéticas impactam diretamente na retenção de clientes.
Sobre atração, penso que as determinantes ontogenéticas que interfiram na captação de clientes deva nos alertar sobre:
— Terapeutas que tem mais clientes em seus consultórios emitem um comportamento X enquanto aqueles que não tem nenhum emitem o comportamento Z; O que fazem estes terapeutas? Devemos aprender com eles através da modelação, ou seja, adquirir modelo através de terapeutas bem sucedidos;
— Como posiciono o meu comportamento verbal e contingente no “marketing” dos meus serviços? É “boca a boca”, eu tenho um site? Eu tenho um anúncio? Eu disponho de estrutura física, bem como telefone, móveis, sede, etc?
— Temos uma postura ativa em termos comerciais ou sentamos e esperamos o cliente bater a nossa porta, análogo a “cair do céu”?
Estas e outras reflexões de ações alheias x nossas próprias ações são essenciais para modificarmos a contingência de “pouco cliente” para contingência de “mais cliente”.
1.3 – Cultural
Estamos localizados em um país desenvolvido ou subdesenvolvido? Estamos em grandes capitais ou no interior de algum estado? A minha clinica é de fácil acesso ou difícil acesso? Nosso sistema econômico territorial é o capitalismo, socialismo, monarquia? Minha clinica está em uma região de público de poder aquisitivo A, B, misto? Abriram clinicas próximas a minha? Estou perdendo cliente de algum tempo para cá? Minha forma de pagamento está atualizada com as mudanças tecnológicas (Cheque, cartão, dinheiro em espécie, outros), O que está ou pode estar acontecendo?
Percebam que há algumas questões culturais que podem impactar as outras duas determinantes, de modo que mesmo que você faça uma boa divulgação e trabalho, as variáveis culturais não podem ser deixadas de fora de sua estratégia.
Estratégias gerais para atração de clientes em clinica psicológica
A escolha de uma ou mais estratégia de divulgação dos serviços clínicos deve ser pautada no estudo das variáveis acima, caso contrário, você estará voltando a um modelo tecnicista dos chamados “aplicadores de técnicas e modificadores de comportamento”.
Eu particularmente, ainda tenho pouca experiência clinica, porém, tenho vasta experiência no tocante ao gerenciamento do comportamento das organizações. A clinica psicológica privada não é uma instituição de caridade, ela é uma instituição imersa em um cenário capitalista que presta serviço e deve gerar lucros ao seu acionista, no caso, o próprio terapeuta. Sendo assim, me sinto bem a vontade para refletir sobre este tema com vocês. No geral pensei e recolhi observado a conduta de alguns terapeutas / médicos / empreendedores de clínicas, as seguintes estratégias:
— Fazer parceria com redes de convênios para encaminhamento a clinica particular;
— Fazer parceria com clinicas escolas, pois os casos graves reprovados em triagem que não podem ser atendido por estudantes cabe ao terapeuta já formado;
— Marketing Boca – Boca, ou seja, se você não avisa, quem vai saber que você é psicólogo?
— Registro no conselho regional de psicologia (Pasmem, ainda há muitos psicólogos atuando sem registro!), fora as complicações éticas / legais e perda do título, se um cliente entrar em contato com esta contingência, pode colocar em risco o atendimento de clientes em toda classe (Vide conceito de generalização de estímulos);
— Criação de site, hoje em dia, o http://www.google.com.br/ é a bíblia da busca, se você não está lá, está excluído (Vide conceito de seleção natural);
— Distribuição de cartão ao seu público alvo, contendo contato, endereço, etc.
— Dar palestras gratuitas em sua clinica sobre temas relacionados a saúde, por exemplo, seu eu sou especialista em obesidade, dou uma palestra introdutória ao tema, a importância de olhar para este fenômeno com cunho de saúde, etc, e na palestra fica a divulgação do serviço terapêutico. Aqui, você cede gratuitamente a sua mão-de-obra, presta responsabilidade social na orientação básica da comunidade em torno da sua clinica, mostra ao público a seriedade do seu serviço e de quebra, pode angariar cliente direcionado a sua especialização;
— Fazer convênio com empresas, por exemplo, forneço preço diferenciado para atendimento de funcionários para sua empresa, é preciso vender a idéia aos empresários de que o funcionário em equilíbrio biopsicoscial é mais produtivo e feliz;
— Em alguns atendimentos, é necessário expandir o atendimento clinico aos parceiros de relacionamento do cliente, à família, aos avós, etc. Entretanto, questões éticas e metodológicas o impedem de atender todos eles. Não seja “mesquinho”, convide um ou mais amigos de sua confiança (psicólogos é claro!) ofereça o caso e cobre parte do ordenado, afinal ele precisa de atendimento e você também, atue como supervisor destes casos “de família”.
— Alguns bairros editam a revista local com as propagandas, coloque a propaganda da sua clinica neste veículo de comunicação.
— Fazer convênio com associações desportivas, de repente sua especialização clinica é voltada ao esporte, você pode fazer contato com as torcidas organizadas, divulgar o serviço aos torcedores, mural de avisos, etc.
— Fazer convênio com escolas, de repente pais e educadores não sabem para onde encaminhar pessoas com problemas de aprendizagem, apoio ou atraso, etc. Entre em contato com as escolas em torno da sua clinica, fale sobre o seu objetivo e deixe um contato, visite a escola, trabalhe a sua credibilidade para com ela.
— Em momento oportuno, seja na roda de amigos ou família, lembre seu ambiente social de que sua clinica está em andamento, a qualquer momento eles podem ter um amigo, do primo do amigo do tio que precisa de atendimento, mas não conhece nenhum psicólogo. É claro que não atendemos os conhecidos 9Vide código de ética), mas uma indicação é uma das fontes mais seguras e rentáveis da clinica;
— Muitas indicações que recebemos esquecem-se de nos ligar, pois ainda não se sensibilizaram sobre a importância do seu problema, tratando-os como frescura, o famoso “deixa para lá”. O Psicólogo tem que entrar em contato com estas pessoas, dar-lhes comodidade, diminuir o custo de resposta do cliente para aderência ao tratamento, isso envolve ter um telefone fixo x celular, se no seu cartão você divulga o celular, adquira um chip de várias operadoras. Vivemos no Brasil, se o seu público alvo for a classe C ou D, uma ligação para celular pode ter enorme custo de resposta e você perde o cliente. Pense se o acesso ao seu processo terapêutico tem baixo ou elevado custo de resposta ao cliente. Modifique estas contingências se necessário.
— Um dos maiores medo dos clientes tem sido o preço. É claro que os conselhos regionais sugerem um preço tabelado, que há uma questão ética, que devemos tomar cuidado para não prostituirmos o preço do serviço na praça, enfim, mas personalizar o preço para cada cliente e sua (s) queixa (s) é um exercício que temos que fazer ao pensarmos em atração e retenção.
— Use o network com professores, muitas vezes um cliente não pode pagar o preço da sessão de um psicólogo mais experiente, logo se você estiver em início de carreira, tente absorver estes casos e faça supervisão! Esta é a semente para que um dia você esteja do outro lado.
— Algumas clinicas alocadas em prédios possuem plaqueiros nas paredes da recepção com informativos sobre que tipo de negócio há em cada andar, verifique com a administradora do seu prédio para colocar sua plaqueta lá.
— Reveja se o preço baixo do aluguel da sua clinica vale apena para a localização em que ela está;
— Traga atrativos para sua clinica (local para estacionar, próprio ou conveniado), sala de espera com revistas atuais e não aquelas de 1990, água fresca, um café, coisas simples, mas que acomodam um cliente como ele merece e tornam o seu ambiente reforçador e acolhedor. Lembram da frase da Mally? Pois é, se a clinica for um local desagradável vocês acham que o cliente volta para 2º sessão ou esquiva-se dela?
— Treine e acompanhe os seus funcionários, muitas clinicas perdem cliente pois a recepcionista é grossa ou não tem repertório comercial para passar as devidas informações.
— Tente otimizar os seus custos para que consiga melhorar o preço da sessão, por exemplo, como geralmente somos todos autônomos, temos custos com contabilidade, conselho, taxas, manutenção da infra – estrutura, enfim, tente ao máximo “fazer mais utilizando menos”. Com um preço melhor sem abalar a qualidade do seu trabalho, conseguirá mais clientes;
— Procure apoio de instituições que já tem prática no apoio à psicólogos, por exemplo o (http://www.clinicaceaap.com.br/) tem um curso exclusivo para psicólogos recém – formados voltado a administração, gestão e divulgação da clinica. A clinica é um empreendimento e a faculdade não oferece conhecimento de gestão, logo, você vai precisar ir atrás desta falha. Instituições como o SEBRAE oferece cursos gratuitos de contabilidade, administração financeira e até marketing. Não marque bobeira, use a internet ao seu favor;
— Intere-se a era digital e a política de atendimento via WEB. O CRP já tem fornecido diversos credenciamentos. Se antes a clinica ao lado disputava clientes, agora com a Web, um psicólogo do Mato Grosso por exemplo pode atender clientes em SP e vice – versa. Alguns terapeutas tem feito pacotes de X sessões web e a cada X delas, ocorre uma presencial na qual o terapeuta vem até a casa do cliente como um Acompanhante Terapêutico. Adaptar a forma de sua sessão também será algo que o psicólogo vai precisar rever nos próximos anos. Se a qualidade da Web é mais ou menos do que a qualidade da sessão presencial, isso é uma outra questão. Em termos de contingência, você vai precisar optar sob quais conseqüências você quer para sua carreira. Escolher sessão on line, presencial ou mista tem em si, reforçadores positivos e negativos tanto para o cliente como para o terapeuta.
— Busque ter ao menos 2 pontos de atendimento clinico. O http://www.nucleoparadigma.com.br/ além de alugar salas, oferece cursos de formação e atualização na prática clinica. Busque instituições de acordo com sua vertente teórica. Geralmente elas já possuem uma marca solidificada, atender neste local ajuda você terapeuta a construir o seu nome e marca. Em contra – partida, prepare-se, pois terá que dar o melhor de si. Quando nos vinculamos a uma instituição temos que estar prontos para assumir esta responsabilidade. O serviço clinico é um serviço sério e a conduta de marketing na captação de clientes jamais anula a responsabilidade ético – profissional que assumimos ao escolhermos sermos psicólogos.
— Instituições como http://www.redepsi.com.br/ tem dado muito apoio na divulgação de serviços psicológicos sejam via site ou via mala direta. Investir neste tipo de serviços é também uma ação interessante na tentativa de ampliar nossa carteira de clientes.
— Adequar o preço para estudantes, pensar em formas de pagamento (semestral, anual, quinzenal), cartão, cheque, entre outros de acordo com o público alvo pode ser mais um atrativo. Cada cliente é único e como tal, terá uma necessidade diferente, cabe a você ter um leque de opções para cada necessidade.
— Entre em grupos e fóruns como por exemplo o Comport do Yahoo grupos e troque experiências com outros profissionais, lembre-se do início do artigo, adquira modelos!
— Faça supervisão, embora os preços sejam agressivos para alguns terapeutas em inicio de carreira, encare isso como supervisão. O ganho de repertório junto ao manejo clinico permitirá que você compreenda e faça mais pelo seu cliente em menos tempo. Lembrando que o reforço mais poderoso é o imediato e intermitente, você com um manejo clinico mais arrojado vai poder fazer mais, com mais qualidade e isso aumentará em termos de probabilidade a porcentagem de manter, fidelizar e fazer com que aquele cliente faça o marketing boca – a – boca do seu serviço.
— Troque com seus amigos psicólogos as suas especializações, deixe claro a sua turma a sua especialidade, por exemplo, eu não atendo crianças, mas tenho paixão pelo atendimento de adolescentes e adultos, tenho uma amiga que só atende crianças. Quando ela tem um adulto em sua clinica, me encaminha, quando eu tenho uma criança encaminho a ela. É claro que aqui você vai levar em consideração o tipo do cliente, conhecendo o seu amigo e as determinantes (ontogenéficas, filogenéticas e culturais também discutidas neste artigo), pode ser que não seja adequado o encaminhamento, nunca abandone as avaliações funcionais, esta é só mais uma dica de manejo de contingências na adesão de clientes. O foco sempre será o cliente.
Conclusão
Percebam que todo este diálogo tenta ilustrar contingências de uma noção diferenciada de comportamento. Qual a conseqüência de adotarmos ou não cada estratégia? Eu não tenho esta resposta pois você também é único em sua totalidade. Meu objetivo não foi entregar-lhes um conjunto de técnicas mas chamar a atenção de vocês para possíveis ações e suas conseqüências.
Percebam que aqueles terapeutas bem sucedidos em clinica, além da vasta experiência, atuam, emitem determinados comportamentos dos quais os terapeutas “carente” de clientes podem não estar emitindo. Nossa profissão tem um ponto positivo que é: “quanto mais velhos ficamos, mais experientes ficamos e, portanto, mais rápido nos posicionamos frente as adversidades da clinica”. Todavia, um analista do comportamento conhece os benefícios do comportamento aprendido por modelação, no qual eu me desvinculo do tempo cronológico e passo a aprender por modelos. Assim, nada impede de um terapeuta mais novo ter X clientes e oferecer um serviço de qualidade tal como alguém mais velho.
Para isso, você vai precisar se empenhar 50 vezes mais todos os dias. Fazer supervisão, fazer cursos, atender clientes, administrar sua clinica, participar de grupos de discussões, fazer terapia (isso mesmo! Psicólogo também deve ir a terapia! Não esqueça disso!), enfim, poderíamos escrever muito sobre coisas que podem ser feitas e / ou consideradas para atrair clientes, aqui fica apenas um inicio para sua reflexão.
A graduação de psicólogo não oferece nenhum conhecimento sob gestão, você não pode sentar e esperar o cliente bater a sua porta, você vai precisar interar-se sobre finanças, gestão de pessoas, marketing e afins. Estamos em um momento histórico onde a terapia chegou as empresas e a administração chegou às clinicas.
Seja você o gestor de seu negócio!
Boa sorte!

Artigo originalmente publicado em RedePsi [link] e postado aqui com autorização do autor.

sábado, 30 de abril de 2016

SÉRIES SUPIMPAS PARA QUEM GOSTA DE PSICOLOGIA

Você estuda psicologia?
É psicólogo?
Gosta da área?

Listamos pra vocês algumas séries com a temática psi que talvez você possa gostar!




IN TREATMENT


Um psicanalista, cinco casos, uma sessão por dia. Isso é o que se passa na série "In Treatment", que foi inspirada em uma série de sucesso da TV israelense. Nela, Paul Weston possui um consultório dentro de sua própria casa e a cada episódio mostra uma sessão, inclusive a sua. A série não apresenta resoluções dos casos, o que nos coloca como voyeur, fazendo com que possamos acompanhar todo o processo psicanalítico do ponto de vista profissional e também do paciente. Com um roteiro tenso, prende a atenção do início ao fim.




SESSÃO DE TERAPIA


A série é a versão brasileira de "In Treatment", também baseada no serie israelense Be Tipul. Dirigida por Selton Melo, produzida por Roberto D’Avila e exibida pelo Canal GNT, conta com atores incríveis como Maria Fernanda Cândido, Sérgio Guizé, Marina Lima, Maria Luisa Mendonça e outros.



LIE TO ME

A série televisiva americana traz as investigações de uma equipe formada por especialistas em detectar mentiras, no qual são os melhores. As mínimas expressões e gestos são interpretados por esses cientistas do comportamento, que prestam seus serviços para diversas entidades, como o FBI, a polícia, empresas particulares ou mesmo pessoas que estejam dispostas a descobrir a verdade que alguém pode estar escondendo.





PSI

Psi é também uma produção brasileira e conta a história do psicanalista, psicólogo e psiquiatra Carlo Antonini, que atende na cidade de São Paulo. Não bastasse uma ex-mulher, um filho e dois enteados, ele ainda se presta a investigar por conta própria, nas horas vagas, crimes e casos complexos. Seu alívio é discutir os contratempos da vida com sua vizinha e colega de profissão, Valentina, e o amigo coveiro, Severino.




MENTAL

Produzida pela FOX, a série conta a história do Dr. Jack Gallagher, um jovem psiquiatra brilhante que acaba de assumir a diretoria da área de saúde mental de um hospital e que tem métodos nada ortodoxos para tratar os seus pacientes, como também pouco respeito pelas regras estabelecidas.




PERCEPTION

A série é um drama sobre a mente humana, centrada no Dr. Daniel Pierce, um talentoso, excêntrico e paranoico neurocientista e professor que conhece a fundo a mente e os comportamentos humanos. Devido sua grande inteligencia e conhecimento, é recrutado por Kate Moretti, sua antiga aluna, para trabalhar como seu parceiro no FBI. 




HUFF

Huff conta a história de um psiquiatra de sucesso cuja vida muda bruscamente quando um cliente de 15 anos comete suicídio em seu escritório. Após anos de ajuda e a lidar com os traumas de seus pacientes, ele agora tem de lidar com o seu e, por isso, é forçado a reavaliar sua carreira e repensar toda a sua vida. 





WEB THERAPY

Fiona Wallice é uma terapeuta que põe em prática um novo método de terapia, a Web Therapy. Na sua opinião, a versão tradicional das terapias de 50 minutos dá margem para que os pacientes falem sobre coisas irrelevantes. Encurtando as sessões para apenas 3 minutos, ela espera resultados mais rápidos, já que, nesse caso o foco da consulta se volta para o que há de relevante. Suas sessões são feitas pela internet, através de webcams, e são gravadas na esperança de atrair investidores para tornar sua nova técnica uma opção de terapia a nível mundial.




CRIMINAL MINDS

A série é de suspense e focada numa equipe de elite do FBI cuja especialidade é analisar perfis de criminosos, para antecipar seus passos e evitar que eles voltem a atacar. Enquanto detetives comuns estudam as evidências de um crime, esta unidade analisa o comportamento do criminoso até chegar a uma lista de suspeitos. Eles investigam o crime de dentro para fora, ou seja, eles tentam pensar com a cabeça do criminoso. 




TELL ME YOU LOVE ME

Os episódios trazem os relacionamentos e vidas de três casais que estão passando por complicações. Cada casal vive uma fase diferente da relação amorosa e todos têm algo em comum: vão falar sobre seus problemas com a psicóloga May Foster, que também enfrenta suas próprias questões nos seus 43 anos de casamento. 


DEXTER

Valendo-se do fato de ser um especialista forense em análise sanguínea e de trabalhar no Departamento de Polícia de Miami, Dexter, de um modo bem meticuloso e sem pistas, come rosquinhas, bebe café, mata criminosos que a polícia não consegue trazer à Justiça. Ele organiza seus assassinatos em torno do "Código de Harry", um apanhado de regras e procedimentos desenvolvidos por seu pai adotivo, Harry, para garantir que seu filho nunca seja preso e assegurar que ele mate apenas outros assassinos ou políticos corruptos. Harry também treinou Dexter quanto a interagir convincentemente com outras pessoas apesar de ser um sociopata








HANNIBAL
Will Graham é um professor e agente especial do FBI que possui a incrível habilidade de reconstruir cenas de crimes em sua mente. Tirado da sala de aula pelo agente Jack Crawford, ele se vê encarregado de uma grande missão, que o colocará cara a cara comDr. Hannibal Lecter, seu pior e mais novo aliado.



ANGER MANAGEMENT

Charlie é um ex-atleta que teve sua carreira encerrada devido aos problemas com controle da raiva, então ele volta a estudar e se especializa em terapia de controle de raiva. Toda semana ele atende seus pacientes em seu escritório, além de ajudar um grupo de prisioneiros. Charlie também tem que lidar com sua ex-mulher e a filha adolescente do casal que tem TOC, além da sua terapeuta com quem ele faz sexo casualmente.